A educação ocupa um espaço amplo no plano de governo apresentado por Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições presidenciais de 2026. As propostas registradas pela candidatura abrangem diferentes etapas do sistema educacional e combinam mudanças pedagógicas, novas formas de financiamento, aproximação com o setor produtivo e alterações na gestão do ensino superior. O programa está disponível para consulta na plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne os planos das candidaturas à Presidência. Justiça Eleitoral

Entre as medidas selecionadas pelo The College estão a priorização do método fônico na alfabetização, a remuneração de alunos com bom desempenho para oferecer reforço escolar, a ampliação das escolas cívico-militares e a criação de vouchers quando não houver vagas na rede pública.

No ensino médio, o programa defende maior integração da educação técnica com empresas. No ensino superior, propõe transferir sua governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e substituir o atual modelo de financiamento estudantil por um Empréstimo Contingente à Renda. Campanha Flávio Bolsonaro Presidente 22

As dez propostas reunidas no carrossel mostram uma linha que atravessa boa parte do programa: associar o funcionamento e o financiamento da educação a resultados de aprendizagem e aproximar a formação dos estudantes das demandas do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o plano incorpora propostas relacionadas ao papel das famílias e à orientação pedagógica das escolas.

Alfabetização e aprendizagem aparecem no centro das propostas

Uma das principais mudanças defendidas pelo plano está nos primeiros anos da educação básica. A candidatura propõe priorizar o método fônico de alfabetização, abordagem baseada na associação entre os sons da fala e as letras ou grupos de letras que os representam.

No documento, a candidatura afirma que o método seria uma alternativa às abordagens que, em sua avaliação, “fracassaram por décadas”. A proposta retoma uma orientação adotada durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a Política Nacional de Alfabetização também deu destaque à instrução fônica. A adoção prioritária de uma metodologia, entretanto, é objeto de debate entre especialistas e gestores educacionais, inclusive em relação à autonomia das redes e à combinação de diferentes práticas pedagógicas. Folha de S.Paulo

O foco na aprendizagem também aparece no chamado Programa Acolher. A proposta prevê que estudantes com bom desempenho sejam remunerados para oferecer reforço, presencial ou remoto, a colegas do ensino fundamental que apresentem dificuldades.

Segundo o plano, a intenção é criar uma rede de apoio entre estudantes e evitar a progressão escolar sem aprendizagem adequada. O documento resume essa orientação com a afirmação de que “ninguém avança de série sem ter aprendido”. Campanha Flávio Bolsonaro Presidente 22

Metas de aprendizagem também chegariam ao financiamento

Outra frente do programa envolve a forma como escolas e redes seriam avaliadas e financiadas. O plano propõe uma gestão baseada em indicadores de resultado e proficiência, acompanhada de repasses vinculados a metas de aprendizagem.

A candidatura afirma que esse mecanismo seria aplicado sem abandonar regiões que enfrentam maiores dificuldades. A proposta, portanto, associa uma parcela maior da distribuição de recursos ao desempenho educacional.

Esse princípio não é inteiramente novo no sistema brasileiro. Parte dos mecanismos atuais do Fundeb já considera resultados e critérios relacionados à melhoria da gestão e da aprendizagem. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo sobre o programa, auxiliares da candidatura afirmaram que a intenção seria ampliar essa lógica para o orçamento da educação. Especialistas ouvidos pelo jornal apontaram como questão relevante a necessidade de evitar que mecanismos de desempenho reduzam recursos justamente de redes que concentram maiores dificuldades educacionais. Folha de S.Paulo

A formação docente aparece dentro da mesma lógica. O plano defende qualificação contínua de professores “baseada em evidências científicas” e critica o que chama de “modismos pedagógicos”.

Escola, família e modelo cívico-militar

Outra parte das propostas trata da orientação das escolas. O plano afirma que a educação deve ser voltada ao conhecimento e “livre de doutrinação político-partidária”, com respeito à liberdade de consciência e ao papel das famílias.

A candidatura também propõe ampliar as escolas cívico-militares. No documento, afirma que o modelo reuniu “disciplina e bom desempenho onde foram implantadas”. Essa formulação representa a posição apresentada pelo plano de governo; o carrossel do The College não realiza uma avaliação independente sobre o desempenho do modelo.

As duas medidas fazem parte de uma visão mais ampla explicitada pela candidatura sobre a relação entre escola e família. O programa afirma que a escola deve ensinar o estudante a pensar, enquanto os valores transmitidos às crianças caberiam prioritariamente aos pais. Campanha Flávio Bolsonaro Presidente 22

Vouchers ampliariam alternativas quando não houver vaga pública

O plano também prevê o uso de vouchers educacionais. Quando não houver vaga disponível na rede pública, a proposta é fornecer um voucher para que a família possa matricular o estudante em outra escola.

A ideia de vouchers aparece ainda em outra parte do programa, voltada às creches. A candidatura propõe ampliar a oferta em período integral e recorrer a instituições privadas credenciadas quando a rede pública não conseguir atender à demanda. SBT News

Nesse desenho, o financiamento público acompanharia o estudante em situações específicas de insuficiência de vagas, em vez de depender exclusivamente da expansão direta da rede pública.

Ensino técnico ganharia maior participação das empresas

A conexão entre educação e mercado de trabalho é outro eixo recorrente. Para o ensino médio, Flávio Bolsonaro propõe ampliar a educação técnica em parceria com o setor produtivo.

