Consultoria é um mercado que reúne perfis profissionais bastante diferentes. Estratégia, tecnologia, transformação digital, operações, finanças, dados, M&A e gestão são apenas algumas das frentes encontradas dentro das maiores empresas do setor. Ainda assim, quando se observa a formação acadêmica de quem trabalha nessas organizações, algumas instituições aparecem de maneira recorrente.
Um levantamento realizado pelo The College, a partir de dados do LinkedIn People Insights, analisou cerca de 5.180 profissionais de 11 grandes consultorias com atuação no Brasil. No consolidado, duas instituições se destacam: a Universidade de São Paulo (USP) aparece associada a 13,1% da base analisada, enquanto a Fundação Getulio Vargas (FGV) representa 12,3%.
Juntas, USP e FGV correspondem a 25,4% das ocorrências consolidadas — aproximadamente um em cada quatro profissionais mapeados. Mas a distribuição muda significativamente de acordo com o perfil da consultoria. Nas empresas mais concentradas em estratégia, a USP tende a ganhar espaço; entre algumas das grandes firmas de serviços profissionais, a FGV assume a liderança.
USP domina as consultorias estratégicas tradicionais
O padrão mais evidente do levantamento aparece entre McKinsey, Bain, BCG, Kearney e Oliver Wyman. Em todas elas, a USP é a instituição mais citada.
Na BCG, a concentração é particularmente alta: 27,0% dos 538 membros mapeados aparecem associados à Universidade de São Paulo. Na Oliver Wyman, são 26,3% de uma base de 133 profissionais; na Bain, 24,1% entre 609 membros; e na McKinsey, 21,3% entre 733.
A Kearney segue a mesma tendência, embora com diferença menor: a USP representa 17,7% dos 198 profissionais analisados, seguida pela FGV, com 12,1%, e pela Unicamp, com 9,6%.
Também chama atenção a presença recorrente da Unicamp nesse grupo. A universidade é a terceira instituição mais citada na McKinsey, com 7,8%; na BCG, com 6,9%; e na Kearney, com 9,6%. Na Oliver Wyman, aparece em segundo lugar, com 6,8%, à frente da FGV, com 5,3%.
Os dados não permitem afirmar que determinadas universidades sejam uma rota necessária para entrar nessas empresas. Eles mostram, porém, uma concentração acadêmica relevante dentro da amostra observada.
FGV ganha força nas Big Four
O desenho muda quando o recorte passa para Deloitte, KPMG e PwC.
Nas três empresas, a FGV ocupa a primeira posição. Na KPMG, aparece associada a 15,4% dos 896 membros analisados; na PwC, a 15,2% de uma base de 630 profissionais; e na Deloitte, a 14,2% entre 838 membros.
Ao mesmo tempo, essas organizações apresentam uma distribuição mais diversificada entre instituições.
Na Deloitte, por exemplo, depois da FGV aparecem USP, com 6,4%, Mackenzie e UNIP, ambas com 5,1%, além da Estácio, com 4,8%. Na KPMG, a UNIP ocupa o segundo lugar, com 6,8%, seguida por Mackenzie, com 5,2%, e USP, com 5,1%.
A PwC apresenta ainda outro padrão: a FIAP é a segunda instituição mais citada, com 11,7%, seguida por Mackenzie, com 8,9%, UNIP, com 8,6%, e USP, com 7,0%.
A maior variedade pode estar relacionada à própria amplitude das operações dessas empresas, que atuam em diferentes verticais profissionais. Essa leitura, porém, deve ser tratada apenas como contextualização: os dados do levantamento mostram associação acadêmica, não explicam as causas da composição de cada quadro profissional.
Falconi reflete uma presença acadêmica diferente
A Falconi apresenta um dos perfis mais distintos do levantamento.
Entre seus 287 profissionais mapeados, a FGV lidera com 12,9%, mas a UFMG aparece logo atrás, com 11,5%. PUC Minas, com 8,4%, Ibmec, com 7,0%, e Fundação Dom Cabral, com 5,9%, completam as principais instituições.
A presença de três instituições fortemente ligadas a Minas Gerais — UFMG, PUC Minas e Fundação Dom Cabral — diferencia a empresa das demais consultorias analisadas. A própria Falconi nasceu em Minas Gerais, embora hoje tenha presença nacional e sede indicada no levantamento em São Paulo.
É um caso em que a distribuição acadêmica observada se afasta da predominância paulista encontrada em grande parte da amostra.
Insper se destaca na Roland Berger
A Roland Berger também foge do padrão geral. Entre os 82 profissionais analisados, o Insper é a instituição mais citada, com 11,0%, seguido pela FGV, com 9,8%, USP, com 7,3%, e UFMG, com 4,9%.
É a única empresa do levantamento em que o Insper aparece na liderança.
Já na EY-Parthenon, braço de consultoria estratégica da EY, a FGV ocupa a primeira posição, com 11,9% entre 235 profissionais. USP aparece com 5,5%, seguida por Insper e Mackenzie, ambos com 5,1%, e Ibmec, com 4,7%.
Esses casos reforçam que, embora exista um conjunto pequeno de universidades recorrentes no mercado, a composição varia de empresa para empresa.
