O mercado brasileiro de cursos online, mentorias e infoprodutos transformou influenciadores, especialistas e empreendedores em negócios capazes de alcançar milhões de pessoas. Em áreas como finanças, marketing, vendas, empreendedorismo e desenvolvimento pessoal, parte desses nomes construiu audiência comparável à de grandes veículos e personalidades do entretenimento.

Mas qual é a formação acadêmica de quem fez carreira justamente vendendo conhecimento?

Um levantamento realizado pelo The College reuniu 20 nomes de destaque nesse mercado e encontrou trajetórias bastante diferentes. Há profissionais formados em Direito, Relações Internacionais, Educação Física, Jornalismo, Ciências da Computação, Ciências Militares, Administração, Engenharia, Economia, Comunicação e Turismo. Alguns avançaram para especializações, mestrado ou doutorado. Outros ingressaram na universidade e abandonaram o curso — e há também quem não tenha chegado ao ensino superior.

O recorte não estabelece relação entre diploma e sucesso no mercado digital. Em vez disso, oferece um retrato das diferentes formações presentes entre pessoas que construíram negócios baseados, em maior ou menor grau, na comercialização de conhecimento, métodos e treinamento.

A universidade aparece na trajetória de boa parte dos nomes

Apesar da recorrência, no ambiente digital, de discursos críticos ao ensino superior tradicional, a passagem pela universidade aparece com frequência entre os profissionais analisados.

Dos 20 nomes apresentados, 12 possuem uma graduação concluída com curso e instituição identificados no levantamento. Paulo Vieira também é apresentado como bacharel, embora o curso e a instituição de sua graduação não tenham sido confirmados no material. Outros quatro — Flávio Augusto, Pedro Sobral, Tallis Gomes e Ícaro de Carvalho — chegaram ao ensino superior, mas não concluíram a formação indicada.

No outro extremo estão Ruyter Poubel, identificado com ensino fundamental II incompleto; Thiago Finch, com ensino médio incompleto; e Natalia Beauty, que não possui formação acadêmica superior e realizou cursos técnicos em estética.

O panorama, portanto, não aponta para um modelo educacional dominante. A convivência de trajetórias acadêmicas extensas com históricos de ensino formal interrompido é uma das características mais claras da amostra.

Também chama atenção a variedade das áreas estudadas. Não existe uma graduação que se imponha como padrão entre os nomes selecionados. Comunicação, negócios, tecnologia, esporte, Direito e áreas militares aparecem lado a lado.

Da graduação ao doutorado

Algumas das trajetórias vão além da primeira graduação.

Joel Jota é bacharel em Educação Física pela Universidade Santa Cecília (Unisanta), possui mestrado em Ciências do Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da USP (EEFE-USP) e, segundo o levantamento, doutorado em Educação e Novas Tecnologias por instituição não confirmada.

Paulo Vieira é apresentado com mestrado em Coaching e doutorado em Business Administration pela Florida Christian University (FCU). O material também registra um bacharelado, mas sem confirmação do curso e da instituição.

Nathalia Arcuri, formada em Jornalismo pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), aparece com especialização em Planejamento Financeiro pelo Insper e pós-graduação em Fintechs pela Harvard Business School.

Wendell Carvalho, por sua vez, é apresentado como bacharel em Turismo por instituição não confirmada e com MBA em Liderança Organizacional pela Franklin Covey Education.

Bruno Perini, formado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), também possui pós-graduação em Defesa do Litoral e Antiaérea.

O conjunto mostra que, mesmo dentro de um mercado frequentemente associado a conhecimentos adquiridos fora da educação formal, uma parcela relevante dos nomes analisados acumulou títulos acadêmicos adicionais.

Formação e área de atuação nem sempre seguem a mesma direção

Outro aspecto do levantamento é a distância, em alguns casos, entre o curso universitário e o negócio pelo qual a pessoa se tornou conhecida.

Thiago Nigro, um dos principais nomes de conteúdo financeiro no país, é formado em Relações Internacionais pela ESPM. Bruno Perini, também associado a investimentos e renda passiva, veio de Ciências Militares. Betina Rudolph, que atua com produtos de marketing digital e copywriting, é formada em Administração pela FURB.

Érico Rocha, conhecido pela Fórmula de Lançamento, possui formação em Ciências da Computação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Já Leandro Ladeira, ligado às estratégias de venda de produtos digitais, é bacharel em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pelo IESB.

Entre os nomes do G4 Educação, Tallis Gomes cursou Publicidade e Propaganda na ESPM, mas não concluiu. Alfredo Soares é bacharel em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Marketing pela UniverCidade. Bruno Nardon tem uma formação mais técnica: é bacharel em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com dupla titulação pela École Centrale de Nantes, na França.

A diversidade reforça uma limitação importante da análise: a formação acadêmica não permite, isoladamente, explicar o desempenho posterior de cada profissional no mercado. O levantamento identifica trajetórias, não relações de causa e efeito.

A lista completa dos 20 nomes analisados

A ordem abaixo segue a quantidade de seguidores no Instagram apresentada no levantamento:

  1. Ruyter Poubel — 18,3 milhões
    Empresário, influenciador digital e vendedor de infoprodutos, conhecido pela atuação no marketing digital e pela criação da Kirvano. Possui ensino fundamental II incompleto, sem formação acadêmica superior.

  2. Pablo Marçal — 13,2 milhões
    Empresário, coach e criador do Método IP. É bacharel em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e possui pós-graduação em Gestão Empresarial, em instituição não confirmada.

  3. Natalia Beauty — 11,3 milhões
    Fundadora da Natalia Beauty e NB University. Não possui formação acadêmica superior, tendo realizado cursos técnicos em estética.

