A educação apresentada no plano de governo de Lula para um novo mandato combina duas frentes principais: a continuidade de políticas já existentes e uma nova rodada de expansão da oferta pública de ensino.
Entre as dez propostas destacadas pelo The College estão programas em funcionamento, como o Pé-de-Meia, iniciativas voltadas à formação e valorização de professores e ações de conectividade nas escolas. Ao mesmo tempo, o documento propõe ampliar a educação em tempo integral, construir mais creches, expandir Institutos Federais e universidades públicas e criar uma estratégia permanente para recuperar defasagens de aprendizagem.
O plano também estabelece metas mensuráveis. Uma delas é elevar para 80% a parcela de crianças alfabetizadas na idade certa, partindo, segundo o documento, de 66% em 2025. Outra é universalizar a internet de qualidade nas escolas, cobertura que, de acordo com o plano, já alcançaria 75% das unidades.
As propostas apresentadas a seguir foram extraídas do plano de governo registrado pela candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Elas representam compromissos eleitorais e não uma previsão de que as medidas serão necessariamente executadas ou produzirão os resultados descritos.
Expansão da oferta pública atravessa diferentes etapas da educação
Um dos padrões mais claros entre as propostas é a presença da expansão da rede pública em diferentes níveis de ensino.
Na educação infantil, o plano prevê ampliar, por meio da segunda edição do Novo PAC, o fomento a estados e municípios para a construção de creches e escolas de educação infantil, tendo como referência as metas do Plano Nacional de Educação (PNE).
No ensino técnico e profissional, a candidatura propõe concluir a expansão dos Institutos Federais com mais 111 unidades, instaladas em novos campi de 106 municípios. A distribuição prevista prioriza o interior do país, vazios educacionais, periferias urbanas e municípios com pouca oferta de educação técnica.
A mesma lógica aparece no ensino superior. O plano propõe um novo ciclo de expansão e interiorização da educação superior pública, também com o objetivo declarado de enfrentar vazios educacionais e desigualdades regionais.
Além da expansão geral, há projetos específicos mencionados pelo documento: a conclusão das obras e dos novos campi em andamento, a nova unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, a Universidade Indígena e a Universidade do Esporte.
Em conjunto, essas propostas indicam uma estratégia que não se limita ao aumento do número de vagas, mas também coloca a distribuição territorial das instituições entre os objetivos apresentados pela candidatura.
Ensino integral e alfabetização aparecem entre as prioridades da educação básica
Na educação básica, duas propostas se concentram diretamente na ampliação do tempo de permanência na escola e na aprendizagem nos primeiros anos.
O plano afirma que a expansão da educação em tempo integral deverá receber “absoluta prioridade” e passar a ser financiada pelo Fundeb a partir de 2026. A formulação coloca o modelo de jornada ampliada entre os principais eixos apresentados para o próximo mandato.
Na alfabetização, a candidatura propõe manter as ações pactuadas com estados e municípios por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Segundo o próprio plano, 66% das crianças estavam alfabetizadas na idade certa em 2025. A meta apresentada é chegar a 80%.
Os dois pontos atuam em dimensões diferentes. Enquanto a expansão do tempo integral trata da estrutura e da jornada escolar, a meta de alfabetização estabelece um indicador de aprendizagem a ser perseguido. O percentual de 80%, porém, deve ser entendido como uma meta do plano de governo, e não como um resultado já alcançado.
Pé-de-Meia e recomposição da aprendizagem miram permanência e defasagens
Para os estudantes mais velhos, o plano dedica atenção tanto à permanência na escola quanto à recuperação de aprendizagens.
A candidatura propõe dar continuidade e fortalecer o Pé-de-Meia, programa direcionado ao combate à evasão no ensino médio. O plano resume o objetivo afirmando que nenhum jovem em situação de pobreza ou vulnerabilidade social deveria deixar a escola por falta de renda.
Em outra frente, está prevista a criação de uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração das aprendizagens, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.
As duas medidas abordam problemas distintos. O Pé-de-Meia está associado às condições de permanência dos estudantes, enquanto a estratégia de recomposição é direcionada às defasagens de aprendizagem. A presença das duas propostas no mesmo conjunto mostra que o plano trata acesso e permanência como questões paralelas ao desempenho escolar.
Professores ganham um bloco próprio de políticas
A carreira docente também ocupa espaço relevante entre as dez propostas selecionadas. O plano prevê manter o Piso Nacional do Magistério e dar continuidade a duas políticas voltadas à formação e à atração de professores.
Uma delas é o Pé-de-Meia Licenciatura, apresentado como instrumento de incentivo à atratividade dos cursos de licenciatura. A outra é o Bolsa Mais Professores, direcionado à fixação de docentes em diferentes regiões do país e áreas do conhecimento.
Nesse eixo, as propostas percorrem três momentos da trajetória profissional: a entrada na formação docente, a remuneração por meio do piso nacional e a distribuição de professores entre regiões e áreas de conhecimento.
O documento, portanto, não concentra a política docente apenas na remuneração. Formação e fixação de profissionais também aparecem entre as medidas que a candidatura afirma pretender manter.
