Antes de acumularem milhões de seguidores, os nomes deste levantamento já haviam construído empresas, fortunas e carreiras de destaque em setores como varejo, finanças, moda, construção civil, indústria farmacêutica, educação e publicidade.
Esse é o ponto de partida da análise realizada pelo The College sobre a formação acadêmica de 17 empresários e CEOs brasileiros que desenvolveram negócios relevantes antes de também se tornarem figuras de grande audiência nas redes sociais.
O recorte não representa necessariamente os empresários mais ricos ou mais influentes do Brasil. A seleção reúne executivos e empreendedores com trajetória empresarial consolidada que, posteriormente, passaram a ocupar também um espaço relevante no ambiente digital.
Os dados revelam percursos educacionais bastante distintos. Enquanto nomes como Luciano Hang, Roberto Justus, Guilherme Benchimol, Rony Meisler e Rubens Menin concluíram cursos superiores ligados a áreas técnicas ou de negócios, outros começaram a empreender sem chegar à universidade ou sem concluir uma graduação.
Ao todo, 35% dos 17 nomes analisados não possuem ensino superior completo. Isso significa, por outro lado, que a maioria da amostra concluiu pelo menos uma graduação.
Direito, Administração e Engenharia aparecem em diferentes gerações
Não há um único curso dominante entre os empresários analisados. Ainda assim, algumas áreas aparecem com maior recorrência.
Direito está presente na trajetória de Leila Pereira, Luiza Helena Trajano e Luiz Barsi Filho. Leila também é formada em Jornalismo, enquanto Barsi concluiu ainda formações em Economia e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (FEA-USP).
Administração aparece entre Roberto Justus, formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e Alexandre Birman, que concluiu o curso na Universidade FUMEC.
As engenharias também estão representadas. Rony Meisler, cofundador da Reserva, graduou-se em Engenharia de Produção pela PUC-Rio. Rubens Menin, fundador da MRV, concluiu Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Guilherme Benchimol, fundador da XP, cursou Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Carlos Wizard Martins aparece com uma formação de perfil mais quantitativo: Ciência da Computação e Estatística pela Brigham Young University, nos Estados Unidos.
Luciano Hang, fundador da Havan, concluiu Processamento de Dados pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), em 1985. Karla Marques Felmanas, vice-presidente da Cimed e responsável pela marca Carmed, possui graduação em Moda, embora a instituição não tenha sido confirmada nas fontes públicas utilizadas no levantamento.
A diversidade dificulta qualquer tentativa de estabelecer uma “formação típica” para o grupo. O que os dados permitem observar é a presença recorrente de áreas ligadas a negócios, tecnologia, engenharia, economia e Direito entre aqueles que concluíram o ensino superior.
Seis trajetórias foram construídas sem graduação completa
O outro lado da amostra é igualmente relevante. Seis dos 17 empresários analisados não possuem ensino superior completo.
João Adibe Marques, CEO da Cimed, começou a trabalhar com o pai aos 15 anos e tem ensino médio incompleto, segundo as informações compiladas. Ricardo “Eletro” Nunes, fundador da Ricardo Eletro, tem ensino fundamental incompleto.
Alê Costa, fundador da Cacau Show, concluiu o ensino médio, mas não possui ensino superior. Sua trajetória empresarial começou ainda na adolescência, quando recebeu uma encomenda de 2 mil ovos de Páscoa e passou a produzi-los artesanalmente.
Caito Maia, fundador da Chilli Beans, fez um curso de verão em Música na Berklee College of Music, nos Estados Unidos, mas não concluiu uma graduação. João Appolinário, fundador da Polishop, também não possui ensino superior identificado nas fontes públicas consultadas.
José Carlos Semenzato apresenta uma situação diferente: fez curso técnico em Processamento de Dados no Instituto Americano de Lins e chegou a cursar uma graduação na Faculdade Salesiano, mas não a concluiu.
Esses casos mostram que a ausência de um diploma universitário aparece em uma parcela relevante da amostra, mas não permitem concluir que o ensino superior seja dispensável para o empreendedorismo. O levantamento observa trajetórias específicas de pessoas que alcançaram grande projeção empresarial e, por sua própria natureza, não representa o universo dos empreendedores brasileiros.
Formação acadêmica dos 17 empresários analisados
A lista foi organizada de acordo com a audiência apresentada no levantamento:
Luciano Hang (8,8 milhões) — Bacharelado em Processamento de Dados pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), concluído em 1985.
