Quanto ganha um professor nos países que mais valorizam a carreira? O Education at a Glance 2026, relatório anual da OCDE, permite responder com uma base comparável: o salário bruto de um professor da rede pública, nos anos finais do ensino fundamental, com 15 anos de carreira.
Os valores são convertidos em dólares pela paridade de poder de compra (PPC), que ajusta o dinheiro ao custo de vida de cada país. Assim, a comparação mede quanto aquele salário compra, e não apenas o câmbio do dia.
Uma análise do The College a partir do relatório coloca Luxemburgo na liderança, com US$ 150,9 mil por ano. Holanda (US$ 115,2 mil) e Alemanha (US$ 111,8 mil) completam o pódio. O Brasil, cujo piso nacional equivale a cerca de US$ 27,1 mil por ano, aparece bem longe do grupo.
Luxemburgo paga quase o dobro do 10º colocado
A lista tem três degraus. No primeiro está Luxemburgo, sozinho: US$ 150,9 mil, US$ 35,7 mil acima da Holanda. É quase o dobro do salário da Irlanda, a 10ª colocada, com US$ 77,0 mil.
O segundo degrau reúne Holanda e Alemanha, separadas por apenas US$ 3,4 mil. Depois delas, o salário cai de uma vez: a Austrália, 4ª colocada, paga US$ 85,0 mil, quase US$ 27 mil a menos que a Alemanha.
Do 4º ao 10º lugar, a disputa é apertada. Austrália (US$ 85,0 mil), Canadá (US$ 84,2 mil), Áustria (US$ 83,9 mil), Dinamarca (US$ 80,5 mil), Estados Unidos (US$ 78,2 mil), Espanha (US$ 77,4 mil) e Irlanda (US$ 77,0 mil) cabem numa faixa de US$ 8 mil.
Sete dos dez países são europeus. As exceções são Austrália, Canadá e Estados Unidos.
Comparado ao próprio país, o salário muda de leitura
O valor em dólares diz quanto o professor ganha. Para entender o que isso significa em cada lugar, o The College comparou o salário com o salário mínimo e com a renda média de cada país.
Luxemburgo também lidera nessa leitura: o professor recebe 4,0 salários mínimos e 1,5 vez a renda média nacional. Holanda e Alemanha aparecem logo atrás, com 3,0 salários mínimos e 1,4 vez a renda média.
Os Estados Unidos são o caso mais curioso. O salário equivale a 5,2 salários mínimos federais, o maior múltiplo da lista, mas fica abaixo da renda média do país (0,9 vez). É o único dos dez em que o professor com 15 anos de carreira ganha menos que a renda média nacional.
Áustria e Dinamarca não têm salário mínimo nacional, e os pisos saem de acordos coletivos. Nos dois países, o professor recebe o equivalente à renda média (1,0 vez).
Os 15 anos de carreira pegam cada país num momento diferente
O recorte de 15 anos é útil para comparar, mas esconde estruturas de carreira muito diferentes. Em alguns países, o professor já chegou ao topo. Em outros, ainda está no meio do caminho.
No Canadá, a tabela é curta: do salário inicial ao teto em, no máximo, 10 anos. Na Austrália, o professor ganha o mesmo com 10 ou com 15 anos de carreira. Na Dinamarca, com 15 anos ele já está no teto. A Holanda leva 12 anos para chegar ao topo, com cerca do dobro do salário inicial.
Na outra ponta está a Irlanda, onde a progressão é lenta: em média, 35 anos até o topo da tabela.
O relatório também mostra que os rankings mudam conforme a etapa da carreira. Luxemburgo lidera tanto no salário inicial (US$ 109,4 mil) quanto no teto (US$ 190,1 mil). A Alemanha tem o 2º maior salário inicial da OCDE (US$ 94,7 mil), e a Espanha, o 6º (US$ 66,8 mil). A Áustria, 6ª colocada aos 15 anos, tem o 4º maior teto da organização: US$ 125,2 mil.
Nos Estados Unidos, a média esconde uma diferença grande entre estados: o salário vai de US$ 56,6 mil a US$ 108,8 mil.
No Brasil, o piso vale 3,2 salários mínimos
O piso nacional do magistério em 2026 é de R$ 5.130,63 por mês, para 40 horas semanais. Pela estimativa do The College, isso equivale a cerca de US$ 27,1 mil por ano em PPC: 3,2 salários mínimos e 1,4 vez a renda média brasileira.
Em dólares, o valor é menos de um quinto do salário de Luxemburgo e cerca de um terço do da Irlanda. Na comparação da própria OCDE, o salário inicial brasileiro fica em 42º lugar entre 47 sistemas de ensino.
A comparação com os dez países exige cuidado. O número brasileiro é o piso, o mínimo legal para o início da carreira, e não a média salarial nem o salário com 15 anos de profissão. Ele serve como referência de entrada, não como retrato do que os professores brasileiros ganham em média.
Ranking completo
Salário anual de um professor da rede pública, anos finais do fundamental, com 15 anos de carreira, em mil US$ (PPC):
Luxemburgo: US$ 150,9 mil (4,0 salários mínimos; 1,5 vez a renda média)
Holanda: US$ 115,2 mil (3,0 salários mínimos; 1,4 vez a renda média)
Alemanha: US$ 111,8 mil (3,0 salários mínimos; 1,4 vez a renda média)
Austrália: US$ 85,0 mil (2,5 salários mínimos; 1,2 vez a renda média)
Canadá: US$ 84,2 mil (3,0 salários mínimos; 1,2 vez a renda média)
Áustria: US$ 83,9 mil (sem salário mínimo nacional; 1,0 vez a renda média)
Dinamarca: US$ 80,5 mil (sem salário mínimo nacional; 1,0 vez a renda média)
Estados Unidos: US$ 78,2 mil (5,2 salários mínimos federais; 0,9 vez a renda média)
Espanha: US$ 77,4 mil (2,7 salários mínimos; 1,3 vez a renda média)
Irlanda: US$ 77,0 mil (2,4 salários mínimos; 1,1 vez a renda média)
Brasil (piso): US$ 27,1 mil (3,2 salários mínimos; 1,4 vez a renda média)
O ranking mede o salário de uma etapa específica da carreira, em valores brutos. Não considera impostos, benefícios, carga horária nem o tamanho das turmas, fatores que também pesam na atratividade da profissão em cada país.
Metodologia
Os salários dos dez países vêm do Education at a Glance 2026, da OCDE, com dados de 2025. O recorte é o salário anual bruto de um professor da rede pública, nos anos finais do ensino fundamental, com 15 anos de carreira, em dólares convertidos pela paridade de poder de compra (PPC).
A Suíça não informou à OCDE o salário com 15 anos de carreira, e a Bélgica é apresentada por comunidade linguística. Por isso, os dois países ficaram de fora do ranking.
O salário mínimo e a renda média dos países vêm das bases da OCDE (2025). Áustria e Dinamarca não têm salário mínimo nacional. Nos Estados Unidos, foi usado o salário mínimo federal.
Para o Brasil, foi usado o piso nacional do magistério de 2026 (R$ 5.130,63 por mês, 40 horas), anualizado e convertido em PPC por estimativa do The College. Os dados vêm do MEC, do Decreto nº 12.797/2025 e do IBGE (PNAD Contínua).
Fonte: OCDE, Education at a Glance 2026; MEC; IBGE. Elaboração: The College.