As faculdades que mais aparecem nas 11 consultorias
Quando as bases das empresas são consolidadas e ponderadas pelo número de profissionais analisados em cada organização, USP e FGV se distanciam do restante do ranking.
A USP lidera com 13,1% da base estimada, apenas 0,8 ponto percentual à frente da FGV, com 12,3%. Depois delas, há uma queda significativa: a Unicamp aparece em terceiro lugar, com 3,1%.
O ranking consolidado das dez instituições mais citadas é:
USP — Universidade de São Paulo: 13,1%
FGV — Fundação Getulio Vargas: 12,3%
Unicamp: 3,1%
UNIP — Universidade Paulista: 3,0%
Mackenzie: 3,0%
FIAP: 1,4%
UFMG: 1,2%
Insper: 1,2%
Estácio: 0,8%
Ibmec: 0,6%
A distância entre o segundo e o terceiro lugares é um dos principais resultados do levantamento. USP e FGV formam um primeiro grupo bastante isolado: cada uma aparece com participação aproximadamente quatro vezes superior à da Unicamp, terceira colocada.
Ao mesmo tempo, o ranking também mostra que não existe uma única categoria institucional dominante. Entre as dez primeiras aparecem universidades públicas, instituições privadas tradicionais, escolas de negócios e instituições com maior concentração em tecnologia.
O perfil muda conforme a consultoria
A comparação entre as empresas ajuda a evitar uma leitura simplificada do ranking geral.
Entre McKinsey, Bain e BCG — grupo frequentemente conhecido pela sigla MBB — a USP lidera com participações de 21,3%, 24,1% e 27,0%, respectivamente. A FGV aparece em segundo lugar nas três, mas com percentuais menores: 12,0%, 9,0% e 7,4%.
Nas Big Four incluídas individualmente no levantamento, a configuração observada é diferente. Deloitte, KPMG e PwC têm a FGV na liderança e apresentam maior presença de instituições como Mackenzie, UNIP, FIAP e Estácio entre os principais resultados.
Isso não significa que uma formação seja “melhor” para estratégia e outra para serviços profissionais. As empresas possuem estruturas, áreas, volumes de contratação e perfis de profissionais diferentes. O levantamento registra onde estudaram as pessoas presentes nas bases analisadas; não mede taxa de aprovação em processos seletivos, preferência dos recrutadores ou probabilidade de contratação de alunos de cada universidade.
Há ainda outro ponto importante: “onde estudaram” não significa necessariamente “onde fizeram a graduação”. Uma pessoa que se graduou em uma universidade e posteriormente cursou MBA, especialização, mestrado ou outra formação em uma segunda instituição pode estar associada às duas.
O que os dados permitem observar
O levantamento indica uma forte recorrência de USP e FGV no mercado de consultoria analisado, especialmente quando consideradas as maiores bases profissionais. Também revela diferenças claras entre grupos de empresas: universidades públicas como USP e Unicamp ganham participação em várias consultorias estratégicas, enquanto FGV e outras instituições privadas aparecem com maior força em empresas com operações profissionais mais amplas.
Mas o próprio tamanho do grupo classificado como “Outros” exige cautela. Ele representa 54,4% na McKinsey, 56,6% na Bain, 54,6% na BCG, 64,4% na Deloitte, 63,2% na KPMG e 67,7% na EY-Parthenon, por exemplo. Isso significa que centenas de outras trajetórias acadêmicas estão presentes nessas organizações e não aparecem individualmente entre os principais resultados disponibilizados pelo LinkedIn.
O dado mais consistente, portanto, não é que exista uma faculdade obrigatória para trabalhar em consultoria. É que algumas instituições aparecem com frequência desproporcional no recorte analisado, ao mesmo tempo em que uma parcela majoritária ou muito relevante dos profissionais vem de um conjunto bem mais amplo de universidades.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir de estimativas do LinkedIn People Insights, considerando 11 grandes empresas de consultoria com atuação relevante no Brasil: McKinsey, Bain, BCG, Falconi, Deloitte, KPMG, PwC, EY-Parthenon, Kearney, Oliver Wyman e Roland Berger.
A síntese considera aproximadamente 5.180 profissionais, com os percentuais consolidados ponderados pelo tamanho da base de cada empresa e pelas instituições mais citadas nos resultados disponíveis.
Os dados são derivados de perfis públicos do LinkedIn e não constituem informações oficiais, auditadas ou fornecidas diretamente pelas consultorias. Perfis podem estar desatualizados, conter informações incorretas ou ainda incluir profissionais que já deixaram as empresas.
Além disso, as instituições registradas podem corresponder não apenas à graduação, mas também a pós-graduação, especialização, MBA, mestrado e outras formações realizadas ao longo da carreira. Uma mesma pessoa pode, portanto, estar associada a mais de uma instituição.
O LinkedIn People Insights também exibe apenas os principais resultados em determinadas categorias. Por isso, o levantamento deve ser interpretado como um recorte das ocorrências acadêmicas mais frequentes, e não como uma base completa da formação de todos os profissionais das empresas analisadas.
