O ingresso em parte relevante dos programas acadêmicos de pós-graduação em Economia no Brasil passa pelo Exame Nacional de Seleção da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC). Além de servir como processo seletivo para diferentes instituições, o exame permite observar quais centros despertam maior interesse entre os candidatos.
Em 2019, 53 programas participantes ofereceram, juntos, 864 vagas. No momento da inscrição, porém, cada candidato podia indicar até seis centros diferentes. Por isso, os números de concorrência não representam necessariamente seis pessoas distintas disputando cada conjunto de vagas: uma mesma pessoa podia aparecer na demanda de vários programas.
Ainda assim, os dados oferecem um retrato da preferência declarada pelos candidatos naquele processo seletivo. Entre os programas de mestrado, a USP/FEA-SP ficou na primeira posição, com 20,32 indicações por vaga. No doutorado, a liderança foi da UFSC, com 20,33 — praticamente o mesmo índice registrado pela primeira colocada do mestrado, mas com uma distância significativamente maior em relação às demais instituições de sua categoria.
No mestrado, os primeiros colocados estão separados por pouco mais de uma indicação por vaga
A disputa entre os programas mais procurados de mestrado era bastante equilibrada no topo. A USP/FEA-SP registrou 20,32 candidatos indicados por vaga, enquanto a FGV-EESP apareceu logo atrás, com 19,70. A Unicamp completou as três primeiras posições com 19,33.
A diferença entre o primeiro e o terceiro colocado, portanto, era de menos de uma indicação por vaga. A PUC-Rio também aparecia muito próxima, com 19,06, seguida pelo UFMG/Cedeplar, com 18,80, e pela UnB, com 18,30.
O grupo revela uma característica importante: não havia uma única instituição concentrando sozinha a demanda. Entre as seis primeiras posições, os índices variavam de 18,30 a 20,32, uma faixa relativamente estreita diante do tamanho da concorrência.
A separação mais clara começa depois da FGV/EPGE, sétima colocada com 17,85 indicações por vaga. Na oitava posição, a UFSC aparecia com 12,60. A queda entre as duas era de 5,25 candidatos indicados por vaga.
UFPR, com 12,47, e USP/FEA-RP, com 11,45, completavam o grupo dos dez mestrados mais procurados.
São Paulo concentra o topo do mestrado, mas a lista é geograficamente diversa
Entre as três primeiras posições do mestrado, todas são de instituições do estado de São Paulo: USP/FEA-SP, FGV-EESP e Unicamp.
O restante do ranking, entretanto, distribui-se por diferentes regiões do país. A PUC-Rio e a FGV/EPGE representam o Rio de Janeiro; UFMG/Cedeplar aparece por Minas Gerais; UnB, pelo Distrito Federal; UFSC, por Santa Catarina; e UFPR, pelo Paraná. A USP também aparece uma segunda vez, com o programa da FEA de Ribeirão Preto.
Outro ponto que chama atenção é a presença simultânea de universidades públicas e instituições privadas entre as primeiras posições. O dado, isoladamente, não permite atribuir a procura a fatores específicos como reputação, corpo docente, linhas de pesquisa ou localização. Ele mostra apenas quais programas receberam mais indicações em relação ao número de vagas oferecidas naquele processo.
No doutorado, a UFSC aparece muito à frente das demais
O cenário do doutorado é diferente. Enquanto o mestrado apresenta um bloco bastante próximo no topo, a UFSC liderava isoladamente, com 20,33 indicações para cada uma das seis vagas ofertadas.
A USP/FEA-RP, segunda colocada, registrou 12,88 candidatos por vaga. Isso significa que a concorrência da UFSC era quase 60% maior que a do programa seguinte.
Depois dela, três instituições aparecem empatadas nominalmente em 12,00 candidatos por vaga: UEM, UFPR e UFBA. Como a lista apresentada pela ANPEC posiciona UEM em terceiro, UFPR em quarto e UFBA em quinto, a ordem foi preservada no levantamento.
A UFJF vinha na sequência com 10,63 candidatos por vaga, seguida por UFU, com 10,10, e UFPB, com 10,00.
As duas últimas posições mostram uma nova queda mais acentuada. A UFC aparecia em nono lugar, com 6,53 indicações por vaga, e a UFPE encerrava o top 10 com 6,50.
Também chama atenção a composição institucional: as dez posições do ranking de doutorado são ocupadas por universidades públicas.
Ranking completo dos mestrados de Economia mais concorridos
Considerando a relação entre indicações recebidas e vagas oferecidas, estes eram os dez programas de mestrado com maior demanda no processo da ANPEC de 2019:
USP/FEA-SP — 25 vagas — 20,32 candidatos por vaga
FGV-EESP — 20 vagas — 19,70
Unicamp — 15 vagas — 19,33
PUC-Rio — 17 vagas — 19,06
UFMG/Cedeplar — 15 vagas — 18,80
UnB — 20 vagas — 18,30
FGV/EPGE — 20 vagas — 17,85
UFSC — 15 vagas — 12,60
UFPR — 15 vagas — 12,47
USP/FEA-RP — 20 vagas — 11,45
Ranking completo dos doutorados de Economia mais concorridos
No doutorado, a relação entre indicações e vagas oferecidas ficou assim:
UFSC — 6 vagas — 20,33 candidatos por vaga
USP/FEA-RP — 8 vagas — 12,88
UEM — 6 vagas — 12,00
UFPR — 10 vagas — 12,00
UFBA — 6 vagas — 12,00
UFJF — 8 vagas — 10,63
UFU — 10 vagas — 10,10
UFPB — 10 vagas — 10,00
UFC — 15 vagas — 6,53
UFPE — 20 vagas — 6,50
Concorrência mostra interesse, não qualidade acadêmica
Os rankings oferecem uma fotografia interessante da demanda pelos programas, mas precisam ser interpretados dentro das limitações do processo da ANPEC.
Uma relação elevada de candidatos por vaga não significa, por si só, que um programa seja academicamente superior a outro. O indicador pode refletir diferentes combinações de preferência dos candidatos, número de vagas disponíveis, localização, perfil acadêmico e estratégia de escolha dentro do processo seletivo.
O caso da UFSC no doutorado ajuda a ilustrar esse ponto. O programa oferecia apenas seis vagas, e a relação entre número de indicações e quantidade de lugares disponíveis chegou a 20,33. Já a UFPE, com 20 vagas, registrava 6,50. Os números medem pressão relativa sobre as vagas ofertadas, e não uma avaliação direta da qualidade das instituições.
O mesmo cuidado vale para a comparação entre mestrado e doutorado. Os dois processos envolvem números distintos de vagas e perfis diferentes de candidatos. O dado mais seguro é observar, dentro de cada categoria, onde a demanda declarada se concentrou naquele ano.
Metodologia
O levantamento utiliza dados da ANPEC referentes ao processo seletivo de 2019. Naquele ano, 53 programas ofertaram 864 vagas.
Cada participante do Exame Nacional de Seleção podia indicar até seis centros diferentes no momento da inscrição. Dessa forma, uma mesma pessoa podia ser contabilizada na demanda de vários programas. A relação apresentada nesta matéria deve ser entendida, portanto, como o número de indicações por vaga, e não necessariamente como a quantidade de candidatos únicos disputando cada posição.
Foram utilizados os dados de 2019 porque não foi encontrada uma amostra mais recente, completa e comparável entre os programas em fontes consideradas suficientemente fidedignas para reproduzir o levantamento.
Os resultados representam a demanda observada naquele processo seletivo específico e não constituem um ranking de qualidade acadêmica dos programas.
Fonte: ANPEC, 2019.
