A posição de uma universidade em um ranking global nem sempre revela com precisão onde estão seus principais centros de excelência. Uma instituição pode aparecer distante das primeiras colocações na classificação geral e, ao mesmo tempo, ocupar posições de destaque internacional em campos específicos de pesquisa e conhecimento.

Esse contraste aparece no caso da Universidade de São Paulo (USP). No World University Rankings 2026 do Center for World University Rankings (CWUR), divulgado nesta segunda-feira, a instituição ocupa a 119ª posição mundial na classificação geral. Ao analisar o último ranking por áreas — ou by subject — disponibilizado pelo CWUR, porém, o The College encontrou um cenário bastante diferente.

A edição mais recente desse recorte por áreas apresentada no material analisado é de 2017. Nela, a USP aparece em 1º lugar mundial em Odontologia e Zoologia e integra o top 10 em outras seis áreas: Ciência e Tecnologia de Alimentos, Entomologia, Matemática Aplicada, Medicina Legal, Medicina Tropical e Psicologia Biológica.

O resultado não permite afirmar que essas posições permanecem inalteradas em 2026, já que os rankings pertencem a períodos diferentes. Ainda assim, o levantamento ajuda a mostrar como rankings gerais e classificações por área podem oferecer retratos bastante distintos sobre a produção acadêmica de uma universidade.

Odontologia concentra o resultado brasileiro mais expressivo

Entre as áreas analisadas, Odontologia é um dos maiores destaques. A USP aparece em 1º lugar mundial, com pontuação 100,00, à frente da Universidade Harvard, segunda colocada com 93,35.

A presença brasileira não se limita à liderança. A UNESP — Universidade Estadual Paulista ocupa a 4ª posição, com 91,82, enquanto a Universidade de Campinas (Unicamp) aparece em 5º lugar, com 89,82.

Isso significa que três das cinco primeiras instituições do ranking de Odontologia são brasileiras — e todas estão localizadas no estado de São Paulo.

O top 10 ainda reúne Universidade de Berna, Universidade de Hong Kong, Universidade de Michigan, Universidade de Gotemburgo, Universidade de Zurique e Universidade Augusta.

O dado é particularmente relevante porque mostra uma concentração de instituições brasileiras nas primeiras posições que não aparece com a mesma intensidade nos demais campos analisados.

USP e UFRJ ocupam as duas primeiras posições em Zoologia

O outro 1º lugar mundial da USP está em Zoologia. A universidade paulista recebe novamente pontuação 100,00 e ocupa a liderança da classificação.

Neste caso, o Brasil controla as duas primeiras posições: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aparece em 2º lugar, com 91,40.

Na sequência estão a Universidade Nacional Autônoma do México, em 3º, e instituições como Universidade da Flórida, Universidade da Califórnia em Davis, Cornell, Universidade Nacional de Singapura, Cambridge, Universidade Agrícola da China e Oxford.

Entre todos os recortes apresentados no levantamento, Zoologia é o único em que duas universidades brasileiras ocupam, simultaneamente, as duas primeiras posições do ranking mundial.

Da alimentação à matemática, a USP aparece em áreas bastante diferentes

A presença da USP no top 10 não está restrita às ciências da saúde ou biológicas.

Em Ciência e Tecnologia de Alimentos, a universidade ocupa a 6ª posição mundial, com 93,03 pontos. O ranking é liderado pela Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen, dos Países Baixos, seguida pela Universidade Agrícola da China e pela Universidade de Jiangnan.

A USP aparece imediatamente à frente de Cornell, 7ª colocada com 93,00, e da Universidade de Wisconsin–Madison, 8ª, com 92,89.

Em Matemática Aplicada, a instituição brasileira fecha o top 10, com 94,30 pontos. A liderança pertence à Universidade Pierre e Marie Curie, da França, enquanto universidades chinesas ocupam seis das dez posições apresentadas no ranking.

Esse recorte evidencia uma característica importante dos dados: a presença internacional da USP não está concentrada em um único núcleo de conhecimento. A universidade aparece entre as dez melhores em áreas que vão de matemática a alimentos, passando por saúde, psicologia e ciências biológicas.

