Chegar ao comando de um grande banco está entre as posições mais disputadas do mercado financeiro. Além de décadas de experiência profissional, responsabilidade sobre operações bilionárias e passagem por diferentes áreas das instituições, os executivos que alcançam esses cargos também carregam trajetórias acadêmicas que ajudam a traçar um retrato de quem ocupa o topo do setor.
Um levantamento realizado pelo The College analisou a formação acadêmica de 18 líderes de alguns dos principais bancos comerciais e de investimento com atuação no Brasil. O grupo reúne executivos do Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Santander Brasil, BTG Pactual, XP, Safra e de grandes instituições internacionais que operam no país.
Os dados mostram um padrão particularmente forte na graduação: Administração é, com ampla vantagem, a formação mais recorrente. Economia e diferentes modalidades de Engenharia concentram praticamente todo o restante da amostra.
A semelhança entre as trajetórias, porém, não termina na graduação. Especializações executivas, MBAs, mestrados e experiências em universidades estrangeiras aparecem repetidamente nos currículos analisados. Ao mesmo tempo, nenhum dos líderes mapeados apresenta doutorado entre as formações reunidas no levantamento.
Administração concentra a maior parte das graduações
Entre os 18 executivos analisados, 11 têm Administração de Empresas ou Administração Pública entre suas formações de graduação. Isso representa cerca de 61% da amostra.
É o caso de Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco, formado em Administração de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); Marcelo Noronha, do Bradesco, graduado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Tarciana Medeiros, do Banco do Brasil, bacharel em Administração de Empresas pela Faculdade AIEC.
A formação também aparece nas trajetórias de Thiago Maffra, da XP; Alberto Monteiro de Queiroz, do Safra; Eduardo Alcalay, do Bank of America Brasil; André Cury, do Citi Brasil; Alessandro Zema, do Morgan Stanley Brasil; Ricardo Bellissi, do Goldman Sachs Brasil; Sergio Lulia Jacob, do Banco ABC Brasil; e Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
O dado não indica que Administração seja um requisito para chegar ao comando de uma instituição financeira. O que o levantamento permite observar é uma concentração desse tipo de formação dentro do grupo analisado, compatível com trajetórias profissionais ligadas à gestão, à estratégia, às finanças e à administração de grandes organizações.
Engenharia e Economia completam o perfil acadêmico
Fora de Administração, os cursos encontrados se concentram principalmente em duas áreas.
Quatro dos líderes analisados têm formação em Engenharia. Mario Leão, do Santander Brasil, graduou-se em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Marcelo Gaiani, do J.P. Morgan Brasil, estudou Engenharia no Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA). Daniel Bassan, do UBS Brasil, cursou Engenharia Civil de Produção na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), enquanto Ricardo Guimarães, do BNP Paribas Brasil, fez Engenharia Industrial na Escola Politécnica da USP.
Economia aparece em três trajetórias: Carlos Antônio Vieira Fernandes, da Caixa Econômica Federal, formado pela Universidade Estadual da Paraíba; Roberto Sallouti, do BTG Pactual, graduado pela Wharton School da University of Pennsylvania; e Luis Mendes, do Deutsche Bank Brasil, formado pela PUC-RJ.
Somadas, Administração, Economia e Engenharia abrangem os 18 nomes do levantamento, revelando uma amostra fortemente concentrada em áreas relacionadas a gestão, negócios, finanças e formação quantitativa.
Metade teve alguma experiência acadêmica no exterior
Outro padrão relevante aparece quando o recorte passa das áreas de formação para as instituições frequentadas.
Nove dos 18 executivos tiveram alguma etapa de sua trajetória acadêmica em uma instituição estrangeira, considerando graduação, mestrado, MBA ou programa executivo.
Há nomes formados no exterior desde a graduação, como Roberto Sallouti, que estudou na Wharton School, e Marcelo Gaiani, graduado pelo ITBA, na Argentina. Em outros casos, a experiência internacional ocorreu posteriormente.
Marcelo Noronha realizou o Advanced Management Program do IESE Business School, da Universidad de Navarra. Thiago Maffra concluiu um MBA em Finanças na Columbia Business School. Alessandro Zema realizou MBAs na Wharton School e na London Business School. Sergio Lulia Jacob cursou MBA na University of Michigan, enquanto Luis Mendes fez MBA na University of Rochester.
Carlos Antônio Vieira Fernandes também apresenta uma trajetória acadêmica internacional, com mestrado em Finanças pela Université Paris Panthéon-Sorbonne.
A presença dessas instituições não permite afirmar que estudar no exterior seja determinante para chegar à liderança de um banco. O que os dados mostram é que a experiência acadêmica internacional aparece com frequência relevante entre os executivos da amostra.
MBAs e mestrados aparecem mais do que doutorados
A análise também evidencia uma diferença entre formação executiva e carreira acadêmica.
O levantamento informa que 89% dos nomes possuem pós-graduação, MBA ou mestrado. Nos currículos apresentados, aparecem com frequência MBAs, mestrados, pós-graduações e programas avançados de gestão em instituições como Columbia Business School, MIT Sloan School of Management, Wharton, London Business School, University of Michigan, IESE, USP e FGV.
Ao mesmo tempo, nenhum doutorado foi identificado entre os 18 líderes mapeados.
