Escolher uma graduação envolve muito mais do que comparar salários iniciais. O custo para concluir o curso, o tempo necessário para recuperar o investimento e a diferença de renda acumulada ao longo da carreira também ajudam a dimensionar o impacto financeiro de um diploma.

Um levantamento da Education Data Initiative buscou justamente medir essa relação no mercado norte-americano. O estudo compara o investimento necessário para concluir diferentes cursos de graduação com os ganhos adicionais que esses diplomas podem proporcionar durante 40 anos de vida profissional.

A análise considera despesas como mensalidades, taxas universitárias, moradia, alimentação e juros de financiamentos estudantis. Em seguida, estima quanto cada formação acrescenta aos rendimentos do profissional em relação a alguém que possui apenas o ensino médio.

Entre os oito cursos com maior retorno sobre o investimento, o ROI projetado varia de 1.226% a 1.842%. Administração ocupa a primeira posição, mas não é o curso que gera o maior retorno líquido absoluto. Nesse critério, a liderança pertence à Engenharia da Computação, com US$ 5,28 milhões adicionais ao longo da vida profissional.

Administração lidera em ROI, mas Engenharia da Computação gera o maior retorno líquido

Administração aparece no topo do ranking, com retorno sobre o investimento de 1.842%. Segundo o levantamento, o curso apresenta retorno líquido estimado de US$ 4,18 milhões e um período de 5 anos para que o investimento na graduação seja recuperado.

Logo atrás está Ciência da Computação, com ROI de 1.753%, retorno líquido de US$ 4,19 milhões e payback também de 5 anos.

A diferença entre as primeiras posições mostra por que o percentual de ROI não deve ser confundido com o valor financeiro absoluto gerado pelo diploma. Engenharia da Computação, terceira colocada com ROI de 1.744%, entrega o maior retorno líquido entre todas as formações analisadas: US$ 5,28 milhões. O tempo estimado para recuperar o investimento é de 6 anos.

Isso significa que um curso pode acrescentar mais renda durante a carreira e, ainda assim, apresentar um ROI percentual inferior ao de outra graduação. O indicador relaciona os benefícios financeiros estimados ao custo necessário para obter o diploma, e não apenas o total de ganhos acumulados.

Tecnologia, economia e engenharias dominam as primeiras posições

A composição do ranking revela uma concentração bastante clara. Tecnologia aparece em Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Sistemas de Informação e Estatística. As engenharias também têm forte presença, com três cursos entre os oito primeiros: Engenharia da Computação, Engenharia Elétrica e Engenharia Química.

Economia, Ciências Contábeis e Administração completam a lista, ampliando a presença de formações ligadas a negócios, finanças e análise quantitativa.

Economia ocupa a quarta colocação, com ROI de 1.708%, retorno líquido de US$ 4,15 milhões e payback de apenas 5 anos — o mesmo período registrado por Administração e Ciência da Computação.

Na quinta posição aparece Engenharia Elétrica, com ROI de 1.515% e retorno líquido de US$ 4,59 milhões. O investimento inicial é recuperado, em média, após 6 anos.

Esses números mostram que as primeiras posições combinam dois elementos diferentes: elevados ganhos adicionais ao longo de 40 anos e um prazo relativamente curto para compensar financeiramente o custo da graduação.

O tempo para recuperar o investimento varia de 5 a 8 anos

O payback também ajuda a diferenciar os cursos do ranking. Entre os oito primeiros, o prazo estimado para recuperar o investimento realizado na graduação varia entre 5 e 8 anos.

Administração, Ciência da Computação e Economia apresentam o menor período, de 5 anos. Engenharia da Computação e Engenharia Elétrica aparecem em seguida, com 6 anos.

Ciências Contábeis e Sistemas de Informação e Estatística levam 7 anos para atingir o ponto de equilíbrio. Já Engenharia Química, apesar de registrar um retorno líquido elevado de US$ 4,52 milhões, apresenta o maior prazo da lista: 8 anos.

