A remuneração de um CEO de uma companhia listada no Brasil gira, em média, em torno de R$ 16 milhões por ano. Entre os executivos mais bem pagos, porém, os números estão muito acima desse patamar: no ranking analisado, o primeiro colocado recebeu R$ 81,7 milhões por ano, enquanto até a 15ª posição a remuneração permanece acima de R$ 23 milhões.
O levantamento também permite observar outro aspecto da elite executiva brasileira: a formação acadêmica de quem ocupa algumas das posições mais bem remuneradas das companhias abertas. Entre os 15 nomes da lista, Engenharia e Administração aparecem com ampla vantagem sobre os demais cursos.
Isso não significa, evidentemente, que essas graduações sejam um caminho direto para chegar à presidência de uma grande empresa. O recorte mostra apenas uma concentração dessas formações dentro de um grupo específico de executivos, em setores, empresas e momentos profissionais diferentes.
Engenharia aparece em quase metade do ranking
Dos 15 CEOs analisados, sete fizeram Engenharia como primeira graduação. É a formação mais frequente da lista, presente em empresas que vão de petróleo e mineração a aviação, serviços financeiros e energia.
Entre eles estão Roberto Monteiro, da Prio, formado em Engenharia pela USP; João Alberto de Abreu, da Suzano, e Gilson Finkelsztain, da B3, ambos formados em Engenharia pela PUC-Rio; Bruno Lasansky, da Localiza, formado pelo ITBA; Francisco Gomes Neto, da Embraer, pela UMC; Mario Roberto Opice Leão, do Santander, pela USP; e Ivan Monteiro, da Eletrobras, pelo Inatel.
A presença da Engenharia em diferentes setores chama atenção justamente por não estar restrita a empresas cuja atividade principal é diretamente associada à formação técnica. Santander e B3, por exemplo, são instituições ligadas ao mercado financeiro, enquanto Localiza atua no setor de mobilidade.
O dado mostra a recorrência da formação entre executivos do grupo analisado, mas não permite concluir que o curso, isoladamente, explique a chegada ao cargo de CEO. Experiência profissional, trajetória dentro das empresas e características de cada negócio não fazem parte do recorte.
Administração vem logo atrás
Administração é a segunda graduação mais comum entre os 15 executivos, com cinco representantes.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú e líder do ranking de remuneração, estudou Administração na FAAP. Jean Jereissati Neto, da Ambev, Marcelo Eduardo Martins, da Cosan, e Fábio Barbosa, da Natura, aparecem com formação em Administração pela FGV. Marcelo Araujo Noronha, do Bradesco, completa o grupo, com formação em Administração pela UFP.
Somadas, Engenharia e Administração representam 12 dos 15 nomes do ranking, ou 80% da amostra.
As outras três formações aparecem uma única vez cada. Gustavo Pimenta, da Vale, cursou Economia na UFMG; Jorge Pinheiro Koren, da Hapvida, Medicina na UFC; e Belmiro de Figueiredo Gomes, do Assaí, Ciências Contábeis no IEEM.
A concentração em apenas duas áreas é um dos principais padrões do levantamento. Ao mesmo tempo, a presença de Economia, Medicina e Ciências Contábeis mostra que não existe uma única trajetória acadêmica entre os CEOs analisados.
FGV é a instituição mais recorrente na lista
Quando o recorte deixa de ser o curso e passa para a instituição de ensino, a concentração é menor.
A FGV aparece três vezes, todas entre executivos formados em Administração. USP e PUC-Rio aparecem duas vezes cada, ambas associadas à formação em Engenharia no levantamento.
As demais instituições — FAAP, ITBA, UFMG, UFC, UMC, UFP, IEEM e Inatel — aparecem uma vez.
O ranking, portanto, não aponta para uma única universidade dominante na formação dos CEOs mais bem pagos. O padrão mais evidente está nas áreas de graduação, especialmente Engenharia e Administração, e não necessariamente em uma instituição específica.
O topo recebe muito acima da média das companhias abertas
As diferenças de remuneração dentro da própria lista são significativas.
Milton Maluhy Filho, do Itaú, aparece em primeiro lugar, com R$ 81,7 milhões por ano. Na sequência, Roberto Monteiro, da Prio, e João Alberto de Abreu, da Suzano, recebem R$ 64,2 milhões cada.
