A lista das maiores fortunas do mundo reúne trajetórias empresariais construídas em setores tão diferentes quanto tecnologia, varejo, luxo, investimentos, telecomunicações e criptomoedas. Quando o recorte passa do patrimônio para a formação acadêmica, porém, alguns padrões começam a aparecer.

Um levantamento realizado pelo The College com 18 bilionários que possuem patrimônio superior a US$ 80 bilhões mostra forte presença de formações técnicas, especialmente Engenharia, Ciência da Computação, Economia e Matemática. Ao mesmo tempo, a amostra está longe de apontar uma trajetória educacional única: 33% dos nomes analisados não concluíram uma graduação.

Entre os casos estão desde empresários com mestrado em Stanford, Columbia e Harvard Business School até trajetórias como a de Amancio Ortega, que deixou a escola ainda durante a infância. Também aparecem nomes que ingressaram em universidades de destaque, mas abandonaram os estudos antes de obter o diploma, como Mark Zuckerberg, Bill Gates, Larry Ellison e Michael Dell.

Somadas, as fortunas apresentadas no levantamento chegam a US$ 2,8 trilhões. Os valores de patrimônio utilizados no material foram apurados em abril de 2026 e, por estarem relacionados principalmente à valorização de participações empresariais e outros ativos, podem variar significativamente ao longo do tempo.

Engenharia é a formação mais recorrente

Entre as áreas de graduação identificadas, Engenharia aparece seis vezes e ocupa a primeira posição. Ciência da Computação vem em seguida, com quatro ocorrências. Economia ou Finanças, Matemática e Medicina ou Biologia aparecem três vezes cada, enquanto Física aparece duas vezes e Administração, uma.

A presença dessas áreas é especialmente visível entre bilionários ligados à tecnologia. Larry Page formou-se em Engenharia da Computação pela University of Michigan e concluiu um mestrado em Ciência da Computação em Stanford. Sergey Brin estudou Matemática e Ciência da Computação na University of Maryland antes de também fazer mestrado em Ciência da Computação em Stanford.

Jensen Huang seguiu um caminho semelhante pela Engenharia, com bacharelado em Engenharia Elétrica pela Oregon State University e mestrado na mesma área pela Stanford University. Michael Bloomberg também se formou em Engenharia Elétrica, pela Johns Hopkins University, antes de cursar mestrado em Administração na Harvard Business School.

Há ainda formações de Engenharia fora do universo da tecnologia. Bernard Arnault, ligado ao conglomerado de luxo LVMH, graduou-se em Engenharia Civil pela École Polytechnique, em Paris. Carlos Slim Helu, cuja trajetória empresarial passa pelas telecomunicações, estudou Engenharia Civil na Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).

O padrão, no entanto, deve ser interpretado com cautela. A concentração de engenheiros entre os bilionários da amostra não significa que cursar Engenharia aumente, por si só, a probabilidade de construir uma grande fortuna. O levantamento mostra apenas que a área aparece com frequência dentro deste grupo específico.

Tecnologia aproxima Ciência da Computação, Matemática e Física

A concentração de formações quantitativas vai além da Engenharia.

Elon Musk concluiu, em 1997, bacharelados em Física e Economia pela University of Pennsylvania. Steve Ballmer formou-se em Matemática e Economia pela Harvard University em 1977 e posteriormente cursou um mestrado em Administração em Stanford, mas não concluiu o programa.

Changpeng Zhao, conhecido como CZ, concluiu bacharelado em Ciência da Computação pela McGill University, no Canadá. Já Jeff Bezos formou-se em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pela Princeton University em 1986.

Bill Gates cursou Matemática e Ciência da Computação em Harvard, mas deixou a graduação antes de concluí-la. Mark Zuckerberg também passou por Harvard, onde cursou Ciência da Computação sem completar o curso.

Os casos reforçam duas características simultâneas da amostra: há uma presença relevante de conhecimentos técnicos e quantitativos, mas ter ingressado em determinada área não significa necessariamente ter concluído o diploma.

Harvard e Stanford aparecem com maior frequência

As universidades também apresentam alguma concentração.

De acordo com os dados compilados pelo The College, Harvard aparece quatro vezes, sendo a instituição mais recorrente entre as trajetórias analisadas. Stanford aparece três vezes, enquanto a University of Pennsylvania, incluindo Wharton, registra duas ocorrências.

Princeton, University of Michigan, Oregon State University e McGill aparecem uma vez cada no consolidado apresentado pelo levantamento.

Em alguns casos, uma mesma trajetória passa por mais de uma instituição de destaque. Warren Buffett cursou Economia na University of Pennsylvania, em Wharton, antes de se transferir. Em 1950, concluiu bacharelado em Administração de Empresas pela University of Nebraska-Lincoln e, no ano seguinte, terminou um mestrado em Economia pela Columbia University.

