As Eleições de 2026 levaram às urnas candidatos com trajetórias acadêmicas bastante diferentes. Entre alguns dos deputados federais e estaduais de maior votação reunidos pelo The College, há formados em Direito, Ciência Política, Letras, Jornalismo, Gestão Pública e Relações Internacionais, além de políticos que passaram pelo ensino superior sem concluir a graduação.

O recorte também reúne votações de dimensões pouco usuais. Nikolas Ferreira (PL-MG) foi reeleito deputado federal com 3.119.318 votos, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) recebeu 3.038.438. Os dois ultrapassaram a marca de 3 milhões de votos, algo inédito na história das eleições para a Câmara dos Deputados. Portal da Câmara dos Deputados

Em São Paulo, Pavanato liderou a votação para deputado federal, seguido por Erika Hilton (PSOL), com 1.596.472 votos. Já na disputa estadual, Eduarda Campopiano (PL) recebeu 1.956.238 votos e terminou como a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa paulista. Portal da Câmara dos Deputados

O levantamento realizado pelo The College parte dessas votações para olhar para outro aspecto dos eleitos: onde e o que eles estudaram antes de chegar — ou retornar — ao Legislativo.

Direito é a formação mais recorrente entre os nomes analisados

Não existe um único perfil acadêmico entre os políticos do levantamento, mas uma área aparece com maior frequência: Direito.

Nikolas Ferreira concluiu o bacharelado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), em 2022. Julia Zanatta (PL-SC) também possui formação jurídica, concluída em 2018 pela Faculdade CESUSC, além de ser formada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

Kim Kataguiri (Missão-SP), por sua vez, concluiu o bacharelado em Direito pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) em 2023, depois de ter iniciado uma graduação em Economia na Universidade Federal do ABC (UFABC), que não concluiu.

Jeffrey Chiquini (Novo-PR) é outro bacharel em Direito, formado pela Faculdade Opet em 2012. Ana Elisa (PT-MG), diferentemente dos demais, aparece no levantamento ainda cursando Direito, em instituição não divulgada.

Assim, considerando cursos concluídos e em andamento, Direito aparece na trajetória de cinco dos 12 nomes apresentados no levantamento. O dado mostra uma concentração da área dentro desse recorte, mas não permite estabelecer qualquer relação causal entre formação jurídica e desempenho eleitoral.

Ciência Política também aparece, mas por caminhos diferentes

A política não surge apenas como profissão entre os eleitos. Ela também aparece como objeto de formação acadêmica.

André Fernandes (PL-CE), que recebeu 684.372 votos, concluiu dois bacharelados: Ciência Política pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER), em 2021, e Relações Internacionais pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), em 2023.

Tabata Amaral (PSB-SP), eleita com 476.383 votos, seguiu uma trajetória bastante diferente. Em 2016, concluiu simultaneamente os bacharelados em Ciência Política, na área de Government, e Astrofísica pela Harvard University.

Já Eduarda Campopiano cursou Ciências Políticas em instituição de ensino não divulgada, mas não concluiu a formação.

Os três casos mostram como uma mesma área pode aparecer em trajetórias acadêmicas distintas: como graduação concluída no Brasil, como parte de uma formação interdisciplinar no exterior ou como curso iniciado e interrompido.

USP, Harvard e universidades privadas dividem espaço no levantamento

Entre os nomes analisados, não há uma instituição que domine a lista. Na prática, as trajetórias estão distribuídas entre universidades públicas, privadas e uma instituição estrangeira.

Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que recebeu 583.107 votos, é bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), formação concluída em 2014.

Tabata Amaral é a única do grupo com graduação apresentada no levantamento realizada fora do Brasil, pela Harvard University.

Outros nomes passaram por instituições privadas brasileiras. Além de PUC Minas, UNINTER, Estácio, Unisul, CESUSC, IDP e Opet, o levantamento registra a Anhanguera na trajetória de Bruno Engler (PL-MG), que concluiu graduação em Gestão Pública em 2024.

Há ainda casos em que a instituição de ensino não foi divulgada. Lucas Pavanato, que concluiu bacharelado em Administração de Empresas em 2022, e Ana Elisa, que cursa Direito, estão nessa situação.

Essa diversidade impede apontar uma “faculdade dos eleitos”. Mesmo entre alguns dos candidatos com votações mais expressivas do país, as instituições e áreas de estudo são bastante dispersas.

Nem todos concluíram uma graduação

Outro aspecto do levantamento é que estar entre os candidatos mais votados não significa necessariamente ter concluído o ensino superior.

Erika Hilton, eleita deputada federal por São Paulo com 1.596.472 votos, cursou Pedagogia e Gerontologia na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mas não concluiu os cursos.