Na outra ponta do ranking, Belmiro de Figueiredo Gomes, do Assaí, e Ivan Monteiro, da Eletrobras, aparecem com R$ 23,9 milhões por ano.
Considerando exclusivamente os valores apresentados para os 15 executivos, a remuneração média do grupo fica em aproximadamente R$ 44 milhões anuais. É um valor muito acima da média de cerca de R$ 16 milhões mencionada para CEOs de companhias listadas no Brasil de maneira geral.
Também é importante distinguir remuneração de salário fixo. O pacote de um CEO pode reunir salário, bônus, participação nos lucros, ações e outros componentes. Em alguns casos, pode incluir até pagamentos antecipados relacionados ao período de quarentena, durante o qual o executivo fica impedido de atuar em empresas concorrentes depois de deixar o cargo.
Segundo o material analisado, o ajuste médio recente na remuneração dos CEOs foi de aproximadamente 17%.
Ranking completo dos 15 CEOs mais bem pagos e suas formações
Milton Maluhy Filho (Itaú) — R$ 81,7 milhões por ano — Administração, FAAP
Roberto Monteiro (Prio) — R$ 64,2 milhões por ano — Engenharia, USP
João Alberto de Abreu (Suzano) — R$ 64,2 milhões por ano — Engenharia, PUC-Rio
Bruno Lasansky (Localiza) — R$ 52,3 milhões por ano — Engenharia, ITBA
Gustavo Pimenta (Vale) — R$ 51,8 milhões por ano — Economia, UFMG
Jorge Pinheiro Koren (Hapvida) — R$ 43,4 milhões por ano — Medicina, UFC
Jean Jereissati Neto (Ambev) — R$ 42,3 milhões por ano — Administração, FGV
Gilson Finkelsztain (B3) — R$ 40,9 milhões por ano — Engenharia, PUC-Rio
Marcelo Eduardo Martins (Cosan) — R$ 40,7 milhões por ano — Administração, FGV
Francisco Gomes Neto (Embraer) — R$ 40,1 milhões por ano — Engenharia, UMC
Fábio Barbosa (Natura) — R$ 33,6 milhões por ano — Administração, FGV
Mario Roberto Opice Leão (Santander) — R$ 30,6 milhões por ano — Engenharia, USP
Marcelo Araujo Noronha (Bradesco) — R$ 26,5 milhões por ano — Administração, UFP
Belmiro de Figueiredo Gomes (Assaí) — R$ 23,9 milhões por ano — Ciências Contábeis, IEEM
Ivan Monteiro (Eletrobras) — R$ 23,9 milhões por ano — Engenharia, Inatel
Formação acadêmica é apenas uma parte da trajetória
O recorte mostra uma concentração clara: 12 dos 15 executivos estudaram Engenharia ou Administração, e Engenharia sozinha responde por quase metade da lista.
Ainda assim, os dados não medem a relação entre o curso escolhido e a probabilidade de alguém se tornar CEO, nem permitem comparar essas formações com a distribuição acadêmica de todos os presidentes de companhias abertas brasileiras.
Também não entram na análise experiências posteriores de formação. Para manter um mesmo critério entre todos os executivos, foi considerada apenas a primeira graduação de cada um, deixando de fora MBAs, mestrados, doutorados e outras especializações.
Por isso, o ranking funciona principalmente como um retrato da formação acadêmica de um grupo muito específico: os executivos que aparecem entre os maiores pacotes de remuneração das empresas listadas analisadas.
Metodologia
Os dados de remuneração foram fornecidos pelas próprias empresas à CVM e reunidos a partir de levantamentos publicados pela Federação dos Bancários e pela IstoÉ Dinheiro. Os dez primeiros colocados tiveram os valores de remuneração atualizados em 2026; para os executivos entre a 11ª e a 15ª posição, foram utilizadas informações de 2025.
Para a análise acadêmica, foi considerada exclusivamente a primeira graduação de cada executivo. MBAs, mestrados, doutorados e demais formações posteriores não foram incluídos. Os valores apresentados representam remuneração anual e podem reunir componentes fixos e variáveis.
