A formação acadêmica não é requisito para exercer um mandato no Senado Federal. Ainda assim, observar o percurso educacional de algumas das figuras mais conhecidas da Casa ajuda a traçar um retrato das áreas de conhecimento, instituições e tipos de qualificação presentes entre políticos que ocupam posições relevantes no debate público brasileiro.
Um levantamento realizado pelo The College analisou a formação de 17 senadores em 2026. O recorte considera parlamentares com grande exposição nacional, forte presença nas redes sociais, alto volume de votos em eleições recentes, cargos de liderança ou trajetória política consolidada.
A amostra está longe de ser homogênea. Há bacharéis em Direito, Medicina, Engenharia, Economia, História, Pedagogia e Educação Física, além de formações militares e aeronáuticas. Entre os nomes analisados, também aparecem três senadores que não possuem ensino superior completo.
Apesar dessa diversidade, um curso se destaca com clareza: Direito aparece na trajetória acadêmica de oito dos 17 parlamentares.
Direito aparece em quase metade das trajetórias analisadas
A presença do Direito é o padrão mais evidente do levantamento. Sergio Moro, Rodrigo Pacheco, Soraya Thronicke, Ciro Nogueira, Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro concluíram a graduação na área. Randolfe Rodrigues e Damares Alves também possuem formação jurídica, embora tenham cursado anteriormente História e Pedagogia, respectivamente.
Isso significa que oito dos 17 nomes analisados tiveram alguma graduação em Direito — praticamente metade da amostra.
As instituições, porém, são variadas. Sergio Moro formou-se em 1995 pela Universidade Estadual de Maringá. Rodrigo Pacheco concluiu o curso em 2000 na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Ciro Nogueira graduou-se em 1992 pela PUC-Rio, enquanto Renan Calheiros é formado desde 1982 pela Universidade Federal de Alagoas.
Soraya Thronicke concluiu Direito em 2002 pela UNAES Faculdade de Campo Grande. Flávio Bolsonaro formou-se em 2005 pela Universidade Cândido Mendes. Damares Alves concluiu sua segunda graduação, em Direito, em 1994, pela Faculdade de Direito de São Carlos (Fadisc), e Randolfe Rodrigues terminou o curso em 2008 pela Faculdade SEAMA.
A concentração não significa que uma formação jurídica determine uma trajetória política. O dado mostra apenas que, dentro deste recorte de senadores com elevada exposição pública, o Direito aparece com frequência significativamente maior do que qualquer outra graduação.
Pós-graduações ampliam a diversidade das formações
A graduação conta apenas uma parte da história acadêmica da amostra. Oito dos 17 senadores apresentados possuem especialização, MBA, mestrado, doutorado ou outra formação complementar registrada no levantamento.
Sergio Moro apresenta uma das trajetórias acadêmicas mais extensas. Depois de se formar em Direito, participou, em 1998, do Program of Instruction for Lawyers da Harvard Law School. Em 2000, concluiu mestrado em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná e, em 2002, doutorado na mesma área e instituição.
Soraya Thronicke também concentrou sua formação complementar no Direito. Fez MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getulio Vargas em 2006, pós-graduação em Direito Tributário pela Faculdade de Direito Professor Damásio de Jesus em 2009 e, dois anos depois, pós-graduação em Direito de Família e Sucessões pela mesma instituição.
Rodrigo Pacheco, por sua vez, concluiu em 2003 uma especialização em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).
Flávio Bolsonaro complementou a graduação com pós-graduação em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2008; especialização em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), em 2010; e especialização em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas, em 2012.
Medicina, Engenharia e formações militares aparecem fora do eixo jurídico
O levantamento também reúne trajetórias bastante distintas do padrão predominante.
Humberto Costa formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco em 1980 e seguiu acumulando qualificações na área: pós-graduação em Medicina Geral Comunitária pela UFPE em 1982, pós-graduação em Clínica Médica pela Fundação de Ensino Superior de Pernambuco em 1984 e pós-graduação em Psiquiatria pela UFPE em 1986.
Sua trajetória acadêmica ainda inclui uma segunda graduação, em Jornalismo, concluída em 1988 pela Universidade Católica de Pernambuco, e uma especialização em Ciência Política pela UFPE em 1990.
Cid Gomes é bacharel em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará desde 1986. Renan Filho concluiu Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília em 2003. Romário graduou-se em Educação Física pela Universidade Castelo Branco, no Rio de Janeiro, em 2010.
Randolfe Rodrigues também possui formação fora do Direito: concluiu bacharelado e licenciatura em História pela Universidade Federal do Amapá em 1996. Depois da segunda graduação em Direito, fez mestrado em Políticas Públicas e Sociedade pela Universidade Estadual do Ceará em 2013 e MBA em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Getulio Vargas em 2016.
Damares Alves, antes de concluir Direito, formou-se em Pedagogia pela Faculdade Pio Décimo, em Aracaju, em 1988.
Mourão e Marcos Pontes têm trajetórias acadêmicas ligadas às Forças Armadas
Duas formações se diferenciam das demais por estarem diretamente relacionadas à carreira militar.
Hamilton Mourão concluiu Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1975. Em 1994, obteve mestrado em Operações Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e, em 2009, doutorado em Ciências Militares pela mesma instituição.
Astronauta Marcos Pontes também apresenta uma formação fortemente técnica. Em 1984, concluiu Ciências Aeronáuticas e Administração Pública pela Academia da Força Aérea (AFA). Em 1993, formou-se em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e, cinco anos depois, concluiu mestrado em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, nos Estados Unidos.