O dado reforça outra diferença importante entre as métricas analisadas. Uma graduação pode gerar um volume expressivo de renda adicional durante a carreira e, ao mesmo tempo, exigir mais tempo para compensar seu custo inicial.

O ranking completo dos cursos com maior ROI

A lista da Education Data Initiative considera o retorno do diploma ao longo de 40 anos de vida profissional:

  1. Administração — ROI de 1.842%; retorno líquido de US$ 4,18 milhões; payback de 5 anos.

  2. Ciência da Computação — ROI de 1.753%; retorno líquido de US$ 4,19 milhões; payback de 5 anos.

  3. Engenharia da Computação — ROI de 1.744%; retorno líquido de US$ 5,28 milhões; payback de 6 anos.

  4. Economia — ROI de 1.708%; retorno líquido de US$ 4,15 milhões; payback de 5 anos.

  5. Engenharia Elétrica — ROI de 1.515%; retorno líquido de US$ 4,59 milhões; payback de 6 anos.

  6. Ciências Contábeis — ROI de 1.287%; retorno líquido de US$ 2,92 milhões; payback de 7 anos.

  7. Sistemas de Informação e Estatística — ROI de 1.283%; retorno líquido de US$ 2,91 milhões; payback de 7 anos.

  8. Engenharia Química — ROI de 1.226%; retorno líquido de US$ 4,52 milhões; payback de 8 anos.

Retorno financeiro não significa salário acumulado

Um dos principais cuidados na interpretação do levantamento está na definição de retorno líquido. Os valores de milhões de dólares apresentados no estudo não representam todo o salário recebido pelo profissional durante 40 anos.

Eles correspondem à parcela estimada dos rendimentos atribuída à obtenção do diploma, tomando como referência a diferença em relação aos ganhos de uma pessoa com apenas o ensino médio e descontando os custos associados à graduação.

Por isso, o levantamento não deve ser interpretado como uma projeção de quanto qualquer graduado necessariamente ganhará. Os números representam médias utilizadas para comparar o retorno econômico esperado de diferentes formações.

Instituição escolhida, localização, experiência profissional, especialização e trajetória individual podem modificar substancialmente os resultados.

Também não é possível concluir, apenas com esse ranking, que um determinado curso provoque salários mais altos ou melhores carreiras. Os dados mostram uma concentração de retornos elevados nessas formações dentro da metodologia analisada, mas não isolam todos os fatores que influenciam a renda profissional.

Os dados refletem o mercado dos Estados Unidos

Outro limite relevante é geográfico. Todo o estudo foi realizado a partir do contexto norte-americano, no qual custos universitários, estrutura de financiamento estudantil, salários, mercado de trabalho e retorno econômico de determinadas profissões diferem significativamente da realidade brasileira.

Assim, os percentuais de ROI e os valores em dólares não devem ser transferidos diretamente para o Brasil.

Ainda assim, o levantamento permite observar como diferentes cursos se comportam quando o valor econômico de uma graduação é analisado não apenas pelo salário, mas pela relação entre custo de formação, renda adicional acumulada e tempo necessário para recuperar o investimento.

Metodologia

Os dados são da Education Data Initiative, no estudo College Degree Return on Investment, em versão publicada em dezembro de 2024, com informações provenientes de instituições e órgãos ligados aos mercados educacional e profissional dos Estados Unidos.

O cálculo compara o custo necessário para concluir diferentes graduações com os ganhos adicionais estimados durante 40 anos de vida profissional. Entre os custos considerados estão mensalidades, taxas universitárias, moradia, alimentação e juros de financiamentos estudantis.

Para calcular o benefício econômico da graduação, o estudo estima quanto cada diploma acrescenta aos rendimentos em comparação com um trabalhador que possui apenas o ensino médio.

Os resultados são projeções médias e não representam rendimentos garantidos. Além disso, refletem exclusivamente o mercado dos Estados Unidos, o que limita sua aplicação direta a outros países.