A escolha de uma faculdade de negócios costuma envolver fatores como reputação, grade curricular, corpo docente e perspectivas de carreira. Mas existe outra forma de observar como uma instituição se posiciona no mercado: analisar onde trabalham as pessoas que passaram por ela.
Um levantamento realizado pelo The College, a partir de dados do LinkedIn People Insights, reuniu informações sobre alumni de 16 instituições de ensino superior do eixo paulista. Embora o título original da série faça referência às 15 principais faculdades de negócios de São Paulo, a consolidação dos dados abrange 16 escolas, das mais tradicionais, como Mackenzie, FEA-USP e FECAP, às mais recentes, como Link School e Inteli.
Somadas, essas instituições ultrapassam 1,1 milhão de alumni registrados no LinkedIn. Os dados revelam um padrão claro: o Itaú aparece como principal empregador dos alumni em 10 das 16 instituições analisadas. Na formação acadêmica, outro movimento se repete: Administração é o curso mais frequente em oito das 16 escolas.
Os números não significam que determinada faculdade encaminhe seus alunos para uma empresa específica, tampouco permitem medir qualidade acadêmica ou empregabilidade individual. O levantamento mostra, sobretudo, onde estão concentrados os maiores grupos identificáveis de ex-alunos dentro da base do LinkedIn.
Itaú aparece como principal empregador em 10 das 16 instituições
A recorrência do Itaú é o padrão mais evidente da análise.
Entre as 16 escolas mapeadas, dez têm o banco como principal empregador de seus alumni, segundo os dados disponíveis no LinkedIn People Insights. O resultado ajuda a dimensionar a presença do sistema financeiro entre profissionais formados — ou que realizaram algum tipo de curso — nas principais instituições de negócios de São Paulo.
É importante, porém, evitar uma interpretação causal. Os dados não mostram que estudar nessas faculdades aumente, necessariamente, a probabilidade de trabalhar no Itaú. Também não permitem distinguir, dentro deste recorte consolidado, fatores como tamanho das turmas, tempo de existência de cada instituição, perfil dos cursos ou volume total de contratações de cada empresa.
Ainda assim, a repetição do mesmo empregador em dez escolas diferentes é um dos sinais mais consistentes da amostra.
As seis exceções são ESPM, PUC-SP, Saint Paul, Trevisan, Link School e Inteli.
Na ESPM, na PUC-SP e na Link School, a própria instituição aparece como principal empregadora de seus alumni. Esse resultado exige cautela: os vínculos podem representar empregos reais em pesquisa, docência, monitoria, projetos e outras atividades, mas também podem refletir classificações imprecisas feitas pelos próprios usuários do LinkedIn.
Na Saint Paul, o principal empregador é o Bradesco. Na Trevisan, a EY ocupa a primeira posição. Já no Inteli, o BTG Pactual aparece como maior empregador entre os resultados disponíveis.
Administração domina, mas metade das instituições foge do padrão
A concentração também aparece quando o levantamento observa os cursos mais frequentes entre alumni.
Administração ocupa a liderança em oito das 16 instituições analisadas. Nas outras oito, porém, aparecem formações bastante diferentes, refletindo perfis acadêmicos mais especializados.
Na ESPM, Marketing é o curso mais frequente. Na FEA-USP, Economia ocupa a liderança. FECAP e Trevisan têm Ciências Contábeis como curso mais presente, enquanto a PUC-SP aparece com Direito.
Entre as instituições mais orientadas à tecnologia, o padrão muda novamente: Tecnologia da Informação aparece na FIAP, Ciência da Computação no Inteli e Negócios/Comércio na Link School.
O resultado mostra que, embora Administração seja a formação predominante dentro da amostra, existe diversidade relevante entre as instituições. Escolas com tradição em tecnologia, contabilidade, economia, comunicação ou Direito preservam características próprias mesmo quando observadas sob a mesma metodologia.
Mais uma vez, a comparação não deve ser interpretada como um ranking de força acadêmica entre cursos. O dado indica apenas qual formação aparece com maior frequência entre os alumni identificados pelo LinkedIn em cada instituição.
As maiores bases de alumni estão concentradas nas instituições mais tradicionais
Existe também uma diferença expressiva no tamanho das comunidades analisadas.
A FGV aparece com aproximadamente 303 mil alumni no LinkedIn, a maior base entre as 16 instituições. Em seguida vêm Mackenzie, com 217 mil, e PUC-SP, com 134 mil.
A ESPM registra cerca de 120 mil alumni, enquanto FIAP e FAAP aparecem praticamente empatadas, com 75 mil e 74 mil, respectivamente.
Na sequência estão Insper, com 49 mil; FIA, com 36 mil; FECAP, com 30 mil; e Ibmec SP, com 28 mil.
As menores bases da amostra aparecem em instituições mais novas ou de menor escala: FDC, com 18 mil; Saint Paul, com 16 mil; FEA-USP, com 14 mil; Trevisan, com 10 mil; Link School, com aproximadamente 1,4 mil; e Inteli, com cerca de 1,1 mil.
