Investment Banking e M&A estão entre as áreas mais disputadas do mercado financeiro. Em bancos de investimento, essas equipes participam de operações como fusões e aquisições, ofertas de ações, emissões de dívida, reestruturações e outras transações corporativas que costumam exigir uma combinação de conhecimento financeiro, capacidade analítica e domínio de processos complexos.

Nesse mercado, algumas universidades são frequentemente associadas ao recrutamento para o setor financeiro. Mas até que ponto essa percepção aparece nos dados?

Para entender melhor a formação acadêmica dos profissionais que atuam em Investment Banking e M&A no Brasil, o The College analisou dados do LinkedIn People Insights referentes a 3.966 membros mapeados em 15 bancos com atuação relevante no país.

O levantamento mostra uma liderança significativa da Fundação Getulio Vargas (FGV), que aparece associada a 17,9% dos profissionais considerados. Na sequência estão Universidade de São Paulo (USP), com 7,8%, Insper, com 6,8%, e Mackenzie, com 6,7%.

Ao mesmo tempo, há um dado importante para interpretar esse resultado: 50,6% da base está distribuída entre outras instituições de ensino. Ou seja, embora exista uma concentração relevante nas primeiras posições, a formação dos profissionais do setor está longe de se restringir a um pequeno grupo de faculdades.

FGV aparece isolada na liderança

A distância entre a primeira e a segunda colocadas é um dos elementos que mais chamam atenção no levantamento.

A FGV aparece em 17,9% da base consolidada, enquanto a USP registra 7,8%. A diferença é de 10,1 pontos percentuais, fazendo da FGV a única instituição da lista com participação superior a 10%.

O resultado indica uma presença particularmente elevada da instituição entre os perfis associados às equipes analisadas. Isso, porém, não significa que estudar na FGV aumente necessariamente a probabilidade de construir uma carreira em Investment Banking ou M&A.

O levantamento identifica apenas a frequência com que determinadas instituições aparecem entre profissionais já presentes na amostra. Não analisa processos seletivos, desempenho profissional, remuneração, progressão de carreira ou taxa de contratação de alunos de cada faculdade.

Também é importante considerar que as instituições registradas pelo LinkedIn podem corresponder a diferentes momentos da trajetória acadêmica. Um profissional que fez graduação em uma universidade e posteriormente MBA, mestrado ou curso executivo na FGV, por exemplo, pode contribuir para a presença da instituição nos dados.

USP, Insper e Mackenzie formam um segundo grupo

Depois da FGV, três instituições aparecem relativamente próximas entre si.

A USP representa 7,8% da base, o Insper, 6,8%, e o Mackenzie, 6,7%. Entre o segundo e o quarto lugar, portanto, há uma diferença de apenas 1,1 ponto percentual.

O grupo reúne instituições com perfis distintos. A USP é uma universidade pública de grande porte e com ampla variedade de cursos; Insper e FGV possuem forte presença em áreas relacionadas a negócios, economia e administração; e o Mackenzie também concentra uma parcela relevante dos profissionais observados.

Os dados, no entanto, não permitem determinar de quais cursos vieram esses profissionais nem qual etapa da formação está sendo capturada em cada caso.

Somadas, as quatro primeiras instituições — FGV, USP, Insper e Mackenzie — correspondem a 39,2% da distribuição apresentada pelo levantamento.

A concentração é expressiva, mas precisa ser analisada em conjunto com a diversidade encontrada no restante da amostra.

Mais da metade está fora das oito instituições destacadas

Talvez o dado que mais relativize a ideia de um caminho acadêmico único para entrar no Investment Banking seja justamente a categoria “Outros”, responsável por 50,6% da base.

Isso significa que, somadas, todas as demais instituições que aparecem no levantamento representam pouco mais da metade dos resultados.

A informação é especialmente relevante porque o LinkedIn People Insights exibe apenas os cinco principais resultados por categoria em determinadas visualizações, o que limita o detalhamento de instituições com participações menores.

Assim, o ranking evidencia ao mesmo tempo dois movimentos: existe concentração em algumas faculdades bastante recorrentes, mas existe também uma longa distribuição de profissionais formados em diversas outras instituições.

Esse cenário impede interpretar a lista como uma relação fechada de universidades que “levam” ao mercado financeiro. Os dados mostram presença, não exclusividade.