Eduarda Campopiano também iniciou o ensino superior sem completar a formação apresentada no levantamento, enquanto Ana Elisa aparece como estudante de Direito.

Kim Kataguiri representa um caso diferente: iniciou Economia na UFABC e não terminou o curso, mas posteriormente concluiu Direito pelo IDP.

As trajetórias reforçam que o levantamento deve ser entendido como um retrato da formação acadêmica dos políticos analisados, e não como uma medida de qualificação para o exercício do mandato. Escolaridade, número de diplomas ou prestígio da instituição não determinam, isoladamente, capacidade política ou desempenho parlamentar.

A lista completa dos eleitos e suas formações

1. Nikolas Ferreira (PL-MG) — 3.119.318 votos
Bacharelado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), concluído em 2022.

2. Lucas Pavanato (PL-SP) — 3.038.438 votos
Bacharelado em Administração de Empresas, concluído em 2022. A instituição de ensino não foi divulgada.

3. Eduarda Campopiano (PL-SP) — 1.956.238 votos
Cursou Ciências Políticas em instituição de ensino não divulgada. Não concluiu a graduação.

4. Erika Hilton (PSOL-SP) — 1.596.472 votos
Cursou Pedagogia e Gerontologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a partir de 2012. Não concluiu os cursos.

5. André Fernandes (PL-CE) — 684.372 votos
Bacharelado em Ciência Política pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER), concluído em 2021, e bacharelado em Relações Internacionais pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), concluído em 2023.

6. Bruno Engler (PL-MG) — 675.932 votos
Graduação em Gestão Pública pela Anhanguera, concluída em 2024.

7. Sâmia Bomfim (PSOL-SP) — 583.107 votos
Bacharelado em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), concluído em 2014.

8. Julia Zanatta (PL-SC) — 560.223 votos
Bacharelado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), concluído em 2008, e bacharelado em Direito pela Faculdade CESUSC, concluído em 2018.

9. Ana Elisa (PT-MG) — 524.219 votos
Cursando Direito em instituição não divulgada em 2026.

10. Kim Kataguiri (Missão-SP) — 520.071 votos
Iniciou graduação em Economia pela Universidade Federal do ABC (UFABC) em 2014, mas não concluiu. Em 2023, concluiu o bacharelado em Direito pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).

11. Tabata Amaral (PSB-SP) — 476.383 votos
Bacharelado em Ciência Política (Government) e Astrofísica pela Harvard University, concluídos em 2016.

12. Jeffrey Chiquini (Novo-PR) — 425.399 votos
Bacharelado em Direito pela Faculdade Opet, concluído em 2012.

O que as trajetórias acadêmicas mostram — e o que não mostram

Dentro do recorte analisado pelo The College, algumas características ficam evidentes. Direito é a área mais recorrente, mas está longe de ser a única. Ciência Política aparece em três trajetórias, considerando formações concluídas e não concluídas, enquanto Administração, Gestão Pública, Letras, Jornalismo, Relações Internacionais, Economia, Pedagogia, Gerontologia e Astrofísica ampliam o conjunto.

Também chama atenção a ausência de concentração em uma única instituição. Há universidades públicas brasileiras, instituições privadas de diferentes estados e uma universidade estrangeira. Alguns políticos possuem duas graduações concluídas; outros não terminaram os cursos que iniciaram.

O recorte acadêmico, portanto, revela mais diversidade do que uniformidade. Ele ajuda a entender parte da trajetória pessoal dos eleitos, mas não permite concluir que determinada faculdade ou curso esteja associado a maior votação. O resultado eleitoral depende de uma combinação muito mais ampla de fatores políticos, partidários, regionais e eleitorais que não são medidos por este levantamento.

Metodologia

O levantamento realizado pelo The College reúne a formação acadêmica de 12 deputados federais e estaduais de votação expressiva nas Eleições de 2026, conforme o recorte apresentado no carrossel. A lista não representa todos os deputados eleitos no país nem deve ser interpretada como um ranking nacional único que misture diretamente as disputas federal e estaduais.

Foram considerados cursos de graduação concluídos, em andamento ou não concluídos informados no material, com indicação da instituição e do ano quando essas informações estavam disponíveis. Quando a instituição não foi identificada, a informação foi mantida como “não divulgada”, sem inferências.

Os números de votos reproduzem os dados apresentados no levantamento do The College. Resultados publicados após a apuração confirmam, entre outros, os 3.119.318 votos de Nikolas Ferreira, os 3.038.438 de Lucas Pavanato e os 1.956.238 de Eduarda Campopiano. CNN Brasil