O plano prevê que empresas possam custear bolsas de formação técnica. A justificativa apresentada pela candidatura é reduzir a distância entre as competências ensinadas e aquelas demandadas no mercado de trabalho. Campanha Flávio Bolsonaro Presidente 22

Essa preocupação também aparece em outras propostas do programa que não integram as dez selecionadas no carrossel, como a inclusão de robótica, inteligência artificial, empreendedorismo e educação financeira na formação dos estudantes. O documento ainda prevê uma Política Nacional de Formação de Talentos voltada, entre outros objetivos, às profissões consideradas estratégicas para o futuro. Politon Data

No ensino superior, proposta altera governança e financiamento

As mudanças mais estruturais apresentadas no recorte do The College aparecem no ensino superior.

A candidatura propõe transferir sua governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, reunindo, segundo o plano, “ciência e ensino superior sob o mesmo teto”. Folha de S.Paulo

Outra mudança envolve o financiamento estudantil. O programa propõe substituir o modelo atual por um Empréstimo Contingente à Renda. Nesse sistema, o estudante começaria a pagar quando estivesse empregado ou tivesse renda, com parcelas proporcionais ao que ganha e prazo de pagamento mais longo.

Segundo a descrição do plano, quem estivesse sem renda após a formação não teria cobrança naquele período. O desenho difere do modelo atual do Fies, no qual há regras próprias de amortização e cobrança. Folha de S.Paulo

As duas propostas mostram como o programa não se limita à educação básica: ele também prevê alterações institucionais e financeiras na forma como o governo federal organiza sua atuação no ensino superior.

As 10 propostas de Flávio Bolsonaro para a educação

As medidas selecionadas pelo The College a partir do plano de governo são:

  1. Alfabetização pelo método fônico: priorizar uma abordagem que ensina a criança a relacionar cada som à sua letra.

  2. Escola “sem doutrinação”: orientar a educação pelo conhecimento e, nos termos do plano, mantê-la “livre de doutrinação político-partidária”, respeitando a liberdade de consciência e o papel das famílias.

  3. Ensino técnico no ensino médio, com o setor produtivo: ampliar a educação técnica em parceria com empresas, inclusive com possibilidade de bolsas de formação custeadas pelo setor produtivo.

  4. Programa Acolher: aluno pago para dar reforço: remunerar estudantes com bom desempenho para ajudar colegas com dificuldades no ensino fundamental, presencialmente ou de forma remota.

  5. Verba vinculada a metas de aprendizagem: adotar gestão baseada em indicadores de resultado e proficiência, com orçamento por resultados e repasses vinculados a metas.

  6. Mais escolas cívico-militares: ampliar o modelo de escolas cívico-militares.

  7. Voucher educacional onde faltar vaga pública: fornecer voucher para que famílias possam matricular os filhos em outra escola quando não houver vaga disponível na rede pública.

  8. Formação de professores “baseada em evidências”: promover qualificação contínua baseada em evidências científicas, segundo os critérios apresentados pelo programa.

  9. Ensino superior sob o Ministério da Ciência e Tecnologia: transferir a governança do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

  10. Empréstimo Contingente à Renda no lugar do financiamento atual: criar um sistema no qual o pagamento ocorra quando o estudante tiver renda, com parcelas proporcionais aos rendimentos e prazo mais longo. Campanha Flávio Bolsonaro Presidente 22

O que o conjunto das propostas permite observar

Consideradas em conjunto, as dez medidas concentram-se em três frentes: aprendizagem e gestão por resultados na educação básica; maior aproximação entre educação e mercado de trabalho; e mudanças na organização e no financiamento do ensino superior.

Também há propostas que recuperam temas presentes no governo de Jair Bolsonaro, como a priorização do método fônico, a defesa de escolas sem o que o programa denomina “doutrinação político-partidária” e a expansão do modelo cívico-militar. Ao mesmo tempo, o programa de Flávio Bolsonaro apresenta iniciativas específicas, como o Programa Acolher e o Empréstimo Contingente à Renda. Folha de S.Paulo

A existência de uma proposta em um plano de governo, porém, não significa que ela necessariamente seria implementada nos termos apresentados. Medidas envolvendo financiamento, competências de ministérios, redes estaduais e municipais ou alterações legais podem depender de regulamentação, disponibilidade orçamentária, articulação federativa e, conforme o caso, aprovação do Congresso.

Por isso, o título desta matéria — assim como o do carrossel — deve ser entendido como uma chamada editorial. O conteúdo descreve um cenário hipotético no qual as propostas fossem implementadas conforme apresentadas pela candidatura, e não uma previsão sobre o que necessariamente ocorreria em um eventual governo.

Metodologia

Esta matéria integra uma série do The College sobre as propostas para educação apresentadas por candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.

As dez medidas foram compiladas pelo The College a partir do plano de governo da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O TSE informa que os programas disponíveis em sua plataforma correspondem às propostas apresentadas pelas candidaturas conforme a legislação eleitoral e disponibilizadas no Sistema DivulgaCandContas. Justiça Eleitoral

O conteúdo busca preservar a terminologia e o sentido das propostas originais. Trechos foram resumidos ou reorganizados para facilitar a leitura. Expressões entre aspas, como “sem doutrinação”, “baseada em evidências” e outras formulações valorativas utilizadas ao longo do texto, refletem a linguagem adotada pela própria candidatura e não uma avaliação editorial do The College.

O objetivo da série é apresentar e contextualizar as propostas educacionais das candidaturas, sem endosso a candidatos, partidos ou medidas específicas.