Esse contraste ajuda a caracterizar o tipo de formação encontrado na amostra. Em vez de percursos acadêmicos orientados à pesquisa, predominam qualificações associadas à gestão, ao desenvolvimento executivo e às finanças, muitas delas realizadas após alguns anos de experiência profissional.
Há, no entanto, uma ressalva metodológica: as credenciais explicitamente exibidas no material não permitem reproduzir diretamente o percentual de 89% informado no texto de apoio do levantamento. Por isso, o percentual é mantido como dado original da análise, enquanto as formações individuais são apresentadas conforme o material fornecido.
A formação dos 18 líderes analisados
Milton Maluhy Filho — Itaú Unibanco
(1999) Bacharelado em Administração de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
Marcelo Noronha — Bradesco
(1986) Bacharelado em Administração pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
(2015) Advanced Management Program (AMP) pelo IESE Business School, Universidad de Navarra.
Tarciana Medeiros — Banco do Brasil
(2012) Bacharelado em Administração de Empresas pela Faculdade AIEC, EAD.
(2024) MBA em Marketing, Branding e Growth pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Carlos Antônio Vieira Fernandes — Caixa Econômica Federal
(1981) Bacharelado em Economia pela Universidade Estadual da Paraíba.
(1985) Mestrado em Administração pelo Centro Universitário de João Pessoa.
(1990) Mestrado em Finanças pela Université Paris Panthéon-Sorbonne.
Mario Leão — Santander Brasil
(1996) Bacharelado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
Roberto Sallouti — BTG Pactual
(1994) Bacharelado em Economia pela The Wharton School da University of Pennsylvania.
Thiago Maffra — XP Inc.
(2006) Bacharelado em Administração de Empresas pelo Insper.
(2018) MBA em Finanças pela Columbia Business School.
Alberto Monteiro de Queiroz — Banco Safra
(1990) Bacharelado em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes (UCAM).
(1995) Pós-graduação em Banking pela Universidade de São Paulo (USP).
(2010) Executive MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Eduardo Alcalay — Bank of America Brasil
(1990) Bacharelado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Marcelo Gaiani — J.P. Morgan Brasil
(1996) Bacharelado em Engenharia pelo Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA).
(2001) MBA pelo MIT Sloan School of Management.
André Cury — Citi Brasil
(2000) Bacharelado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
(2005) Bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
(2008) Mestrado em Finanças e Economia.
Alessandro Zema — Morgan Stanley Brasil
(1996) Bacharelado em Administração pela Universidade de São Paulo (USP).
(1999) MBA pela The Wharton School da University of Pennsylvania.
(2000) MBA pela London Business School.
Ricardo Bellissi — Goldman Sachs Brasil
(2000) Bacharelado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
(2008) Mestrado em Finanças pela London Business School.
Daniel Bassan — UBS Brasil
(1996) Bacharelado em Engenharia Civil de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).
Ricardo Guimarães — BNP Paribas Brasil
(1997) Bacharelado em Engenharia Industrial pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
Sergio Lulia Jacob — Banco ABC Brasil
(1989) Bacharelado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
(1995) MBA pela University of Michigan, Ann Arbor.
Luis Mendes — Deutsche Bank Brasil
(1990) Bacharelado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).
(1999) MBA pela University of Rochester.
Daniel Vorcaro — Banco Master
(2005) Bacharelado em Administração pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).
(2007) MBA pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).
O que os dados permitem observar
A amostra não aponta uma única universidade como caminho predominante para a liderança bancária. USP e FGV aparecem repetidamente, mas o levantamento também reúne instituições como FAAP, UFPE, Insper, PUC-RJ, UCAM, IBMEC e Universidade Estadual da Paraíba, além de universidades e escolas de negócios internacionais.
A concentração mais evidente ocorre na escolha da área de graduação. Administração, Engenharia e Economia respondem pelos 18 casos analisados, enquanto Direito aparece apenas como uma segunda graduação, no currículo de André Cury.
Também chama atenção o caráter aplicado das formações realizadas após a faculdade. MBAs, programas executivos e mestrados voltados a Administração e Finanças são muito mais frequentes do que títulos acadêmicos associados à pesquisa.
O recorte, portanto, não estabelece uma fórmula para chegar ao topo do sistema financeiro. Ele mostra que, dentro deste grupo de líderes, formações em negócios ou áreas quantitativas, educação executiva e experiências acadêmicas internacionais aparecem de maneira recorrente.
Metodologia
O levantamento do The College reúne 18 líderes de bancos comerciais e de investimento com atuação no Brasil em 2026, a partir de informações públicas disponíveis em biografias institucionais, LinkedIn, sites oficiais das instituições financeiras e materiais de imprensa.
Nem todos os nomes analisados possuem formalmente o título de CEO. Em alguns casos, foram considerados presidentes, country heads ou managing directors — isto é, os principais executivos responsáveis pela operação da instituição no Brasil.
O Banco Master foi incluído como um caso adicional em razão dos acontecimentos recentes envolvendo a instituição. Atualmente, o banco está em liquidação e Daniel Vorcaro não ocupa mais o seu comando.
As informações representam um recorte das formações identificadas nas fontes consultadas e não necessariamente incluem todos os cursos, certificações ou programas acadêmicos realizados por cada executivo.
Publicado em [07-05-2026]
