Finanças se tornou um dos maiores nichos de conteúdo da internet brasileira. Ao redor de temas como investimentos, dividendos, organização financeira e cenário econômico, influenciadores construíram audiências de milhões de pessoas — e, em vários casos, transformaram essa audiência em cursos, plataformas de educação, comunidades e negócios próprios.

Mas a trajetória acadêmica de quem ocupa esse espaço está longe de seguir um único padrão.

Um levantamento realizado pelo The College sobre alguns dos nomes mais conhecidos do universo de finanças no Brasil mostra formações que vão de Economia e Administração a Relações Internacionais, Comunicação Social e Ciências Militares. Há também casos em que uma graduação de nível superior não foi localizada em fontes públicas.

O recorte não pretende avaliar quem está ou não preparado para falar sobre dinheiro. Formação universitária, por si só, não mede qualidade de conteúdo, experiência prática ou capacidade de comunicação. A proposta é outra: observar os caminhos acadêmicos percorridos por pessoas que hoje ajudam a formar a percepção de milhões de brasileiros sobre finanças.

Economia e Administração aparecem, mas não dominam sozinhas o grupo

Entre os dez nomes analisados, Economia e Administração formam o núcleo acadêmico mais diretamente relacionado ao mercado financeiro.

Ricardo Amorim se formou em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), em 1992, e fez pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris, em 1993. Sua atuação se concentra especialmente na interpretação de cenários macroeconômicos para empresas e executivos.

Pablo Spyer também cursou Economia, mas fora do Brasil. Concluiu o bacharelado pela Florida International University, nos Estados Unidos, em 2001, e, em 2004, fez MBA em Mercados e Capitais pela Universidade de São Paulo (USP).

Charles Mendlowicz, conhecido pela atuação em temas de investimentos e economia, é bacharel em Economia pela UERJ desde 2000 e concluiu MBA em Logística Empresarial pela FGV em 2010.

Já entre os formados em Administração estão Tiago Reis e Carol Paiffer. Reis concluiu Administração de Empresas pela FGV-SP em 2008. Paiffer se graduou no mesmo curso pela FACAMP também em 2008 e, segundo as informações encontradas pelo levantamento, concluiu em 2023 um mestrado em Educação e Tecnologia, embora a instituição não tenha sido localizada em fontes públicas.

Nath Finanças também aparece com formação em Administração de Empresas. O bacharelado foi concluído em 2021 em uma faculdade particular de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, cuja instituição não foi encontrada nas fontes públicas consultadas.

A recorrência dessas duas áreas é coerente com a temática profissional do grupo, mas não deve ser interpretada como requisito para atuar com educação financeira. Metade da amostra segue trajetórias acadêmicas diferentes — ou sem formação superior publicamente identificada.

De Relações Internacionais ao Jornalismo

Thiago Nigro é um dos exemplos mais claros de uma formação inicialmente distante de uma graduação tradicional em finanças. O fundador de O Primo Rico concluiu, em 2011, o bacharelado em Relações Internacionais pela ESPM.

Sua trajetória posterior foi construída no mercado financeiro e, mais tarde, na produção de conteúdo e educação digital. O caso ajuda a mostrar uma característica do setor: a atividade de comunicar finanças na internet não está necessariamente vinculada a uma graduação específica.

Nathalia Arcuri seguiu outro caminho. Antes de construir o Me Poupe!, formou-se em Comunicação Social e Jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM (FMU), em 2006.

A formação dialoga mais diretamente com a comunicação do que com investimentos. E essa diferença é relevante para compreender a própria natureza do nicho. Influenciadores financeiros não exercem apenas uma função técnica: precisam transformar conceitos de orçamento, dívida, investimentos ou economia em conteúdo compreensível para públicos amplos.

Em alguns casos, portanto, a capacidade de comunicar ocupa um lugar tão central quanto o background acadêmico ligado ao mercado.

Bruno Perini seguiu uma trajetória militar

A formação mais incomum dentro do grupo analisado é a de Bruno Perini.

Em 2010, ele concluiu o bacharelado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), onde foi o primeiro colocado de sua turma de artilharia. Quatro anos depois, em 2014, realizou pós-graduação em Defesa do Litoral e Antiaérea pelo Exército Brasileiro.

Sua trajetória acadêmica não nasceu no mercado financeiro. A transição para investimentos e produção de conteúdo ocorreu posteriormente, mostrando como experiências profissionais anteriores também podem anteceder uma carreira no setor de educação financeira digital.

