A educação ocupa espaço central no programa de governo de Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. O documento registrado pela candidatura reúne cerca de 200 páginas e organiza suas diretrizes em 18 projetos e 20 teses, segundo levantamento da Agência Brasil. Entre as prioridades apresentadas, a educação em tempo integral aparece como um dos principais eixos estratégicos.

Dentro desse conjunto, o plano combina temas tradicionalmente presentes no debate educacional — como valorização de professores, expansão do ensino técnico e mudanças no ensino médio — com propostas diretamente associadas à trajetória profissional de Cury, especialmente gestão da emoção, saúde mental e neuroinclusão.

As dez propostas selecionadas nesta matéria foram extraídas do plano de governo da candidatura e fazem parte de uma série do The College sobre as propostas para educação apresentadas pelos candidatos à Presidência em 2026.

Saúde emocional entra no centro da política educacional

Uma das características mais presentes nas propostas de Cury é a tentativa de incorporar a dimensão emocional à rotina escolar.

O candidato propõe a implantação de programas permanentes de gestão da emoção e prevenção de ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência escolar. O modelo prevê formação de professores, gestores, alunos e famílias e atribui à escola funções de acolhimento, identificação de sinais e encaminhamento.

A gestão da emoção também aparece na proposta curricular. Ao lado das disciplinas tradicionais, o plano pretende estabelecer três pilares: Gestão da Emoção, Educação Financeira e Empreendedorismo. Para o ensino médio, acrescenta inovação, inteligência artificial, tecnologia aplicada, desenvolvimento de projetos e liderança.

A presença desses temas mostra que, no desenho apresentado pela candidatura, a formação escolar não ficaria restrita ao domínio das disciplinas convencionais. O programa procura incorporar competências socioemocionais, financeiras e relacionadas ao mundo do trabalho à experiência dos estudantes.

Tempo integral seria pensado como “clube de desenvolvimento humano”

A ampliação da jornada escolar aparece acompanhada de uma proposta sobre o que fazer durante esse período adicional.

Cury apresenta a escola em tempo integral como um “clube de desenvolvimento humano”, com espaços dedicados a oratória e debates, teatro, música, esportes, eventos culturais e convivência. A prioridade dada ao ensino integral também aparece em análises independentes do programa de governo.

O conceito sugere uma escola cuja jornada ampliada envolveria atividades além da grade acadêmica convencional. No entanto, a proposta apresentada no material não detalha, por exemplo, cronograma nacional de expansão, número de escolas que seriam contempladas ou estimativa de investimento necessária para universalizar ou ampliar significativamente esse modelo.

Essa distinção é importante: planos de governo apresentam diretrizes e compromissos de candidatura, mas sua implementação dependeria posteriormente de orçamento, regulamentação, articulação federativa e, em determinados casos, aprovação legislativa.

Neuroinclusão aparece em diferentes frentes

Outro eixo recorrente é a inclusão de estudantes neurodivergentes.

O chamado Projeto Brasil Neuroinclusivo é apresentado como uma política permanente de Estado para acolher alunos com autismo, TDAH, dislexia, transtornos de aprendizagem e altas habilidades. A intenção descrita no plano é levar progressivamente essa política a todas as redes públicas de educação básica, acompanhando indicadores relacionados a evasão, bullying e exclusão. A proposta é tratada como um dos 18 projetos que estruturam o programa de governo.

Há ainda duas medidas diretamente relacionadas ao tema.

A primeira é a construção de um Mapa Nacional da Neurodiversidade. A proposta prevê aperfeiçoar, em conjunto com IBGE, Ministério da Educação e Ministério da Saúde, levantamentos nacionais sobre TEA, TDAH, dislexia, altas habilidades, evasão, bullying e necessidade de profissionais de apoio. Segundo o plano, os dados seriam anonimizados e o tratamento das informações deveria respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A segunda é a criação de um Plano de Inclusão e Desenvolvimento em cada escola, com adaptações pedagógicas de acordo com as necessidades dos estudantes. Nesse desenho, a escola regular continuaria como espaço central, enquanto o atendimento especializado teria caráter complementar.