Os dois casos ajudam a ampliar o retrato da amostra: embora Direito seja dominante, o conjunto analisado inclui percursos construídos em instituições civis, universidades públicas e privadas, escolas militares e instituições internacionais.
Três dos 17 senadores não concluíram o ensino superior
O levantamento também encontrou três nomes sem ensino superior completo: Magno Malta, Davi Alcolumbre e Jaques Wagner.
Magno Malta cursou Teologia no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife. A instituição, de natureza confessional, não é reconhecida pelo Ministério da Educação como ensino superior regular, segundo o critério adotado no levantamento. Por isso, sua classificação aparece como “não possui ensino superior”.
Davi Alcolumbre cursou Ciências Econômicas no Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), mas não concluiu a graduação.
Jaques Wagner também iniciou uma formação universitária: cursou Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, porém não terminou o curso.
Assim, 14 dos 17 nomes analisados possuem ao menos uma graduação concluída, enquanto três não têm ensino superior completo. O dado reforça a diversidade das trajetórias acadêmicas presentes no recorte e, ao mesmo tempo, impede uma leitura simplista sobre a existência de um único caminho educacional para alcançar posições de destaque na política nacional.
A formação acadêmica dos 17 senadores analisados
Romário (PL-RJ) — Bacharelado em Educação Física pela Universidade Castelo Branco-RJ, concluído em 2010.
Magno Malta (PL-ES) — Não possui ensino superior. Cursou Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em Recife, instituição confessional não reconhecida pelo MEC como ensino superior regular.
Sergio Moro (PL-PR) — Direito pela Universidade Estadual de Maringá; Program of Instruction for Lawyers pela Harvard Law School; mestrado e doutorado em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná.
Rodrigo Pacheco (PSB-MG) — Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e especialização em Direito Penal Econômico pelo IBCCRIM.
Soraya Thronicke (PSB-MS) — Direito pela UNAES Faculdade de Campo Grande; MBA em Direito Empresarial pela FGV; pós-graduações em Direito Tributário e em Direito de Família e Sucessões pela Faculdade de Direito Professor Damásio de Jesus.
Ciro Nogueira (PP-PI) — Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Cid Gomes (PSB-CE) — Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará.
Renan Filho (MDB-AL) — Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília.
Renan Calheiros (MDB-AL) — Direito pela Universidade Federal de Alagoas.
Humberto Costa (PT-PE) — Medicina pela UFPE; pós-graduações em Medicina Geral Comunitária, Clínica Médica e Psiquiatria; bacharelado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco; especialização em Ciência Política pela UFPE.
Randolfe Rodrigues (PT-AP) — Bacharelado e licenciatura em História pela Universidade Federal do Amapá; Direito pela Faculdade SEAMA; mestrado em Políticas Públicas e Sociedade pela Universidade Estadual do Ceará; MBA em Gestão e Políticas Públicas pela FGV.
Damares Alves (REP-DF) — Pedagogia pela Faculdade Pio Décimo e Direito pela Faculdade de Direito de São Carlos (Fadisc).
Hamilton Mourão (REP-RS) — Ciências Militares pela AMAN; mestrado em Operações Militares e doutorado em Ciências Militares pela ECEME.
Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) — Ciências Aeronáuticas e Administração Pública pela AFA; Engenharia Aeronáutica pelo ITA; mestrado em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, nos Estados Unidos.
Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP) — Não possui ensino superior completo. Cursou Ciências Econômicas no Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), mas não concluiu.
Jaques Wagner (PT-BA) — Não possui ensino superior completo. Cursou Engenharia Civil na PUC-Rio, sem concluir a graduação.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Direito pela Universidade Cândido Mendes; pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ; especialização em Políticas Públicas pelo IUPERJ; especialização em Empreendedorismo pela FGV.
O que o recorte permite observar
O principal padrão da amostra é a força do Direito, presente na trajetória de oito senadores. Ao mesmo tempo, as demais formações mostram um grupo acadêmico heterogêneo: há médicos, engenheiros, economistas, historiadores, pedagogos, militares e profissionais com formação aeronáutica.
Também chama atenção a presença de diferentes níveis de educação complementar. Enquanto alguns parlamentares encerraram a trajetória acadêmica na graduação, outros acumularam MBAs, especializações, mestrados e doutorados. Há ainda experiências em instituições estrangeiras, como Harvard Law School e Naval Postgraduate School.
Esses dados, porém, não permitem estabelecer relação entre nível de escolaridade e desempenho parlamentar, competência política ou sucesso eleitoral. A proposta do levantamento é mais restrita: mostrar quais caminhos educacionais aparecem entre algumas das figuras de maior projeção do Senado em 2026.
Metodologia
O levantamento realizado pelo The College reúne 17 senadores brasileiros em 2026, selecionados a partir de critérios como relevância no debate público, presença nas redes sociais, volume de votos em eleições anteriores, exercício de cargos de liderança, trajetória política consolidada e exposição nacional.
A lista não constitui um ranking dos melhores ou mais importantes senadores e não representa os 81 integrantes do Senado Federal. O recorte foi limitado também pelo formato original do conteúdo, produzido para um carrossel no Instagram, que comporta no máximo 20 páginas.
As formações foram compiladas a partir de informações públicas. O levantamento tem caráter descritivo e não busca avaliar competência política, desempenho no mandato ou capacidade profissional dos parlamentares.