Ciências biológicas e saúde ampliam a presença no top 10

Em Entomologia, a USP aparece empatada na 9ª posição, com 86,74 pontos, mesma pontuação da Universidade Agrícola de Nanquim. O ranking tem forte presença dos Estados Unidos: oito das instituições apresentadas entre as primeiras posições são americanas, com a Universidade da Flórida na liderança.

Na Psicologia Biológica, a USP ocupa a 6ª posição mundial, com 91,92 pontos. À sua frente aparecem Universidade da Pensilvânia, Instituto Karolinska, Johns Hopkins, Universidade de Cincinnati e Universidade de Maastricht.

A instituição paulista também aparece em dois campos ligados à Medicina. Em Medicina Tropical, ocupa o 9º lugar, com 78,95 pontos, em uma classificação liderada pela London School of Hygiene & Tropical Medicine.

Já em Medicina Legal, a USP aparece empatada em 10º lugar, com 75,02 pontos. A Universidade de Lausanne lidera o ranking, seguida pela Universidade de Adelaide e pela Universidade de Tecnologia de Sydney.

Nos dois casos, a USP é a única instituição brasileira apresentada no top 10 do material.

As oito áreas em que a USP aparece entre as dez melhores

Considerando os rankings por área apresentados pelo CWUR em 2017, a presença da Universidade de São Paulo fica assim:

Área

Posição da USP

Pontuação

Odontologia

100,00

Zoologia

100,00

Ciência e Tecnologia de Alimentos

93,03

Psicologia Biológica

91,92

Entomologia

86,74

Medicina Tropical

78,95

Matemática Aplicada

10º

94,30

Medicina Legal

10º

75,02

Além da USP, três outras universidades brasileiras aparecem em posições de grande destaque nos recortes apresentados: a UFRJ é 2ª em Zoologia, a UNESP é 4ª em Odontologia e a Unicamp ocupa a 5ª posição na mesma área.

Ranking geral e ranking por área medem recortes diferentes

A comparação entre a 119ª posição da USP no World University Rankings 2026 e seus resultados no ranking por áreas exige uma ressalva importante.

Primeiro, os dados não são do mesmo ano. A classificação geral citada é de 2026, enquanto o ranking por áreas utilizado no levantamento é de 2017. Portanto, as posições por disciplina devem ser lidas como um registro daquele levantamento, e não como uma fotografia atual da posição da USP em cada área.

Além disso, rankings gerais e rankings por área partem de recortes diferentes. Segundo o material analisado, a classificação geral do CWUR considera critérios como empregabilidade, pesquisa, qualidade da educação e qualidade do corpo docente. Já o ranking por disciplinas permite observar desempenhos específicos que podem não ter o mesmo peso no resultado agregado de uma universidade.

Por isso, estar fora do top 100 geral não é incompatível com ocupar posições de liderança em campos determinados.

O levantamento também ajuda a colocar em perspectiva comparações com universidades de grande reconhecimento internacional. Em alguns dos recortes apresentados, a USP aparece à frente de instituições como Harvard, Cornell, Oxford, Cambridge e Johns Hopkins. Isso não significa que a universidade brasileira seja superior a essas instituições de forma geral, mas mostra que, dentro da metodologia e das disciplinas específicas avaliadas pelo CWUR naquele período, alcançou posições mais altas.

Metodologia

A análise do The College combina duas bases do Center for World University Rankings (CWUR) apresentadas no material original. Para a classificação geral, foi considerado o World University Rankings 2026, no qual a USP aparece na 119ª posição mundial.

Para os rankings por área, foi utilizado o último levantamento por disciplinas apresentado no material, referente a 2017. Foram analisadas oito áreas nas quais a USP aparece entre as dez primeiras colocadas: Ciência e Tecnologia de Alimentos, Entomologia, Matemática Aplicada, Medicina Legal, Medicina Tropical, Odontologia, Psicologia Biológica e Zoologia.

Os dados de 2017 não devem ser interpretados como posições atuais de 2026. A comparação serve para mostrar que a colocação geral de uma universidade e seu desempenho histórico em áreas específicas podem produzir retratos diferentes de sua presença acadêmica internacional.