  4. Thiago Nigro — 10,5 milhões
    Fundador do Grupo Primo e da Finclass e criador do canal Primo Rico. É bacharel em Relações Internacionais pela ESPM.

  5. Wendell Carvalho — 9,6 milhões
    Empresário, palestrante e criador do Protagon. É bacharel em Turismo, em instituição não confirmada, e possui MBA em Liderança Organizacional pela Franklin Covey Education.

  6. Joel Jota — 6,4 milhões
    Ex-atleta da seleção brasileira de natação, palestrante e empresário. É bacharel em Educação Física pela Universidade Santa Cecília (Unisanta), mestre em Ciências do Esporte pela EEFE-USP e possui doutorado em Educação e Novas Tecnologias, em instituição não confirmada.

  7. Flávio Augusto — 5,1 milhões
    Fundador da Wise Up e da Wiser Educação. Cursou Ciência da Computação na Universidade Federal Fluminense (UFF), mas não concluiu.

  8. Nathalia Arcuri — 4 milhões
    Fundadora e CEO da Me Poupe!. É bacharel em Jornalismo pela FMU, possui especialização em Planejamento Financeiro pelo Insper e pós-graduação em Fintechs pela Harvard Business School.

  9. Thiago Finch — 3,4 milhões
    Nome ligado ao mercado de PLR (Private Label Rights) no Brasil. Possui ensino médio incompleto e não tem formação acadêmica superior.

  10. Bruno Perini — 3,3 milhões
    Criador do canal Você Mais Rico, sócio do Grupo Primo e ex-oficial do Exército. É bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e possui pós-graduação em Defesa do Litoral e Antiaérea.

  11. Érico Rocha — 3,3 milhões
    Criador da Fórmula de Lançamento no Brasil. É bacharel em Ciências da Computação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

  12. Paulo Vieira — 2,6 milhões
    Fundador da Febracis e criador do Método CIS. O levantamento registra bacharelado em curso e instituição não confirmados, além de mestrado em Coaching e doutorado em Business Administration pela Florida Christian University (FCU).

  13. Pedro Sobral — 2,3 milhões
    Criador da Comunidade Sobral e nome ligado à formação de gestores de tráfego. Cursou Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), mas não concluiu.

  14. Tallis Gomes — 2,1 milhões
    Cofundador do G4 Educação e fundador da Easy Taxi e da Singu. Cursou Publicidade e Propaganda na ESPM, mas não concluiu.

  15. Leandro Ladeira — 2 milhões
    Criador do método VTSD (Venda Todo Santo Dia). É bacharel em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB).

  16. Raiam Santos — 2 milhões
    Empreendedor digital, escritor e cofundador da Kiwify. É bacharel em Ciências Econômicas, Relações Internacionais e Letras pela University of Pennsylvania (Wharton), nos Estados Unidos, conforme apresentado no levantamento.

  17. Betina Rudolph — 1,6 milhão
    Ex-sócia da Empiricus e fundadora da BR Digital. É bacharel em Administração pela FURB (Fundação Universidade Regional de Blumenau).

  18. Alfredo Soares — 1,4 milhão
    Cofundador do G4 Educação e sócio da VTEX. É bacharel em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Marketing pela UniverCidade.

  19. Ícaro de Carvalho — 900 mil
    Fundador e CEO do Novo Mercado. Cursou Direito pela Universidade Católica de Santos, mas não concluiu.

  20. Bruno Nardon — 500 mil
    Cofundador do G4 Educação, ex-fundador da Kanui e da Rappi Brasil. É bacharel em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com dupla titulação pela École Centrale de Nantes, na França.

Não existe uma formação padrão para vender conhecimento na internet

O principal ponto do recorte está justamente na ausência de uma trajetória acadêmica única.

Entre os profissionais analisados há desde pessoas que não completaram a educação básica até graduados em universidades como USP, Unicamp, UFSCar, University of Pennsylvania e instituições internacionais. Há também quem tenha avançado para especializações, mestrado e doutorado.

Ao mesmo tempo, a presença de um diploma não indica, por si só, maior domínio sobre o conteúdo vendido, assim como a ausência de ensino superior não permite concluir o contrário. Avaliar a qualidade de um curso ou mentoria exige considerar fatores como experiência profissional, consistência do conteúdo, evidências apresentadas, histórico de atuação e clareza sobre aquilo que está sendo prometido.

O levantamento também coloca em perspectiva um discurso comum no próprio mercado de infoprodutos: a oposição entre educação tradicional e conhecimento prático. Dentro da amostra, essas duas trajetórias não são necessariamente excludentes. Muitos dos profissionais que construíram seus próprios métodos e produtos digitais também passaram por universidades — ainda que, em alguns casos, tenham seguido carreiras bastante diferentes de suas formações originais.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo The College a partir de informações públicas e dados disponíveis no Instagram. Foram selecionados 20 nomes ligados aos mercados de educação digital, finanças, empreendedorismo, marketing, vendas e desenvolvimento pessoal.

A seleção considerou uma combinação de critérios como audiência, relevância, impacto, presença no mercado, faturamento conhecido e influência dentro de seus respectivos nichos. Portanto, o material não pretende constituir um ranking definitivo dos maiores vendedores de cursos e infoprodutos do Brasil, mas uma curadoria de nomes considerados relevantes para o recorte.

A ordem apresentada segue a quantidade de seguidores no Instagram registrada no levantamento. Nos casos em que curso, instituição ou formação não puderam ser confirmados, essa limitação foi indicada explicitamente. Fonte: Instagram, dados públicos e levantamento The College.

Publicado em [05-05-2026]