UNIP, PUC-SP, Ibmec e Estácio também aparecem na base

A partir da quinta posição, as participações individuais diminuem.

A Universidade Paulista (UNIP) aparece associada a 3,8% dos profissionais mapeados. Depois vêm PUC-SP, com 2,8%, Ibmec, com 2,4%, e Estácio, com 1,2%.

A presença dessas instituições ajuda a ampliar o retrato do setor. Mesmo em uma área frequentemente associada a um grupo restrito de universidades, a amostra analisada contém profissionais ligados a instituições com perfis acadêmicos, modelos de ensino e públicos diferentes.

Mais uma vez, o levantamento não permite saber quantos desses registros correspondem à graduação e quantos representam pós-graduações, MBAs, mestrados, doutorados ou cursos executivos.

Por isso, os percentuais devem ser lidos como presença das instituições no histórico acadêmico dos profissionais, e não necessariamente como participação de cada universidade na formação de graduação das equipes de Investment Banking.

Ranking de faculdades no Investment Banking

Considerando a base consolidada de 3.966 membros mapeados em 15 bancos, estas são as instituições que mais aparecem no levantamento:

  1. FGV — Fundação Getulio Vargas: 17,9%

  2. USP — Universidade de São Paulo: 7,8%

  3. Insper: 6,8%

  4. Mackenzie: 6,7%

  5. UNIP — Universidade Paulista: 3,8%

  6. PUC-SP: 2,8%

  7. Ibmec: 2,4%

  8. Estácio: 1,2%

  9. Outros: 50,6%

Os percentuais apresentados correspondem à distribuição consolidada encontrada pelo The College a partir dos dados disponíveis no LinkedIn People Insights.

O que os dados permitem observar

O levantamento reforça a existência de algumas instituições particularmente recorrentes entre profissionais de Investment Banking e M&A no Brasil. A FGV se destaca com ampla vantagem, enquanto USP, Insper e Mackenzie formam um segundo bloco com percentuais relativamente próximos.

Ao mesmo tempo, a categoria “Outros” impede uma leitura excessivamente concentrada do setor. Mais da metade da distribuição está fora das oito instituições individualmente destacadas, indicando que profissionais com diferentes trajetórias acadêmicas também fazem parte das equipes analisadas.

Há ainda uma limitação fundamental: presença em uma universidade não significa necessariamente graduação naquela instituição. Sem separar os níveis de formação, não é possível afirmar, por exemplo, que 17,9% dos profissionais se graduaram na FGV.

Da mesma forma, os dados não permitem medir as chances de contratação de alunos de cada faculdade. Para isso, seria necessário conhecer não apenas quantos profissionais de determinada instituição estão nos bancos, mas também o tamanho de suas turmas, número de candidatos, processos de recrutamento, senioridade dos profissionais e outras variáveis que não fazem parte desta análise.

O levantamento, portanto, funciona principalmente como um retrato da presença acadêmica observada nas equipes do setor, e não como um guia definitivo de acesso à carreira.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo The College com dados do LinkedIn People Insights, a partir de perfis públicos associados a profissionais de Investment Banking e M&A.

A base consolidada reúne 3.966 membros mapeados em 15 bancos com equipes de Investment Banking e M&A de atuação relevante no Brasil.

Foram utilizados filtros para priorizar profissionais dessas áreas e reduzir a presença de funções como tecnologia, operações, compliance, recursos humanos e outras atividades corporativas. Ainda assim, a amostra pode conter alguns profissionais fora do escopo principal.

Os dados do LinkedIn são estimativas e não informações oficiais fornecidas pelos bancos. Perfis podem estar desatualizados, conter formações complementares ou incluir profissionais que já deixaram determinada instituição. O LinkedIn também exibe apenas os cinco principais resultados por categoria em determinadas consultas.

As instituições de ensino identificadas podem corresponder a graduação, MBA, mestrado, doutorado, pós-graduação ou cursos executivos, não exclusivamente à graduação.

O levantamento considera apenas os bancos incluídos nesta amostra. Outras instituições financeiras e boutiques de Investment Banking e M&A poderão apresentar distribuições diferentes.

A análise do The College não busca definir a “melhor faculdade” para trabalhar em Investment Banking ou M&A. Seu objetivo é identificar quais instituições aparecem com maior frequência entre os profissionais mapeados e oferecer um retrato das tendências observadas dentro dessa amostra.