Dentro de uma amostra relativamente pequena, esse caso funciona como uma exceção importante: mesmo em um nicho frequentemente associado a Economia, Administração ou carreiras financeiras tradicionais, há percursos bastante distintos.

Nem todos possuem formação superior localizada publicamente

No caso de Carol Dias, o levantamento do The College não encontrou formação acadêmica de nível superior em fontes públicas.

Isso não significa afirmar que ela não tenha cursado ou concluído uma graduação. O dado se limita ao que foi possível localizar publicamente durante a pesquisa.

A mesma cautela vale para informações incompletas encontradas em outros perfis. No caso de Nath Finanças, foi identificada a formação em Administração de Empresas e o ano de conclusão, mas não a instituição. Para o mestrado de Carol Paiffer, também não foi localizada publicamente a instituição responsável pelo curso.

Essa diferença de disponibilidade de informações é uma das limitações naturais de levantamentos construídos a partir de fontes abertas.

A formação acadêmica dos dez nomes analisados

Depois de observar os padrões, a lista completa evidencia a diversidade do grupo:

  1. Thiago Nigro — (2011) Bacharelado em Relações Internacionais pela ESPM.

  2. Nathalia Arcuri — (2006) Bacharelado em Comunicação Social e Jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM (FMU).

  3. Bruno Perini — (2010) Bacharelado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), sendo 1º colocado da turma de artilharia; (2014) pós-graduação em Defesa do Litoral e Antiaérea pelo Exército Brasileiro.

  4. Ricardo Amorim — (1992) Bacharelado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP); (1993) pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC Business School, em Paris.

  5. Tiago Reis — (2008) Bacharelado em Administração de Empresas pela FGV-SP.

  6. Pablo Spyer — (2001) Bacharelado em Economia pela Florida International University, nos Estados Unidos; (2004) MBA em Mercados e Capitais pela Universidade de São Paulo (USP).

  7. Carol Dias — formação acadêmica de nível superior não encontrada em fontes públicas.

  8. Charles Mendlowicz — (2000) Bacharelado em Economia pela UERJ; (2010) MBA em Logística Empresarial pela FGV.

  9. Carol Paiffer — (2008) Bacharelado em Administração de Empresas pela FACAMP; (2023) mestrado em Educação e Tecnologia, com instituição não encontrada em fontes públicas.

  10. Nath Finanças — (2021) Bacharelado em Administração de Empresas em faculdade particular de Nova Iguaçu/RJ não encontrada em fontes públicas.

O que o recorte mostra — e o que ele não mostra

O principal padrão observado é a ausência de um percurso acadêmico único. Economia e Administração aparecem com maior frequência, mas dividem espaço com áreas voltadas à comunicação, relações internacionais e carreira militar.

Também há diferenças importantes dentro das próprias trajetórias. Alguns dos nomes analisados têm pós-graduação ou MBA; outros construíram sua atuação pública a partir de uma graduação sem relação direta com finanças; e há casos em que o histórico universitário disponível publicamente é incompleto.

O recorte, portanto, não permite concluir que uma determinada formação produza influenciadores financeiros mais bem-sucedidos ou conteúdos de maior qualidade. Tampouco permite estabelecer relação causal entre curso universitário, audiência e desempenho profissional.

O que os dados mostram é algo mais restrito: entre alguns dos nomes mais conhecidos de finanças no Brasil, o caminho até a produção de conteúdo sobre dinheiro passou por formações acadêmicas bastante diferentes.

Metodologia

O levantamento realizado pelo The College analisou a formação acadêmica de dez nomes conhecidos do universo de finanças brasileiro: Thiago Nigro, Nathalia Arcuri, Bruno Perini, Ricardo Amorim, Tiago Reis, Pablo Spyer, Carol Dias, Charles Mendlowicz, Carol Paiffer e Nath Finanças.

As informações foram compiladas a partir de fontes públicas disponíveis sobre a trajetória acadêmica de cada pessoa. Quando não foi possível localizar uma formação superior ou identificar a instituição responsável por determinado curso, essa limitação foi indicada explicitamente.

A seleção não constitui um ranking dos maiores, melhores ou mais qualificados influenciadores financeiros do país, nem pretende medir a qualidade dos conteúdos publicados. Trata-se de um recorte editorial voltado a comparar trajetórias acadêmicas. A ausência de uma informação em fontes públicas também não significa, necessariamente, que determinada formação não exista.