Estudar fora do Brasil costuma ser associado, no imaginário mais comum, a universidades dos Estados Unidos, de Portugal, do Canadá ou de outros grandes centros acadêmicos da Europa. Quando o recorte passa a ser o número de brasileiros efetivamente matriculados no ensino superior, porém, o mapa é diferente.

Levantamento realizado pelo The College estima que Paraguai, Argentina e Bolívia estão entre os quatro países com mais brasileiros cursando faculdade no exterior. O Paraguai aparece isolado na liderança, com aproximadamente 45 mil estudantes — mais do que Portugal e Estados Unidos somados.

A distribuição mostra que a mobilidade universitária brasileira não se concentra apenas nos destinos tradicionalmente associados a intercâmbio internacional. Países vizinhos têm peso relevante nesse fluxo, especialmente em trajetórias ligadas à Medicina, enquanto Europa e América do Norte reúnem grupos de estudantes com perfis mais variados.

Ao todo, os 16 destinos analisados concentram cerca de 152,6 mil brasileiros matriculados no ensino superior.

América do Sul domina as primeiras posições

O principal destaque do levantamento está na presença sul-americana. Paraguai e Argentina ocupam, respectivamente, o primeiro e o segundo lugares, com 45 mil e 27,5 mil estudantes brasileiros. A Bolívia aparece na quarta posição, com 17,5 mil.

Somados, apenas esses três países recebem cerca de 90 mil brasileiros no ensino superior. O número ajuda a dimensionar como a circulação acadêmica entre países vizinhos tem um peso expressivo dentro da amostra analisada.

Segundo o contexto reunido pelo The College, parte dessa concentração está relacionada à procura de brasileiros por cursos de Medicina, além de fatores como mensalidades mais acessíveis, processos de entrada menos restritivos e proximidade geográfica.

Essas características ajudam a explicar por que o ranking não segue necessariamente a mesma lógica dos destinos mais lembrados quando se fala em intercâmbio. O levantamento mede presença no ensino superior, e não popularidade turística, reputação acadêmica ou preferência declarada dos estudantes.

Paraguai sozinho supera Portugal e Estados Unidos somados

A distância do primeiro colocado também chama atenção. Com 45 mil estudantes brasileiros, o Paraguai tem uma população universitária brasileira estimada superior à soma de Portugal, com 19 mil, e Estados Unidos, com 17 mil.

Argentina, segunda colocada, também aparece com vantagem considerável sobre os destinos seguintes: são 27,5 mil brasileiros matriculados no país.

Portugal ocupa o terceiro lugar e é o primeiro destino fora da América do Sul na lista. Com 19 mil estudantes, permanece como um dos principais polos para brasileiros no exterior. Diferentemente da concentração sul-americana associada especialmente à Medicina, o país aparece no levantamento como um destino de perfil mais diversificado.

Na sequência estão Bolívia e Estados Unidos. Juntos, os cinco primeiros colocados — Paraguai, Argentina, Portugal, Bolívia e Estados Unidos — reúnem aproximadamente 126 mil estudantes brasileiros, o equivalente a cerca de 83% do total contabilizado entre os 16 destinos.

Essa concentração também significa que existe uma queda acentuada depois da quinta colocação. Enquanto os Estados Unidos aparecem com 17 mil estudantes, a França, sexta colocada, registra 5,3 mil.

Europa tem mais destinos no ranking, mas números individuais menores

A Europa é a região com maior variedade de países representados entre os 16 primeiros. Além de Portugal, aparecem França, Alemanha, Itália, Espanha, Países Baixos, Reino Unido, Suíça e Irlanda.

A distribuição, porém, é bastante pulverizada. Depois dos 19 mil estudantes em Portugal, nenhum outro país europeu ultrapassa 6 mil brasileiros matriculados.

A França aparece em sexto lugar, com 5,3 mil estudantes, seguida por Alemanha e Itália, ambas com 4 mil. A Espanha ocupa a décima posição, com 3 mil.

