Entrar no mercado financeiro brasileiro não significa seguir uma única trajetória acadêmica. Bancos de investimento, gestoras de recursos, corretoras e boutiques de M&A reúnem profissionais de diferentes universidades e formações — e o peso de cada uma delas varia de acordo com a empresa analisada.
Para entender quais instituições e cursos aparecem com maior frequência nesse universo, o The College analisou dados do LinkedIn People Insights referentes a 15 empresas do setor. A amostra compilada reúne 35.358 funcionários de companhias que vão de grandes plataformas, como XP Inc. e BTG Pactual, a estruturas mais enxutas, como IGC Partners e G5 Partners.
O resultado não estabelece qual é a “melhor” faculdade para trabalhar no mercado financeiro. Ele mostra, a partir dos dados disponíveis no LinkedIn, quais formações aparecem com maior frequência entre os profissionais dessas empresas.
No consolidado, a FGV ocupa a primeira posição entre as instituições de ensino, seguida por Mackenzie, Insper, Ibmec e USP. Entre os cursos, Economia aparece na liderança, à frente de Administração e Gestão Empresarial.
FGV lidera em dois terços das empresas analisadas
Um dos padrões mais claros do levantamento está na recorrência da Fundação Getulio Vargas.
Em 10 das 15 empresas analisadas, a FGV é a instituição de ensino mais frequente entre os funcionários identificados pelo LinkedIn People Insights. Isso acontece na XP Inc., BTG Pactual, Itaú BBA, Banco ABC Brasil, Genial Investimentos, Patria Investments, Bradesco BBI, Rabobank Brasil, BR Partners e IGC Partners.
A concentração, porém, varia de forma significativa.
Na XP Inc., que possui 12.863 funcionários considerados na análise, 6,7% estudaram na FGV. Já na IGC Partners, uma boutique com 199 funcionários, a participação chega a 21,6%. No Itaú BBA, são 14,5%; no Bradesco BBI, 12,8%; e na BR Partners, 13,4%.
Essas diferenças são relevantes porque mostram que a presença de determinada universidade também varia conforme o perfil e o tamanho de cada organização.
A FGV, porém, não domina todo o levantamento. A PUC-Rio aparece como instituição mais comum na Vinci Compass, com 7,2%, e na JGP, com 13,3%. O Insper lidera na Galapagos Capital, com 16,7%, e na G5 Partners, com 13,8%. No Banco Master, a Universidade Paulista é a instituição mais frequente, com 7,0%.
No compilado das 15 empresas, as cinco instituições que mais aparecem são, nesta ordem:
FGV
Mackenzie
Insper
Ibmec
USP
A composição também evidencia a forte presença de instituições localizadas em São Paulo entre os profissionais da amostra, embora empresas sediadas no Rio de Janeiro apresentem padrões diferentes. Na Vinci Compass e na JGP, por exemplo, a PUC-Rio ocupa o primeiro lugar.
Economia é o curso mais recorrente, mas Administração lidera em parte dos bancos
A concentração também aparece quando o levantamento é analisado pelo curso de formação.
Economia é o curso mais comum em 10 das 15 empresas: XP Inc., BTG Pactual, Vinci Compass, Genial Investimentos, Bradesco BBI, Galapagos Capital, JGP, BR Partners, IGC Partners e G5 Partners.
Entre elas, a maior participação registrada ocorre no Bradesco BBI, onde 19,6% dos profissionais analisados cursaram Economia. Na Galapagos Capital, a proporção é de 17,2%; na G5 Partners, 16,4%; e na IGC Partners, 16,1%.
Mas Economia está longe de ser a única formação relevante.
Administração ocupa a primeira posição no Itaú BBA, com 14,2%; no Banco ABC Brasil, com 12,4%; na Patria Investments, com 15,2%; e no Rabobank Brasil, com 16,1%.
O Banco Master é a principal exceção ao padrão observado nas demais empresas. Direito é o curso mais comum entre os profissionais identificados, com 1,3%. A empresa também apresenta uma distribuição acadêmica consideravelmente mais dispersa do que a maioria das instituições financeiras da amostra.
No consolidado das 15 companhias, os cursos aparecem na seguinte ordem:
Economia
Administração
Gestão Empresarial
Finanças
Tecnologia da Informação
Comércio e Negócios
Ciência da Computação
Ciência Computacional
Outros
Os dados indicam uma concentração importante em formações ligadas a economia, negócios e gestão, mas também registram a presença de cursos de tecnologia e computação.
Isso não significa que cursar Economia ou Administração aumente, por si só, a probabilidade de conseguir uma vaga no setor. O levantamento identifica a composição atual da amostra analisada e não estabelece relação de causalidade entre uma graduação e a entrada no mercado financeiro.
Finanças domina as áreas de atuação — com algumas exceções
Quando a análise deixa a formação acadêmica e passa para a atividade profissional, a concentração fica ainda mais evidente.
Finanças é a área mais comum em 12 das 15 empresas, sem considerar o empate registrado no Banco Master.
A participação chega a 49,4% no Bradesco BBI, a maior proporção observada entre as empresas analisadas. Na Galapagos Capital, são 46,0%; na G5 Partners, 45,3%; na BR Partners, 42,9%; no Itaú BBA, 38,5%; e na XP Inc., 37,3%.
Há, novamente, exceções que ajudam a mostrar a diversidade de modelos de negócio dentro do próprio mercado financeiro.
Na Vinci Compass, Operações é a área mais frequente, com 28,7%. Na IGC Partners, Desenvolvimento de Negócios ocupa a liderança, com 41,2%. No Banco Master, Finanças e Operações aparecem empatadas como áreas mais comuns; o levantamento registra 1,7% dos funcionários na categoria de Finanças.