Em conjunto, as três medidas indicam que a neuroinclusão não aparece como uma ação isolada no programa, mas como um eixo que envolveria levantamento de dados, planejamento dentro das escolas e mudanças no atendimento aos estudantes.

Ensino médio ganharia maior conexão com formação técnica e trabalho

No ensino médio, a candidatura propõe ampliar “significativamente” o ensino técnico integrado.

O plano descreve uma mudança de enfoque: essa etapa deixaria de ser vista apenas como preparação para o vestibular e passaria a incorporar de forma mais intensa formação técnica, preparação para o trabalho e desenvolvimento de projetos de futuro.

A proposta dialoga com outro componente curricular apresentado pelo candidato: a introdução de empreendedorismo, inovação, inteligência artificial, tecnologia aplicada, projetos e liderança durante essa fase da educação.

O programa, portanto, combina dois movimentos: ampliar a formação profissional dentro do ensino médio e incorporar competências que a candidatura associa às transformações tecnológicas e ao mercado de trabalho.

Professores teriam formação continuada e remuneração ligada também à qualificação

A valorização docente constitui outro ponto da agenda educacional.

Cury propõe investir em formação continuada, melhorar as condições de trabalho e criar uma remuneração “baseada também em qualificação”, além de estabelecer incentivos permanentes ao aperfeiçoamento dos professores.

O material apresentado não define, porém, uma fórmula salarial específica nem estabelece quanto da remuneração dependeria da qualificação. Assim, a proposta funciona principalmente como uma diretriz para a política de carreira docente.

Essa ressalva é relevante porque a educação básica brasileira envolve redes municipais, estaduais e federal, com diferentes estruturas de carreira e remuneração. Transformar uma diretriz nacional em política efetiva dependeria do desenho adotado para cada sistema de ensino.

Universidades seriam aproximadas de startups, pesquisa aplicada e empreendedorismo

As propostas também alcançam o ensino superior.

O programa pretende transformar campi universitários em ambientes de inovação, reunindo incubadoras, laboratórios tecnológicos, centros de pesquisa aplicada, empreendedorismo universitário e incentivos à criação de startups.

O documento também associa essa transformação à geração de patentes e à aproximação entre conhecimento científico e setor produtivo. A proposta é que universidades atuem não apenas na formação profissional e na pesquisa acadêmica, mas também como ecossistemas de inovação.

Dentro das dez propostas selecionadas pelo The College, esse é o principal eixo direcionado especificamente ao ensino superior.

Cooperativismo também entraria na educação

A décima proposta selecionada prevê incorporar o ensino do cooperativismo como instrumento de cidadania e desenvolvimento econômico.

A candidatura propõe um programa nacional de educação cooperativista que alcance escolas, universidades e cursos técnicos. Diferentemente de outras medidas concentradas em determinada etapa de ensino, essa proposta atravessaria diferentes níveis da formação educacional.

Assim como ocorre em outros pontos do programa, o material apresentado estabelece a orientação geral da política, mas não detalha carga horária, formato curricular ou cronograma de implementação.

As 10 propostas de Augusto Cury para a educação

1. Gestão da emoção e prevenção nas escolas
Implantar programas permanentes de gestão da emoção e prevenção de ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência escolar, com formação de professores, gestores, alunos e famílias.

2. Tempo integral como “clube de desenvolvimento humano”
Estruturar escolas de tempo integral com espaços de oratória e debates, teatro, música, esportes, eventos culturais e convivência.

3. Gestão da emoção, educação financeira e empreendedorismo no currículo
Incluir esses três pilares ao lado das disciplinas tradicionais. No ensino médio, acrescentar inovação, inteligência artificial, tecnologia aplicada, desenvolvimento de projetos e liderança.