Essa diferença de escala é fundamental para interpretar os resultados. Uma instituição com centenas de milhares de alumni acumulados ao longo de décadas tende naturalmente a apresentar padrões mais consolidados e maior dispersão entre empresas, enquanto escolas criadas recentemente possuem comunidades significativamente menores.
Por isso, comparar números absolutos entre essas instituições sem considerar idade, tamanho e perfil dos programas pode levar a conclusões equivocadas.
As 16 instituições por base de alumni no LinkedIn
Segundo os dados consolidados pelo The College:
FGV — 303 mil alumni
Mackenzie — 217 mil
PUC-SP — 134 mil
ESPM — 120 mil
FIAP — 75 mil
FAAP — 74 mil
Insper — 49 mil
FIA — 36 mil
FECAP — 30 mil
Ibmec SP — 28 mil
FDC — 18 mil
Saint Paul — 16 mil
FEA-USP — 14 mil
Trevisan — 10 mil
Link School — 1,4 mil
Inteli — 1,1 mil
Cinco instituições apresentam perfis particularmente distintos
Apesar da força dos padrões gerais, algumas escolas chamam atenção justamente por fugir deles.
A Trevisan apresenta um perfil fortemente associado às grandes empresas de auditoria. EY, Deloitte, PwC, KPMG e Grant Thornton ocupam os cinco primeiros lugares entre os empregadores de seus alumni. É o único caso da série em que todo o top 5 é composto por firmas globais de auditoria e serviços profissionais.
Na Saint Paul, ocorre outra concentração incomum. Bradesco, Itaú, Santander, Safra e XP formam o top 5 de empregadores. É a única instituição analisada em que as cinco primeiras posições são ocupadas exclusivamente por bancos ou empresas do mercado financeiro, sem presença de indústria, mídia ou governo.
A PUC-SP também apresenta uma característica própria: a Ordem dos Advogados de São Paulo aparece entre os cinco principais empregadores. É o único caso da série em que uma entidade ligada ao sistema de Justiça entra nesse grupo, algo coerente com o peso histórico da Faculdade de Direito da instituição.
Na FDC, o perfil é mais diversificado. O top 5 reúne Itaú, a própria escola, Unilever, Azul e Ambev, combinando banco, educação, bens de consumo, aviação e bebidas. Dentro da amostra, é uma das distribuições setoriais mais variadas.
Já na FAAP, Embraer e Globo aparecem entre os cinco principais empregadores. A combinação de aviação, manufatura e mídia tradicional diferencia a instituição das demais e dialoga com uma base acadêmica que reúne áreas como engenharia, design e comunicação.
O que os dados permitem observar
A consolidação das 16 instituições mostra dois padrões dominantes e, ao mesmo tempo, uma série de exceções relevantes.
De um lado, o Itaú aparece como principal empregador em 62,5% das escolas analisadas, enquanto Administração ocupa a primeira posição entre os cursos em 50% da amostra. Os dois números ajudam a dimensionar o peso do setor financeiro e das formações generalistas em negócios dentro desse universo.
De outro, as exceções mostram que as trajetórias dos alumni não são homogêneas. Auditoria na Trevisan, bancos na Saint Paul, Direito na PUC-SP, tecnologia no Inteli e na FIAP e a combinação de indústria e mídia na FAAP formam perfis distintos dentro de uma mesma análise.
É justamente essa combinação entre concentração e diversidade que torna o levantamento mais informativo. Em vez de indicar um único destino profissional para quem passa por uma faculdade de negócios em São Paulo, os dados mostram a existência de um núcleo forte ligado ao sistema financeiro, cercado por instituições cujas comunidades profissionais mantêm características bastante específicas.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir de estimativas disponibilizadas pelo LinkedIn People Insights.
A análise consolidada reúne 16 instituições paulistas e mais de 1,1 milhão de registros de alumni somados na plataforma. O LinkedIn apresenta apenas os principais resultados de cada categoria, o que significa que os números representam um recorte das maiores ocorrências disponíveis, e não a base completa de ex-alunos.
A categoria “alumni” não considera apenas graduação. Ela pode incluir qualquer formação cadastrada por um usuário no LinkedIn, como cursos livres, programas de curta duração, MBAs, pós-graduações, mestrados e doutorados.
Os dados são baseados em perfis públicos e autodeclarados e, portanto, podem conter informações incompletas ou desatualizadas, ex-funcionários ainda associados a determinadas empresas, múltiplas formações registradas por uma mesma pessoa e outras distorções próprias da plataforma.
Também é necessário interpretar com cautela os casos em que a própria instituição de ensino aparece entre os principais empregadores. O vínculo pode ser real — em atividades de pesquisa, docência, monitoria, empresas juniores, centros de estudo ou projetos acadêmicos —, mas também pode resultar de marcações incorretas nos perfis.
O levantamento não pretende estabelecer qual é a melhor faculdade, medir qualidade acadêmica ou afirmar que determinada instituição garante acesso a uma empresa ou setor. Os dados funcionam como um panorama das maiores concentrações profissionais observáveis entre os alumni dessas instituições no LinkedIn.