No compilado geral das empresas, as principais áreas de atuação aparecem na seguinte ordem:
Finanças
Desenvolvimento de Negócios
Tecnologia da Informação
Operações
Vendas
Engenharia
Suporte ao Cliente
Administrativo
Outros
A presença de Tecnologia da Informação entre as primeiras posições também chama atenção. O setor financeiro emprega profissionais muito além das funções tradicionalmente associadas a Investment Banking, gestão de recursos ou análise de investimentos, especialmente em organizações de maior escala.
O retrato das 15 instituições analisadas
Os destaques de cada empresa ajudam a mostrar como os perfis acadêmicos e profissionais mudam dentro do setor:
XP Inc. — 12.863 funcionários: FGV (6,7%), Finanças (37,3%) e Economia (9,7%).
BTG Pactual — 9.553 funcionários: FGV (7,5%), Finanças (28,8%) e Economia (9,9%).
Itaú BBA — 5.289 funcionários: FGV (14,5%), Finanças (38,5%) e Administração (14,2%).
Banco ABC Brasil — 1.852 funcionários: FGV (11,4%), Finanças (24,9%) e Administração (12,4%).
Vinci Compass — 1.195 funcionários: PUC-Rio (7,2%), Operações (28,7%) e Economia (10,5%).
Genial Investimentos — 1.096 funcionários: FGV (9,9%), Finanças (33,0%) e Economia (11,6%).
Patria Investments — 958 funcionários: FGV (11,1%), Finanças (36,2%) e Administração (15,2%).
Bradesco BBI — 541 funcionários: FGV (12,8%), Finanças (49,4%) e Economia (19,6%).
Rabobank Brasil — 485 funcionários: FGV (13,6%), Finanças (29,9%) e Administração (16,1%).
Galapagos Capital — 430 funcionários: Insper (16,7%), Finanças (46,0%) e Economia (17,2%).
JGP — 324 funcionários: PUC-Rio (13,3%), Finanças (19,1%) e Economia (15,4%).
Banco Master — 299 funcionários: Universidade Paulista (7,0%), Finanças/Operações como áreas mais comuns e Direito como curso mais frequente (1,3%).
BR Partners — 231 funcionários: FGV (13,4%), Finanças (42,9%) e Economia (14,3%).
IGC Partners — 199 funcionários: FGV (21,6%), Desenvolvimento de Negócios (41,2%) e Economia (16,1%).
G5 Partners — 159 funcionários: Insper (13,8%), Finanças (45,3%) e Economia (16,4%).
A comparação evidencia uma diferença importante entre instituições maiores e menores. Enquanto algumas boutiques apresentam concentrações superiores a 40% em uma única área profissional e acima de 20% em uma universidade, empresas com milhares de funcionários tendem a apresentar uma composição mais distribuída.
Isso não permite afirmar que empresas menores recrutem necessariamente de forma mais concentrada: os próprios limites da base impedem esse tipo de conclusão. O que os dados mostram é apenas uma concentração maior dentro dos perfis disponíveis para determinadas empresas.
O levantamento é um retrato do mercado, não um guia de contratação
Para quem considera uma carreira no mercado financeiro, os dados ajudam a visualizar quais formações estão presentes em algumas das principais instituições do setor. Ao mesmo tempo, interpretar o levantamento como uma lista de faculdades que “garantem” entrada nessas empresas seria extrapolar o que a base permite concluir.
O próprio conceito de mercado financeiro abrange carreiras bastante distintas, de Investment Banking, M&A e DCM a Private Equity, Venture Capital, Asset Management, assessoria de investimentos e Private Banking. Uma instituição ou formação recorrente em um banco de investimento pode ter peso diferente em outras frentes do setor.
O retrato também deixa uma informação relevante: mesmo diante da forte recorrência de alguns nomes — especialmente FGV, Economia e Administração — nenhuma instituição ou graduação domina isoladamente todo o mercado analisado.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir de estimativas do LinkedIn People Insights, considerando 15 instituições financeiras e 35.358 funcionários.
A análise utiliza dados disponíveis em perfis públicos no LinkedIn e, portanto, não representa informações oficiais ou auditadas das empresas. Os números devem ser interpretados como estimativas e indicadores de tendência.
O LinkedIn People Insights apresenta apenas os cinco principais resultados em determinadas categorias, o que significa que os dados representam as ocorrências de maior destaque, e não necessariamente a distribuição completa dos funcionários.
As instituições de ensino identificadas também não correspondem exclusivamente à graduação. Os perfis podem incluir MBA, mestrado, pós-graduação e outros cursos realizados ao longo da carreira.
A base pode conter informações desatualizadas, ex-funcionários ou dados declarados incorretamente pelos próprios usuários.
Alguns participantes relevantes do mercado, especialmente bancos estrangeiros como Morgan Stanley, JP Morgan e Goldman Sachs, não foram incluídos porque os dados disponíveis no LinkedIn são globais e não permitem isolar com precisão os profissionais da operação brasileira.
Além disso, empresas de maior porte podem reunir um número expressivo de funcionários em áreas operacionais ou funções fora do core financeiro, influenciando sua composição.
Por essas razões, o levantamento do The College não pretende definir a melhor faculdade, o melhor curso ou o caminho ideal para ingressar no mercado financeiro. A proposta é oferecer um panorama, baseado nos dados disponíveis, sobre onde estudaram e em quais áreas atuam profissionais de algumas das principais instituições do setor no Brasil.
Fonte: LinkedIn People Insights & The College.
Publicado em [12-04-2026]
