A formação acadêmica dos profissionais de grandes escritórios de advocacia pode ser observada por diferentes ângulos. Em um levantamento anterior, o The College analisou onde estudaram milhares de advogados presentes em algumas das principais bancas empresariais do Brasil. Desta vez, o recorte é menor e mais direcionado: as lideranças dessas organizações.
A análise do The College reuniu a trajetória acadêmica de 15 Managing Partners, sócios principais ou profissionais em posição equivalente em alguns dos maiores escritórios de advocacia corporativa do país. Foram consideradas graduações, pós-graduações e mestrados identificados em fontes públicas.
O resultado revela uma concentração expressiva já na graduação. Dos 15 profissionais analisados, seis cursaram Direito na Universidade de São Paulo (USP), quatro na PUC-Rio e três na PUC-SP. Juntas, as três instituições respondem pela formação jurídica de 13 dos 15 nomes da amostra, ou cerca de 87%.
O levantamento também mostra outro padrão: a internacionalização aparece com frequência principalmente depois da graduação. Nove dos 15 profissionais possuem ao menos um mestrado listado, e sete deles estudaram nesse nível em instituições estrangeiras.
USP, PUC-Rio e PUC-SP concentram 87% das graduações em Direito
Entre as instituições de graduação, a USP ocupa a primeira posição do levantamento. Fernando Alves Meira, José Setti Diaz, Alexandre Gossn Barreto, André Stockhe, Ana Carolina Zamprogno e Marcelo Bez Debatin da Silveira fizeram o bacharelado em Direito na universidade.
A PUC-Rio aparece na sequência, com quatro nomes: Tito Amaral de Andrade, Amir Achcar Bocayuva Cunha, Victor Galante e Paula Surerus. Já a PUC-SP aparece na formação de Pedro Whitaker de Souza Dias, Rodrigo Junqueira e Simone Dias Musa.
As duas exceções ao grupo das três instituições mais recorrentes são Fernando Serec, formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e Luiz Gustavo A. S. Bichara, graduado pela Universidade Cândido Mendes (UCAM).
Isso significa que, dentro da amostra analisada, todas as graduações jurídicas foram realizadas em instituições de São Paulo ou do Rio de Janeiro. O dado indica uma concentração geográfica relevante entre essas lideranças, mas deve ser interpretado dentro dos limites do recorte: são 15 profissionais escolhidos para representar 15 escritórios, e não uma amostra de todo o mercado jurídico brasileiro.
Outro ponto importante é temporal. Muitos desses profissionais concluíram a graduação há duas ou três décadas, quando o mercado, a estrutura dos escritórios e o próprio ensino jurídico brasileiro tinham características diferentes das atuais. A recorrência de determinada universidade nesse grupo, portanto, não deve ser interpretada como uma medida atual de qualidade ou como garantia de acesso à liderança de grandes bancas.
A formação internacional aparece principalmente no mestrado
Se a graduação é fortemente concentrada em universidades brasileiras, sobretudo USP e PUCs, a pós-graduação acadêmica apresenta uma trajetória mais internacional.
Pedro Whitaker de Souza Dias, do Mattos Filho, e Victor Galante, do Tauil & Chequer, fizeram mestrado em Direito pela University of Pennsylvania. Simone Dias Musa, do Trench Rossi Watanabe, também possui mestrado pela mesma universidade, além de pós-graduação em Direito Societário pela PUC-SP.
Tito Amaral de Andrade, do Machado Meyer, cursou mestrado em Direito pela London School of Economics. Alexandre Gossn Barreto, do Cescon Barrieu, fez mestrado em Direito Bancário e Financeiro pela Boston University, enquanto André Stockhe, do Stockhe Forbes Advogados, realizou mestrado pela University of Chicago.
Luiz Gustavo A. S. Bichara, do Bichara Advogados, apresenta uma trajetória com duas formações nesse nível: mestrado em Direito Tributário Internacional pela Vienna University (WU) e mestrado em Direito Tributário pela Universidade de Coimbra.