4. Projeto Brasil Neuroinclusivo
Criar uma política permanente de Estado para acolher estudantes neurodivergentes, incluindo autismo, TDAH, dislexia, transtornos de aprendizagem e altas habilidades, com expansão progressiva para as redes públicas de educação básica.

5. Ensino médio técnico e voltado ao trabalho
Ampliar significativamente o ensino técnico integrado ao ensino médio, combinando formação acadêmica, preparação profissional e construção de projetos de futuro.

6. Professores valorizados e remunerados também por qualificação
Investir em formação continuada, melhores condições de trabalho, remuneração baseada também em qualificação e incentivo permanente ao aperfeiçoamento docente.

7. Universidades de inovação: startups, incubadoras e laboratórios
Transformar campi em ambientes de inovação, com incubadoras, laboratórios tecnológicos, centros de pesquisa aplicada, empreendedorismo universitário e incentivo à criação de startups.

8. Mapa Nacional da Neurodiversidade
Aperfeiçoar, com IBGE, MEC e Ministério da Saúde, levantamentos nacionais sobre TEA, TDAH, dislexia, altas habilidades, evasão, bullying e demanda por profissionais de apoio, utilizando dados anonimizados e respeitando a LGPD.

9. Plano de Inclusão em cada escola
Estabelecer um Plano de Inclusão e Desenvolvimento por unidade escolar, com adaptações pedagógicas conforme as necessidades do estudante e atendimento especializado complementar à escola regular.

10. Cooperativismo ensinado nas escolas
Criar um programa nacional de educação cooperativista em escolas, universidades e cursos técnicos, tratando o cooperativismo como instrumento de cidadania e desenvolvimento econômico.

O que as propostas permitem observar

Entre as dez medidas selecionadas, três temas aparecem de forma particularmente recorrente: desenvolvimento emocional, neuroinclusão e aproximação da educação com competências profissionais e econômicas.

A gestão da emoção aparece tanto como política de prevenção quanto como conteúdo curricular. A neurodiversidade, por sua vez, está presente em uma política nacional, na produção de dados e no planejamento individual das escolas. Já a relação com o mercado de trabalho aparece no ensino técnico, no empreendedorismo, na educação financeira, na inovação universitária e no cooperativismo.

Essa recorrência ajuda a identificar as prioridades do programa, mas não permite concluir quais medidas produziriam melhores resultados educacionais. Também há diferenças importantes entre anunciar uma diretriz nacional e implementá-la em um sistema educacional dividido entre União, estados e municípios.

Metodologia

Esta matéria faz parte de uma série do The College que apresenta dez propostas para a educação de cada candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.

As propostas foram extraídas do plano de governo registrado pela candidatura de Augusto Cury. O The College buscou preservar o conteúdo, a terminologia e o sentido das medidas apresentadas no documento. Trechos podem ter sido resumidos ou reorganizados para facilitar a leitura, sem intenção de alterar o significado das propostas.

O título “Veja como seria a educação no Brasil se Augusto Cury fosse eleito Presidente da República” é uma chamada editorial e não constitui previsão ou garantia de implementação. O cenário apresentado parte da hipótese de que as propostas sejam executadas conforme descritas no programa de governo. A existência de uma proposta no plano também não significa que sua implementação dependeria exclusivamente da Presidência da República: determinadas medidas podem exigir recursos orçamentários, regulamentação, participação de estados e municípios ou aprovação do Congresso Nacional.

As imagens utilizadas no carrossel original foram geradas por inteligência artificial e têm caráter exclusivamente ilustrativo. O direcionamento dado à IA buscou representar visualmente, de maneira hipotética, como determinadas propostas poderiam ser retratadas caso fossem implementadas.

O The College não endossa Augusto Cury, o Avante ou qualquer uma das propostas apresentadas nesta matéria. A série tem caráter exclusivamente informativo e busca permitir que o público conheça e compare as propostas das candidaturas para a educação brasileira.