Michael Bloomberg combina uma graduação na Johns Hopkins com um mestrado na Harvard Business School. Larry Page e Sergey Brin, por sua vez, chegaram a Stanford depois das respectivas graduações e estavam ligados ao doutorado em Ciência da Computação na instituição — programa que ambos não concluíram.

A recorrência de universidades altamente seletivas é um dado relevante dentro da amostra, mas também não permite estabelecer uma relação causal entre estudar nessas instituições e alcançar grandes patrimônios. Seleção acadêmica, contexto familiar, redes profissionais, setor de atuação e oportunidades disponíveis são dimensões distintas que não podem ser isoladas a partir deste levantamento.

Um terço não concluiu a graduação

Talvez o contraste mais evidente do levantamento esteja entre a forte presença universitária e a proporção de empresários que não completaram a graduação.

Dos 18 nomes analisados, 12 concluíram uma graduação, enquanto seis não possuem uma graduação concluída — o equivalente a aproximadamente 33% da amostra.

Entre esses casos há situações bastante diferentes.

Mark Zuckerberg cursou Ciência da Computação em Harvard e não concluiu. Bill Gates também deixou Harvard antes da conclusão do curso. Michael Dell cursou Biologia e Pré-Medicina na University of Texas, mas abandonou a graduação. Larry Ellison passou pela University of Illinois at Urbana-Champaign, onde cursou Pré-Medicina, e pela University of Chicago, onde estudou Física e Matemática, sem se formar em nenhuma das duas instituições.

Thomas Peterffy teve formação técnica em agrimensura na Hungria e posteriormente cursou Engenharia na New York University School of Engineering sem concluir. Amancio Ortega apresenta o caso mais distante do percurso universitário: segundo o material analisado, deixou o ensino fundamental ainda criança para ajudar financeiramente a família.

Agrupar essas trajetórias apenas como “sem graduação” pode esconder diferenças importantes. Abandonar Harvard para desenvolver uma empresa, passar por diferentes universidades sem concluir um curso e deixar a escola durante a infância representam contextos educacionais e socioeconômicos muito distintos.

Da Medicina à Pré-Medicina, há trajetórias fora do padrão mais frequente

Nem todos os bilionários apresentados começaram em áreas diretamente associadas aos setores nos quais construiriam suas fortunas.

Giancarlo Devasini, ligado à Bitfinex e à Tether, graduou-se em Medicina pela Università degli Studi di Milano em 1990. Michael Dell iniciou seus estudos em Biologia e Pré-Medicina antes de deixar a University of Texas para desenvolver a empresa que daria origem à Dell Technologies.

Larry Ellison também passou pela Pré-Medicina antes de estudar Física e Matemática. Décadas depois, tornou-se cofundador da Oracle, empresa de software e bancos de dados.

Esses casos ajudam a mostrar uma limitação importante de qualquer tentativa de relacionar diretamente graduação e carreira empresarial: a formação inicial nem sempre corresponde ao setor em que uma pessoa posteriormente constrói sua trajetória profissional.

A origem familiar também é diversa

O levantamento classificou os bilionários de acordo com a condição familiar de origem. Entre os 18 nomes, seis foram categorizados como classe média-alta, cinco como classe média, quatro como classe alta e três como classe baixa.

Consideradas em conjunto, classe média e média-alta representam 61% da amostra.

Elon Musk, Bernard Arnault, Carlos Slim Helu e Bill Gates aparecem classificados como provenientes de famílias de classe alta. Larry Ellison é apresentado como de classe média-baixa, enquanto Amancio Ortega e Thomas Peterffy estão entre os nomes associados à classe baixa.

A classificação socioeconômica exige uma ressalva adicional. Categorias como “classe média”, “média-alta” ou “alta” simplificam realidades familiares construídas em países, períodos históricos e contextos econômicos diferentes. Elas servem para contextualizar as trajetórias, mas não permitem medir de maneira precisa os recursos, contatos, oportunidades ou dificuldades disponíveis para cada pessoa.

Os 18 bilionários e suas formações acadêmicas

  1. Elon Musk — US$ 800 bilhões: bacharelado em Física e Economia pela University of Pennsylvania (Wharton), concluído em 1997.

  2. Larry Page — US$ 260 bilhões: bacharelado em Engenharia da Computação pela University of Michigan, em 1995; mestrado em Ciência da Computação pela Stanford University, em 1998; cursou doutorado em Ciência da Computação em Stanford, mas não concluiu.

  3. Jeff Bezos — US$ 248 bilhões: bacharelado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pela Princeton University, concluído em 1986.