Na parte inferior da lista aparecem Países Baixos, com 1,5 mil; Reino Unido, com 1,2 mil; Suíça, com 1 mil; e Irlanda, com 700.

O resultado mostra duas características distintas dentro do mesmo ranking: enquanto poucos países da América do Sul concentram grandes contingentes de brasileiros, a Europa reúne um número maior de destinos, mas com populações estudantis menores em cada um deles — com Portugal como principal exceção.

Canadá aparece atrás da França

Outro dado que contrasta com a percepção mais comum sobre estudos internacionais é a posição do Canadá. O país ocupa apenas o sétimo lugar, com aproximadamente 4,5 mil brasileiros no ensino superior.

Isso o coloca atrás não apenas dos cinco grandes destinos do ranking, mas também da França, que registra cerca de 5,3 mil.

Alemanha e Itália aparecem logo depois, empatadas em 4 mil estudantes brasileiros cada. A Espanha fecha o grupo dos dez primeiros com 3 mil.

Na parte final do ranking, todos os destinos possuem menos de 2 mil brasileiros matriculados. Japão, Irlanda e Austrália são os três últimos colocados entre os países analisados, com 750, 700 e 700 estudantes, respectivamente.

Ranking completo: onde estudam os brasileiros fora do país

O levantamento do The College chegou à seguinte estimativa de estudantes brasileiros matriculados no ensino superior em cada destino:

  1. Paraguai — 45.000 estudantes

  2. Argentina — 27.500

  3. Portugal — 19.000

  4. Bolívia — 17.500

  5. Estados Unidos — 17.000

  6. França — 5.300

  7. Canadá — 4.500

  8. Alemanha — 4.000

  9. Itália — 4.000

  10. Espanha — 3.000

  11. Países Baixos — 1.500

  12. Reino Unido — 1.200

  13. Suíça — 1.000

  14. Japão — 750

  15. Irlanda — 700

  16. Austrália — 700

O total estimado para os 16 destinos é de aproximadamente 152,6 mil estudantes brasileiros.

O ranking mostra diferentes formas de estudar fora

Os dados ajudam a ampliar a interpretação sobre mobilidade acadêmica internacional. O brasileiro que faz uma graduação no exterior não está necessariamente seguindo o modelo mais conhecido de estudar em uma universidade norte-americana, britânica ou canadense.

Dentro do recorte analisado, a proximidade regional tem um peso expressivo. Três países da América do Sul aparecem entre os quatro primeiros colocados e concentram dezenas de milhares de estudantes.

Ao mesmo tempo, a presença de nove destinos europeus entre os 16 primeiros mostra uma dispersão geográfica relevante. Portugal ocupa posição de destaque, enquanto países como França, Alemanha, Itália e Espanha formam contingentes menores, mas ainda significativos.

Esses números, porém, não permitem concluir que um país seja necessariamente “melhor” ou “mais atraente” do que outro para estudar. O tamanho da população brasileira matriculada pode refletir fatores muito diferentes, como tipo de curso procurado, custos, regras de ingresso, proximidade, idioma e características específicas de cada sistema educacional.

Metodologia

O ranking é baseado em estimativas compiladas pelo The College sobre estudantes brasileiros matriculados no ensino superior em cada país. Os 16 destinos analisados somam cerca de 152,6 mil estudantes.

Não existe uma base mundial única e padronizada que contabilize brasileiros matriculados no ensino superior por país. Por isso, os dados disponíveis podem vir de governos, universidades, consulados e organismos internacionais, utilizando períodos e metodologias diferentes.

Também existem diferenças relevantes entre as estatísticas nacionais. Em alguns países, cursos de idioma podem entrar nas categorias de estudantes internacionais. Em outros, brasileiros com dupla cidadania podem não ser identificados nas bases como estudantes brasileiros.

Por essas razões, os números devem ser interpretados como uma estimativa da presença universitária brasileira no exterior, e não como uma contagem oficial e definitiva. O levantamento permite identificar a ordem de grandeza dos principais destinos e padrões de concentração, mas não elimina as diferenças metodológicas existentes entre as fontes utilizadas.