A escolha de uma graduação costuma envolver afinidade, perspectivas profissionais, remuneração e possibilidades de carreira. Mas um dado particularmente relevante para quem está decidindo o que estudar é o que acontece depois da formação: qual é a proporção de graduados que efetivamente consegue exercer uma atividade remunerada?
Um levantamento do Instituto Semesp, divulgado pela CNN Brasil, ajuda a dimensionar essa questão. A pesquisa reuniu respostas de 5.681 pessoas formadas em cursos de graduação de 178 instituições brasileiras, entre 9 de agosto e 1º de setembro de 2024.
Na pesquisa original, foram apresentados os 20 cursos com os maiores percentuais de formados que declararam não exercer atividade remunerada. Para este recorte, o The College selecionou os 15 cursos de bacharelado e licenciatura presentes na lista, excluindo as graduações tecnológicas.
História aparece na primeira posição, com 31,6% dos graduados da amostra sem atividade remunerada. Relações Internacionais, com 29,4%, e Serviço Social, com 28,6%, completam as três primeiras posições.
Os números oferecem um retrato relevante sobre a transição entre ensino superior e mercado de trabalho, mas exigem uma ressalva importante: o indicador apresentado pela pesquisa corresponde à parcela de entrevistados que afirmou não exercer atividade remunerada. Portanto, não deve ser interpretado automaticamente como uma taxa oficial de desemprego nos mesmos moldes dos indicadores produzidos para toda a população brasileira.
Os três primeiros cursos se aproximam dos 30%
A distância entre História, primeira colocada, e Serviço Social, terceiro curso da lista, é de apenas 3 pontos percentuais.
História registra o maior percentual do levantamento, com 31,6%. Em seguida aparece Relações Internacionais, com 29,4%, e Serviço Social, com 28,6%. Isso significa que, dentro da amostra analisada, aproximadamente três em cada dez graduados nessas áreas declararam não exercer atividade remunerada.
A partir da quarta posição, os percentuais começam a cair de maneira mais acentuada. Enfermagem aparece com 24,5%, seguida por Química, com 22,2%, e Nutrição, com 22%.
Agronomia ocupa a sétima colocação, com 18,2%, criando uma nova distância em relação ao grupo imediatamente anterior.
Os resultados não permitem afirmar, isoladamente, por que cada curso apresenta determinado percentual. Questões como quantidade de vagas disponíveis, localização das oportunidades, momento econômico, necessidade de especialização e características próprias de cada profissão podem influenciar a inserção profissional, mas seriam necessárias análises específicas para estabelecer o peso de cada fator.
Da oitava posição em diante, diferenças são menores
A segunda metade do ranking apresenta uma concentração maior dos percentuais.
Pedagogia, na oitava posição, registra 15,1%, enquanto Direito aparece logo abaixo, com 15%. Psicologia tem 14,6% e Odontologia, 14,2%. Biologia também aparece próxima, com 14%.
As três últimas posições têm diferenças ainda menores: Fisioterapia registra 13,9%, Administração, 13,5%, e Biomedicina fecha o recorte com 13,4%.
Entre Pedagogia, oitava colocada, e Biomedicina, 15ª, a diferença é de apenas 1,7 ponto percentual. Já entre História e Biomedicina, os extremos do ranking selecionado pelo The College, a distância chega a 18,2 pontos percentuais.
Essa distribuição mostra que o ranking não é composto por grupos completamente homogêneos. Há uma diferença expressiva entre os primeiros colocados e a parte inferior da lista, enquanto diversos cursos situados entre a oitava e a 15ª posições aparecem separados por poucos décimos de ponto percentual.
O ranking reúne áreas profissionais muito diferentes
Outro aspecto que chama atenção é a diversidade das formações presentes.
O recorte inclui cursos ligados às Ciências Humanas, como História e Relações Internacionais; carreiras da saúde, como Enfermagem, Nutrição, Psicologia, Odontologia, Fisioterapia e Biomedicina; áreas de Ciências da Natureza, como Química e Biologia; além de Direito, Administração, Agronomia, Serviço Social e Pedagogia.
Essa diversidade impede uma interpretação simples segundo a qual determinado campo do conhecimento, isoladamente, teria maior dificuldade de absorção profissional.
A saúde, por exemplo, aparece diversas vezes na lista, mas com percentuais bastante diferentes: Enfermagem registra 24,5%, enquanto Biomedicina aparece com 13,4%. O mesmo cuidado vale para comparar profissões com mercados, exigências regulatórias e possibilidades de atuação muito distintos.
Também não é possível concluir, a partir desses dados, que escolher um curso presente no ranking necessariamente resultará em desemprego. A pesquisa apresenta proporções observadas dentro de uma amostra específica de graduados. Experiência profissional, localização, instituição de ensino, especializações, estágio, networking e condições econômicas podem produzir trajetórias bastante diferentes entre pessoas com a mesma graduação.
Ranking completo: os 15 cursos com maior índice no recorte
Considerando exclusivamente os cursos de bacharelado e licenciatura selecionados pelo The College a partir dos dados publicados pela CNN Brasil, o ranking é:
História — 31,6%
Relações Internacionais — 29,4%
Serviço Social — 28,6%
Enfermagem — 24,5%
Química — 22,2%
Nutrição — 22,0%
Agronomia — 18,2%
Pedagogia — 15,1%
Direito — 15,0%
Psicologia — 14,6%
Odontologia — 14,2%
Biologia — 14,0%
Fisioterapia — 13,9%
Administração — 13,5%
Biomedicina — 13,4%
O percentual representa a proporção de pessoas formadas em cada área que, dentro da amostra analisada, declararam não exercer atividade remunerada.
Empregabilidade é uma variável importante na escolha da graduação
O levantamento também chama atenção para uma discussão mais ampla sobre orientação profissional.
Escolher uma graduação significa tomar uma decisão que pode envolver anos de estudo e um investimento significativo de tempo e dinheiro. Nesse processo, informações sobre currículo, afinidade com a profissão e qualidade da instituição são importantes, mas dados sobre demanda profissional, possibilidades de atuação, remuneração e empregabilidade também ajudam a construir uma visão mais completa do curso.
Isso não significa que a graduação com menor índice de pessoas sem atividade remunerada seja necessariamente a melhor escolha para todos. Tampouco os dados permitem reduzir o valor de determinada formação apenas ao seu desempenho no mercado de trabalho.
O que o recorte evidencia é que a transição entre universidade e emprego varia significativamente entre as áreas. Entre os cursos selecionados, o percentual vai de 13,4% em Biomedicina a 31,6% em História — uma diferença suficientemente ampla para mostrar que a inserção profissional após a graduação não acontece da mesma maneira em todas as carreiras.
Metodologia
Os dados têm como fonte levantamento do Instituto Semesp, divulgado pela CNN Brasil. A pesquisa reuniu respostas de 5.681 formados em cursos de graduação de 178 instituições brasileiras, coletadas entre 9 de agosto e 1º de setembro de 2024.
Entre os entrevistados, 96,9% se formaram em instituições privadas, 68,3% tinham até 34 anos e 88% concluíram a graduação na modalidade presencial.
A publicação original da CNN Brasil apresentou os 20 cursos com maiores percentuais de formados que não exercem atividade remunerada. Para este conteúdo, o The College selecionou os 15 cursos de bacharelado e licenciatura presentes nesse conjunto, excluindo os cursos tecnólogos.
Por se tratar de uma pesquisa baseada em uma amostra específica, com forte predominância de egressos de instituições privadas, os resultados não devem ser interpretados como uma taxa oficial de desemprego de todos os graduados brasileiros em cada área.