  4. Sergey Brin — US$ 240 bilhões: bacharelado em Matemática e Ciência da Computação pela University of Maryland, em 1993; mestrado em Ciência da Computação pela Stanford University, em 1995; cursou doutorado em Ciência da Computação em Stanford, mas não concluiu.

  5. Mark Zuckerberg — US$ 216 bilhões: cursou Ciência da Computação na Harvard University e não concluiu a graduação.

  6. Larry Ellison — US$ 179 bilhões: cursou Pré-Medicina na University of Illinois at Urbana-Champaign e, posteriormente, Física e Matemática na University of Chicago; não concluiu nenhuma das formações.

  7. Jensen Huang — US$ 163 bilhões: bacharelado em Engenharia Elétrica pela Oregon State University, em 1984, e mestrado em Engenharia Elétrica pela Stanford University, em 1992.

  8. Michael Dell — US$ 159 bilhões: cursou Biologia/Pré-Medicina na University of Texas, mas não concluiu.

  9. Bernard Arnault — US$ 151 bilhões: bacharelado em Engenharia Civil pela École Polytechnique, em Paris, concluído em 1971.

  10. Warren Buffett — US$ 142 bilhões: cursou Economia na University of Pennsylvania (Wharton) antes de se transferir; concluiu bacharelado em Administração de Empresas pela University of Nebraska-Lincoln em 1950 e mestrado em Economia pela Columbia University em 1951.

  11. Amancio Ortega — US$ 140 bilhões: ensino fundamental incompleto; deixou a escola ainda criança para ajudar financeiramente a família.

  12. Carlos Slim Helu — US$ 127 bilhões: Engenharia Civil pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), concluída em 1961.

  13. Steve Ballmer — US$ 120 bilhões: bacharelado em Matemática e Economia pela Harvard University, em 1977; cursou mestrado em Administração na Stanford University, mas não concluiu.

  14. Changpeng Zhao “CZ” — US$ 110 bilhões: bacharelado em Ciência da Computação pela McGill University, no Canadá, concluído em 1999.

  15. Michael Bloomberg — US$ 109 bilhões: bacharelado em Engenharia Elétrica pela Johns Hopkins University, em 1964, e mestrado em Administração pela Harvard Business School, em 1966.

  16. Bill Gates — US$ 104 bilhões: cursou Matemática e Ciência da Computação na Harvard University, mas não concluiu.

  17. Giancarlo Devasini — US$ 89 bilhões: graduação em Medicina pela Università degli Studi di Milano, concluída em 1990.

  18. Thomas Peterffy — US$ 83 bilhões: formação técnica em agrimensura na Hungria, em 1964; cursou Engenharia na New York University School of Engineering, mas não concluiu.

O que os dados permitem observar

O recorte mostra uma combinação que pode parecer contraditória à primeira vista. De um lado, universidades de alta seletividade e formações técnicas aparecem repetidamente. De outro, seis dos 18 bilionários analisados não concluíram uma graduação.

Isso não transforma o abandono universitário em padrão de sucesso, assim como a recorrência de Engenharia ou Ciência da Computação não permite concluir que essas formações sejam um caminho para grandes fortunas. A amostra parte justamente de pessoas que já chegaram ao extremo superior da distribuição global de riqueza e, portanto, não representa a população geral de estudantes, empreendedores ou profissionais.

O que os números permitem afirmar é mais limitado: entre esses 18 bilionários, experiências no ensino superior são frequentes, áreas quantitativas têm forte presença e algumas universidades aparecem repetidamente — mas as trajetórias educacionais continuam bastante heterogêneas.

Metodologia

O levantamento do The College reúne 18 bilionários com patrimônio superior a US$ 80 bilhões e analisa formação acadêmica, universidades frequentadas e condição familiar de origem.

As informações de patrimônio têm como referência a Forbes Billionaires, com valores apresentados no material como apurados em abril de 2026. Como fortunas desse porte estão sujeitas a oscilações de mercado, os valores podem variar ao longo do tempo.

As categorias de condição familiar — classe baixa, média, média-alta e alta — são classificações utilizadas pelo levantamento para contextualizar a origem socioeconômica e devem ser interpretadas como aproximações, não como medidas econômicas diretamente comparáveis entre países e períodos históricos diferentes.

Há uma divergência temporal dentro do próprio material original: enquanto a legenda e a identificação da fonte fazem referência à Forbes Billionaires de 2026 e a patrimônios apurados em abril de 2026, o rodapé do slide consolidado registra “Patrimônios em 2025”. Por isso, o período deve ser conferido na base original antes da publicação definitiva da matéria.

Publicado em [28-04-26]