Em boa parte dos maiores grupos empresariais do Brasil, o comando ainda passa de uma geração para a outra. Entre as empresas familiares de grande porte, é comum encontrar um filho, sobrinho ou primo à frente da companhia, seja na presidência executiva, seja no conselho de administração.

O The College levantou onze desses sucessores, todos com um membro da família na presidência executiva ou no conselho da empresa hoje. A lista inclui Wesley Batista Filho (JBS), Pedro Moreira Salles (Itaú Unibanco), Alfredo Setubal (Itaúsa), Rubens Ometto (Cosan), André Gerdau Johannpeter (Gerdau), David Feffer (Suzano), Benjamin Steinbruch (CSN), Frederico Trajano (Magalu), Daniel Randon (Randoncorp), Carlos Jereissati Filho (Iguatemi) e Daniela Beyruti (SBT).

Administração é a formação mais frequente

Seis dos onze estudaram Administração. Quatro se formaram na FGV: Alfredo Setubal, Frederico Trajano, Benjamin Steinbruch e Carlos Jereissati Filho. Também aparecem a PUCRS (Gerdau), a Poli-USP (Cosan), a UCS (Randoncorp), a UCLA (Itaú) e a Regent University (SBT).

A concentração em Administração combina com o perfil de quem assume o comando de uma empresa grande. Ainda assim, a lista não mostra um caminho único: há engenheiros, economistas e um profissional de comunicação entre os sucessores.

Nem todo sucessor concluiu a formação

Wesley Batista Filho cursou graduação nos Estados Unidos, na Colorado State University, e não concluiu. Ele fez carreira dentro da JBS, a partir da linha de produção, e hoje é CEO da JBS USA. O caso mostra que, nesses grupos, a trajetória interna também conta, e não apenas o diploma.

Pedro Moreira Salles tem graduação em Economia e História pela UCLA, com magna cum laude. Já David Feffer é o caso mais limitado da lista: a Suzano informa, em documento oficial, que ele estudou Administração no Brasil, sem citar a instituição nem dizer se concluiu o curso.

Os nomes que ficaram de fora

Outros três nomes foram excluídos porque não foi possível confirmar a formação em fonte oficial: Ivens Dias Branco Jr. (M. Dias Branco), David Safra (Banco Safra) e Paulo Marinho (Globo). Nesses casos, as informações disponíveis eram conflitantes ou vinham de uma única fonte, e o The College preferiu não publicar um dado que não pudesse sustentar.

Cursos executivos de curta duração também ficaram de fora da contagem. Programas de universidades estrangeiras feitos por executivos, como os de Harvard, Wharton ou Columbia, não entraram como formação acadêmica, mesmo quando aparecem no currículo público dos sucessores.

O que os dados permitem observar

O levantamento não mede competência nem desempenho à frente da empresa. Ele mostra apenas o currículo acadêmico de quem ocupa o topo desses grupos hoje. Com essa limitação, o padrão mais forte é o da graduação em escolas de negócios e de administração, com FGV e universidades do Sul e Sudeste à frente.

A pergunta que o levantamento deixa aberta é se o currículo pesa mais do que o sobrenome na escolha do sucessor. Os dados não respondem isso, porque não há como comparar os sucessores com outros executivos que não chegaram ao comando por herança.

Metodologia

Critério da lista: grupos familiares entre os maiores do país, com um membro da família hoje na presidência executiva ou no conselho da empresa.

Formação considerada: graduação, pós-graduação, MBA, mestrado e doutorado. Cursos executivos de curta duração ficaram fora.

Fontes: formulários 20-F entregues à SEC (a agência reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos), sites de relações com investidores das empresas e imprensa. Quando a informação vinha só de imprensa, ela foi tratada como fonte secundária, e o caso foi sinalizado ou excluído.

Limitações: a Magalu e a SBT não entregam 20-F, e a SBT é uma empresa fechada, sem documento público equivalente. Por isso, parte das informações desses dois casos vem de imprensa. A formação de David Feffer está incompleta por falta de instituição e de conclusão informadas pela empresa.

Fonte: formulários 20-F (SEC), sites de RI das empresas e imprensa. Elaboração: The College.