Conectividade completa o conjunto de metas nacionais
A infraestrutura digital aparece em uma das propostas com objetivo de alcance nacional. O plano pretende universalizar, no próximo mandato, o acesso à internet de qualidade nas escolas.
Segundo o documento, 75% das escolas já estariam cobertas. A proposta é avançar dos atuais níveis apresentados pela candidatura até a universalização.
Assim como ocorre com a alfabetização, há aqui uma referência quantitativa que permite identificar o ponto de partida declarado e o objetivo final. O material, porém, não detalha neste recorte quais critérios técnicos são utilizados para definir “internet de qualidade”, algo relevante ao interpretar o indicador.
As 10 propostas para a educação apresentadas no plano de Lula
1. Tempo integral como “absoluta prioridade”
Dar “absoluta prioridade” à expansão da educação em tempo integral, que passa a ser financiada pelo Fundeb a partir de 2026.
2. Meta de 80% das crianças alfabetizadas na idade certa
Seguir com as ações pactuadas com estados e municípios no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Segundo o plano, 66% das crianças estavam alfabetizadas na idade certa em 2025, com meta de chegar a 80%.
3. Continuidade e reforço do Pé-de-Meia
Dar continuidade e fortalecer o Pé-de-Meia contra a evasão no ensino médio, sob a premissa de que nenhum jovem em situação de pobreza ou vulnerabilidade social deve deixar a escola por falta de renda.
4. Expansão dos Institutos Federais
Concluir a expansão com mais 111 Institutos Federais, com novos campi em 106 municípios, e continuar ampliando a rede com prioridade para o interior, vazios educacionais, periferias urbanas e municípios com pouca oferta técnica.
5. Novo ciclo de expansão do ensino superior público
Abrir um novo ciclo de expansão e interiorização da educação superior pública para superar vazios educacionais e desigualdades regionais.
6. Mais creches pelo Novo PAC
Ampliar, na segunda edição do Novo PAC, o fomento a estados e municípios para creches e escolas de educação infantil, rumo às metas do PNE.
7. Piso do magistério, Pé-de-Meia Licenciatura e Bolsa Mais Professores
Manter o Piso Nacional do Magistério e dar continuidade às medidas de apoio à formação docente, ao Pé-de-Meia Licenciatura, voltado à atratividade das licenciaturas, e ao Bolsa Mais Professores, destinado à fixação de docentes em regiões do país e áreas do conhecimento.
8. Internet de qualidade em todas as escolas
Universalizar no próximo mandato a internet de qualidade nas escolas, que, segundo o plano, já alcança 75% delas.
9. ITA no Ceará, Universidade Indígena e Universidade do Esporte
Dar sequência ao fomento ao ensino superior, concluir obras em curso e novos campi, incluindo a nova unidade do ITA no Ceará, a Universidade Indígena e a Universidade do Esporte.
10. Estratégia nacional de recomposição das aprendizagens
Instituir uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração das aprendizagens, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.
Continuidade e expansão são os dois principais eixos do plano
Consideradas em conjunto, as dez propostas se dividem principalmente entre políticas de continuidade e iniciativas de expansão.
Pé-de-Meia, Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, Piso Nacional do Magistério, Pé-de-Meia Licenciatura e Bolsa Mais Professores aparecem associados à manutenção ou ao fortalecimento de medidas existentes. Já Institutos Federais, ensino superior público, creches e educação integral representam frentes de ampliação da oferta ou da infraestrutura educacional.
Há ainda propostas que estabelecem objetivos nacionais, como alcançar 80% de crianças alfabetizadas na idade certa e universalizar a internet de qualidade nas escolas.
Esse recorte permite identificar as prioridades declaradas pela candidatura, mas não é suficiente, isoladamente, para avaliar viabilidade fiscal, cronogramas de execução, capacidade administrativa ou impacto futuro das medidas. Tampouco permite concluir que os resultados pretendidos serão alcançados apenas pela implementação das políticas propostas.
Metodologia
Esta matéria faz parte de uma série do The College sobre as propostas de educação apresentadas pelos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
As dez propostas foram extraídas diretamente do plano de governo registrado pela candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O The College buscou preservar o conteúdo, a terminologia e o sentido original do documento. Alguns trechos foram resumidos, reorganizados ou adaptados para facilitar a leitura.
Os percentuais de 66% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025 e de 75% das escolas com internet de qualidade, assim como a meta de 80% de alfabetização, são informações apresentadas pelo próprio plano de governo e, neste conteúdo, devem ser lidos dessa forma.
O título “Veja como seria a educação no Brasil se Lula fosse reeleito Presidente da República” é uma chamada editorial. Ele não representa previsão ou garantia de implementação das propostas. Os cenários apresentados partem da hipótese de que os compromissos descritos no plano sejam executados conforme propostos.
O The College não endossa Lula, sua candidatura, partido ou as propostas apresentadas, assim como não endossa os demais candidatos abordados na série. O objetivo é exclusivamente informativo: organizar e contextualizar as principais propostas para a educação para que o público possa conhecê-las e compará-las.
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