João Adibe Marques (5,2 milhões) — Ensino médio incompleto; não possui ensino superior.
Roberto Justus (3,1 milhões) — Bacharelado em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, concluído em 1977.
Ricardo “Eletro” Nunes (2,9 milhões) — Ensino fundamental incompleto; não possui ensino superior.
Alê Costa (2,6 milhões) — Ensino médio completo; não possui ensino superior.
Karla Marques Felmanas (2,3 milhões) — Graduação em Moda, concluída em 1996; instituição não confirmada em fontes públicas.
Leila Pereira (1,9 milhão) — Bacharelado em Jornalismo pela Universidade Estácio, concluído em 1987, e bacharelado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, concluído em 1995.
Caito Maia (1,4 milhão) — Curso de verão em Música pela Berklee College of Music, em 1989; não possui ensino superior.
João Appolinário (1,2 milhão) — Formação acadêmica não localizada em fontes públicas; não possui ensino superior identificado.
Rony Meisler (1,1 milhão) — Bacharelado em Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), concluído em 2003.
Guilherme Benchimol (800 mil) — Bacharelado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluído em 1999.
Luiza Helena Trajano (700 mil) — Bacharelado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, concluído em 1972.
José Carlos Semenzato (600 mil) — Curso técnico em Processamento de Dados (Informática) pelo Instituto Americano de Lins, concluído em 1985. Cursou graduação na Faculdade Salesiano em 1989, mas não concluiu.
Carlos Wizard Martins (400 mil) — Bacharelado em Ciência da Computação e Estatística pela Brigham Young University, concluído em 1980.
Alexandre Birman (200 mil) — Bacharelado em Administração pela Universidade FUMEC, concluído em 1998.
Rubens Menin (200 mil) — Bacharelado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concluído em 1978.
Luiz Barsi Filho (200 mil) — Bacharelado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha (FADIVA), concluído em 1970, e bacharelado em Economia e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (FEA-USP), concluído em 1962.
A influência digital veio depois dos negócios
Há uma característica que diferencia este levantamento de listas de influenciadores que se tornaram empresários a partir da própria audiência: aqui, o processo ocorreu no sentido contrário.
Luciano Hang fundou a Havan em 1986. Luiza Helena Trajano já trabalhava no Magazine Luiza desde a adolescência e assumiu a liderança da empresa em 1991. Rubens Menin fundou a MRV em 1979. Carlos Wizard criou a Wizard em 1987. Alexandre Birman fundou a Schutz em 1995, e João Appolinário criou a Polishop em 1999.
Mesmo entre integrantes de uma geração empresarial mais recente, como Guilherme Benchimol e Rony Meisler, os negócios que os projetaram foram construídos muito antes da atual dimensão das redes sociais.
O número de seguidores apresentado no levantamento, portanto, funciona como critério para observar a influência digital atual desses empresários, e não como explicação para a origem de suas empresas ou fortunas.
Esse recorte também ajuda a interpretar a diversidade acadêmica encontrada. Trata-se de um grupo formado por empresários de diferentes gerações, setores e contextos econômicos. Há desde um investidor nascido em 1939, Luiz Barsi Filho, até executivos que construíram negócios em segmentos que ganharam escala especialmente nas últimas décadas.
A principal leitura possível, portanto, não é que exista uma formação capaz de produzir empresários de sucesso — nem que a ausência de graduação represente alguma vantagem. Os dados mostram justamente a coexistência de trajetórias educacionais bastante diferentes entre pessoas que construíram negócios de grande porte.
Metodologia
O levantamento realizado pelo The College analisou a formação acadêmica de 17 empresários e CEOs brasileiros que construíram negócios e trajetórias empresariais relevantes antes de também se tornarem nomes de grande audiência nas redes sociais.
A seleção não pretende representar um ranking definitivo dos empresários mais ricos ou mais influentes do Brasil. O recorte considera nomes com trajetória empresarial consolidada e posterior presença digital relevante.
Os dados foram compilados a partir de informações públicas disponíveis em perfis oficiais, entrevistas, biografias e veículos de imprensa. Nos casos em que uma instituição ou formação não pôde ser confirmada em fontes públicas, essa limitação foi explicitamente indicada.
A audiência apresentada ao lado de cada nome corresponde aos números utilizados no material original do levantamento. Como a quantidade de seguidores é uma métrica dinâmica, esses valores podem variar ao longo do tempo.
