A liderança latino-americana no QS World University Rankings mudou novamente. Na edição de 2027, que reflete o ciclo acadêmico mais recente de 2026, a Universidade de Buenos Aires (UBA) aparece como a instituição mais bem posicionada da região, ocupando o 84º lugar no ranking global.

A Universidade de São Paulo (USP), por sua vez, aparece na 133ª posição mundial e ocupa o terceiro lugar entre as universidades latino-americanas. Entre as duas está a Pontificia Universidad Católica de Chile, em 119º lugar no mundo.

O resultado representa mais um recuo da USP no ranking global pelo segundo ano consecutivo. Na edição anterior, a universidade brasileira já havia perdido a liderança regional para a PUC Chile. Agora, com o avanço da UBA, passa a ocupar a terceira posição na América Latina.

Ainda assim, o recorte regional mostra que o Brasil mantém presença relevante entre as instituições mais bem avaliadas. Seis universidades brasileiras estão entre as 20 melhores da América Latina: USP, Unicamp, UFRJ, UNESP, UFMG e PUC-Rio.

UBA assume a liderança regional e entra no top 100 mundial

A principal mudança no topo latino-americano está na Universidade de Buenos Aires. Com nota 72,3, a instituição argentina aparece em 84º lugar no mundo e assume a primeira colocação regional.

A PUC Chile vem na sequência, com nota 65,6 e 119ª posição global. Já a USP registra nota 64,1 e ocupa o 133º lugar.

A diferença entre a primeira e a terceira colocadas da América Latina é de 49 posições no ranking mundial. Entre UBA e PUC Chile, são 35 colocações de distância, enquanto apenas 14 posições separam a universidade chilena da USP.

O resultado também mostra que a liderança regional não está concentrada em um único país. Argentina, Chile e Brasil ocupam, respectivamente, as três primeiras posições, enquanto México, Colômbia e Peru também aparecem no top 10 latino-americano.

USP segue como a melhor brasileira, mas Unicamp também entra no top 10

Mesmo com a queda no ranking global, a USP permanece como a universidade brasileira mais bem posicionada no levantamento da QS.

A segunda representante do país no ranking regional é a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que aparece em oitavo lugar na América Latina e em 277º no mundo, com nota 47,9.

Entre USP e Unicamp há uma diferença de 144 posições na classificação global. O intervalo ajuda a dimensionar a vantagem da USP dentro do recorte brasileiro, embora o ranking não deva ser interpretado como uma medida absoluta de qualidade acadêmica.

Depois da Unicamp, as demais brasileiras aparecem a partir da 11ª posição regional. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ocupa o 11º lugar na América Latina e o 367º no mundo. A UNESP está em 15º na região e 513º globalmente, enquanto UFMG e PUC-Rio aparecem em 19º e 20º, respectivamente.

Brasil tem seis universidades entre as 20 melhores da América Latina

Embora nenhuma instituição brasileira lidere a região nesta edição, o país é o que possui o maior número de universidades dentro do recorte apresentado pelo The College: seis entre as 20 primeiras.

Além de USP e Unicamp, aparecem UFRJ, UNESP, UFMG e PUC-Rio. A distribuição também mostra uma forte presença de instituições públicas: cinco das seis brasileiras listadas são universidades públicas.

A presença brasileira se torna mais concentrada a partir da segunda metade do ranking. Entre as dez primeiras da América Latina, o Brasil conta com duas instituições. Entre a 11ª e a 20ª posição, aparecem outras quatro.

Argentina e Chile também têm presença relevante. A Argentina ocupa a liderança com a UBA e ainda aparece com a Universidad Nacional de La Plata, a Pontificia Universidad Católica Argentina e a Universidad Austral. O Chile reúne a PUC Chile, a Universidad de Chile e a Universidad de Santiago de Chile.

México, Colômbia, Costa Rica e Peru completam o grupo das 20 melhores.

As 20 melhores universidades da América Latina no QS 2027

O ranking regional abaixo considera a posição de cada instituição no QS World University Rankings 2027, acompanhada de sua colocação global e da nota apresentada no levantamento:

  1. Universidade de Buenos Aires (UBA) — Argentina — 84º no mundo — nota 72,3

  2. Pontificia Universidad Católica de Chile (UC) — Chile — 119º — 65,6

  3. Universidade de São Paulo (USP) — Brasil — 133º — 64,1

  4. Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) — México — 145º — 62,3

  5. Universidad de Chile — Chile — 185º — 57,1

  6. Tecnológico de Monterrey — México — 188º — 57,0

  7. Universidad de los Andes — Colômbia — 233º — 52,8

  8. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — Brasil — 277º — 47,9

  9. Universidad Nacional de Colombia — Colômbia — 293º — 46,4

  10. Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP) — Peru — 357º — 41,4

  11. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — Brasil — 367º — 40,8

  12. Pontificia Universidad Javeriana — Colômbia — 395º — 38,5

  13. Universidade da Costa Rica — Costa Rica — 463º — 34,1

  14. Universidad Nacional de La Plata (UNLP) — Argentina — 474º — 33,5

  15. UNESP — Universidade Estadual Paulista — Brasil — 513º — 32,0

  16. Pontificia Universidad Católica Argentina — Argentina — 530º — 30,9

  17. Universidad Austral — Argentina — 530º — 30,9

  18. Universidad de Santiago de Chile (USACH) — Chile — 551º — 29,8

  19. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — Brasil — 600º — 28,3

  20. PUC do Rio de Janeiro — Brasil — 620º — 27,8

O que a mudança de posições permite observar

A edição de 2027 reforça que a disputa pelas primeiras posições da América Latina está distribuída entre diferentes sistemas universitários. Argentina, Chile e Brasil ocupam o pódio, e seis países estão representados entre as dez primeiras instituições.

Para o Brasil, há dois movimentos simultâneos. De um lado, a USP perde posições globalmente e deixa de ocupar a liderança regional. De outro, o país continua com uma presença numericamente forte entre as instituições de maior destaque da América Latina.

Esse contraste é importante porque rankings internacionais medem dimensões específicas do desempenho universitário. A posição de uma instituição pode variar de acordo com os critérios e pesos utilizados por cada levantamento, sem que isso permita concluir, isoladamente, que uma universidade se tornou objetivamente “melhor” ou “pior” em todas as dimensões acadêmicas.

No caso da USP, portanto, a terceira posição regional mostra uma mudança relevante dentro da metodologia da QS, mas não deve ser interpretada como uma avaliação definitiva da qualidade da universidade em comparação com UBA ou PUC Chile.

Metodologia

Os dados utilizados nesta matéria têm como fonte o QS World University Rankings 2027. O levantamento utiliza indicadores próprios para comparar universidades internacionalmente, incluindo critérios relacionados a reputação acadêmica, reputação entre empregadores, citações por docente, proporção entre professores e alunos, internacionalização, além de outros indicadores considerados pela metodologia da QS.

Para este conteúdo, o The College organizou as instituições latino-americanas de acordo com suas posições no ranking mundial e apresentou as 20 mais bem colocadas da região.

Como ocorre com outros rankings universitários, os resultados devem ser interpretados dentro dos critérios adotados pela própria metodologia. A classificação não representa uma medida absoluta da qualidade de uma universidade nem contempla, necessariamente, todas as diferenças entre cursos, áreas de pesquisa, experiências acadêmicas ou objetivos individuais dos estudantes.