Em um país com uma ampla oferta de cursos de Direito, ultrapassar a marca de 50% de aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil ainda é um resultado restrito a uma parcela pequena das instituições.
Um levantamento publicado pelo Quero Bolsa em 2025, baseado em dados do Ranking Universitário Folha (RUF) e complementado pela divulgação de algumas instituições, mostra que apenas 50 faculdades de Direito conseguiram aprovar mais da metade de seus alunos no exame.
Entre as dez instituições com as maiores taxas apresentadas no levantamento, há uma predominância clara de universidades públicas. O Insper, porém, ocupa a primeira posição com uma taxa que se distancia consideravelmente das demais: 93%. A segunda colocada, a Unesp, registra 74,1%.
A diferença chama atenção, mas exige uma ressalva importante. O curso de Direito do Insper é relativamente novo e possui uma amostra de alunos e egressos consideravelmente menor que a de universidades tradicionais, com cursos antigos e turmas maiores. Por isso, as taxas não necessariamente partem de bases diretamente comparáveis.
O desempenho no exame também não deve ser confundido com uma classificação geral da qualidade dos cursos. A aprovação na OAB é um indicador relevante para quem pretende exercer a advocacia, mas representa apenas uma dimensão da formação jurídica.
Insper lidera, mas tamanho da amostra exige cautela
Com 93% de aprovação, o Insper ocupa a primeira posição da lista. A vantagem sobre as demais instituições é expressiva: são 18,9 pontos percentuais de diferença para a Unesp, segunda colocada com 74,1%.
Esse intervalo, no entanto, é justamente um dos pontos que demandam maior cuidado na leitura dos dados.
Ao contrário de universidades com cursos de Direito consolidados há décadas e grande número de estudantes, o Insper possui uma graduação jurídica mais recente e, consequentemente, uma população de alunos e egressos menor. Em amostras reduzidas, cada aprovação ou reprovação pode ter impacto proporcionalmente maior sobre a taxa final.
A inclusão da instituição chegou a ser objeto de debate na elaboração do levantamento justamente por essa diferença de escala. Ainda assim, como o resultado foi oficialmente divulgado e comprovado pela própria instituição, excluí-lo significaria deixar de fora um dado disponível. A solução é manter o Insper na comparação, mas explicitar que sua taxa deve ser interpretada dentro desse contexto.
A partir da segunda posição, o ranking se torna significativamente mais equilibrado.
Apenas 4,6 pontos separam a segunda da décima colocada
Se o Insper aparece isolado no topo, as outras nove instituições estão concentradas em uma faixa bastante estreita de aprovação.
A Unesp lidera esse segundo grupo com 74,1%, seguida pela UFPE, com 73,3%, e pela UFV, com 73%. Na sequência aparecem a Ufersa, com 72,6%, e a FGV-Rio, com 72,5%.
UFMG, USP e UFJF ficam ainda mais próximas: respectivamente, 72,4%, 72,3% e 72,1%. A UFPR fecha o Top 10, com 69,5%.
Entre a Unesp, segunda colocada, e a UFPR, décima, a diferença é de apenas 4,6 pontos percentuais. Isso mostra que, retirado o primeiro colocado, o topo do levantamento é marcado muito mais pela proximidade dos resultados do que por grandes distâncias entre as instituições.
Há também uma forte presença do ensino público. Das dez faculdades apresentadas, apenas Insper e FGV-Rio são privadas. As outras oito pertencem a universidades públicas.
Universidades públicas ocupam oito das dez posições
A concentração de instituições públicas é um dos padrões mais evidentes do ranking.
A Unesp, com seu curso localizado em Franca (SP), é a instituição pública mais bem posicionada, em segundo lugar geral. Também aparecem universidades federais de diferentes regiões do país, como UFPE, UFV, Ufersa, UFMG, UFJF e UFPR, além da USP.
Geograficamente, o Sudeste concentra a maior parte do Top 10. Estão na região o Insper e a USP, em São Paulo, a Unesp, em Franca, a FGV-Rio, no Rio de Janeiro, além de UFV, UFMG e UFJF, em Minas Gerais.
O Nordeste aparece com a UFPE, em Recife, e a Ufersa, em Mossoró. A Região Sul é representada pela UFPR, em Curitiba.
Essa distribuição mostra uma concentração regional entre as instituições de maior taxa no recorte, mas não permite concluir, isoladamente, que determinada região ofereça uma formação jurídica superior. O levantamento compara taxas de aprovação no exame e não controla fatores como perfil dos estudantes, seletividade de ingresso, tamanho das turmas ou quantidade de candidatos de cada faculdade que efetivamente prestaram a prova.
As 10 faculdades que mais aprovam na OAB
Considerando os dados apresentados no levantamento, o ranking fica assim:
Insper — São Paulo (SP) — Privada: 93,0%
Unesp — Franca (SP): 74,1%
UFPE — Recife (PE): 73,3%
UFV — Viçosa (MG): 73,0%
Ufersa — Mossoró (RN): 72,6%
FGV-Rio — Rio de Janeiro (RJ) — Privada: 72,5%
UFMG — Belo Horizonte (MG): 72,4%
USP — São Paulo (SP): 72,3%
UFJF — Juiz de Fora (MG): 72,1%
UFPR — Curitiba (PR): 69,5%
A aprovação na OAB é relevante, mas não mede um curso inteiro
O Exame da OAB possui uma função específica: avaliar conhecimentos exigidos para que bacharéis em Direito obtenham inscrição profissional e possam exercer a advocacia. Uma taxa elevada de aprovação pode, portanto, ser um dado relevante para estudantes interessados nessa trajetória.
Mas transformar esse indicador em um ranking definitivo das melhores faculdades de Direito seria ir além do que os números permitem afirmar.
Uma graduação jurídica também pode ser analisada por critérios como qualidade e perfil do corpo docente, produção acadêmica, oportunidades de pesquisa, internacionalização, estrutura curricular, inserção profissional, desempenho em carreiras públicas, infraestrutura e experiência dos estudantes.
Além disso, nem todos os formados em Direito pretendem seguir a advocacia. Parte dos graduados busca concursos públicos, carreira acadêmica, funções corporativas ou outros caminhos nos quais a aprovação no exame não ocupa necessariamente o mesmo peso.
Por isso, o dado mais relevante talvez esteja menos na ordem exata entre as dez primeiras colocadas e mais no contexto geral do levantamento: entre as instituições consideradas, somente 50 conseguiram ultrapassar a marca de 50% de aprovação.
O número ajuda a dimensionar o grau de concentração dos resultados, mas, assim como as diferenças entre as instituições do Top 10, deve ser interpretado dentro dos limites da base utilizada.
Metodologia
Os dados apresentados foram publicados pelo Quero Bolsa em 2025, com base em informações do Ranking Universitário Folha (RUF) e na divulgação paralela de algumas instituições.
No caso do Insper, o percentual de 93% foi divulgado e comprovado pela própria instituição. Como o curso de Direito do Insper é relativamente recente e possui uma amostra de alunos e egressos consideravelmente menor do que a de universidades tradicionais, sua comparação direta com os demais resultados exige cautela.
O levantamento informa ainda que apenas 50 faculdades de Direito conseguiram aprovar mais da metade de seus alunos no Exame da OAB.
As taxas de aprovação representam somente um dos possíveis indicadores para avaliar uma graduação em Direito. O ranking, portanto, não deve ser interpretado como uma classificação das melhores faculdades de Direito do Brasil, mas como uma comparação específica dos percentuais de aprovação apresentados.
Fonte: Quero Bolsa / Ranking Universitário Folha (RUF) e dados divulgados pelo Insper.