Há também formações de pós-graduação realizadas no Brasil. José Setti Diaz, do Demarest Advogados, fez mestrado em Direito Internacional pela USP. Fernando Serec, do TozziniFreire, possui mestrado em Direito Civil também pela USP. Amir Achcar Bocayuva Cunha, do BMA Advogados, tem pós-graduação em Direito Esportivo pela UniverCidade, enquanto Paula Surerus, do Veirano Advogados, possui pós-graduação pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET).
No total, nove dos 15 profissionais analisados possuem mestrado listado no levantamento. Sete deles têm pelo menos um mestrado realizado no exterior. Dentro desse grupo, aparecem universidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Áustria e Portugal.
O padrão não permite afirmar que uma formação internacional seja necessária para alcançar posições de liderança na advocacia corporativa. Mostra, porém, que ela está presente em parcela relevante das trajetórias analisadas.
Administração aparece como segunda graduação em dois casos
Embora todos os profissionais da amostra tenham formação jurídica, dois também cursaram Administração na Fundação Getulio Vargas (FGV).
Rodrigo Junqueira, do Lefosse Advogados, combina bacharelado em Direito pela PUC-SP com bacharelado em Administração pela FGV. Ana Carolina Zamprogno, do Levy & Salomão Advogados, possui bacharelado em Direito pela USP e também graduação em Administração pela FGV.
São exceções dentro do levantamento, mas particularmente relacionadas ao perfil da amostra. A advocacia corporativa envolve uma atuação próxima a empresas, operações financeiras, estruturas societárias, transações e decisões de negócios. Ainda assim, a presença da Administração nesses dois currículos não permite estabelecer relação causal entre uma segunda graduação e a chegada à liderança de um escritório.
A formação dos 15 sócios analisados
A concentração observada nas universidades de graduação convive com trajetórias acadêmicas diferentes depois do bacharelado. Veja a lista completa considerada pelo levantamento:
Fernando Alves Meira — Pinheiro Neto Advogados: bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
Pedro Whitaker de Souza Dias — Mattos Filho: bacharelado em Direito pela PUC-SP e mestrado em Direito pela University of Pennsylvania.
Tito Amaral de Andrade — Machado Meyer: bacharelado em Direito pela PUC-Rio e mestrado em Direito pela London School of Economics.
José Setti Diaz — Demarest Advogados: bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP).
Amir Achcar Bocayuva Cunha — BMA Advogados: bacharelado em Direito pela PUC-Rio e pós-graduação em Direito Esportivo pela UniverCidade.
Alexandre Gossn Barreto — Cescon Barrieu: bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Direito Bancário e Financeiro pela Boston University.
Rodrigo Junqueira — Lefosse Advogados: bacharelado em Direito pela PUC-SP e bacharelado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
André Stockhe — Stockhe Forbes Advogados: bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado pela University of Chicago.
Victor Galante — Tauil & Chequer: bacharelado em Direito pela PUC-Rio e mestrado em Direito pela University of Pennsylvania.
Simone Dias Musa — Trench Rossi Watanabe: bacharelado em Direito pela PUC-SP, pós-graduação em Direito Societário pela PUC-SP e mestrado pela University of Pennsylvania.
Ana Carolina Zamprogno — Levy & Salomão Advogados: bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e bacharelado em Administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Fernando Serec — TozziniFreire: bacharelado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestrado em Direito Civil pela Universidade de São Paulo (USP).
Paula Surerus — Veirano Advogados: bacharelado em Direito pela PUC-Rio e pós-graduação pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET).
Marcelo Bez Debatin da Silveira — Lobo de Rizzo Advogados: bacharelado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
Luiz Gustavo A. S. Bichara — Bichara Advogados: bacharelado em Direito pela Universidade Cândido Mendes (UCAM), mestrado em Direito Tributário Internacional pela Vienna University (WU) e mestrado em Direito Tributário pela Universidade de Coimbra.
O que o recorte permite observar
A fotografia das lideranças analisadas é bastante mais concentrada do que uma análise ampla de profissionais do setor. USP, PUC-Rio e PUC-SP dominam a formação jurídica da amostra, enquanto universidades estrangeiras ganham espaço em uma etapa posterior, especialmente nos mestrados.
O dado é relevante para entender a trajetória de uma geração que chegou ao comando de algumas das principais bancas empresariais do Brasil, mas não deve ser tratado como um roteiro para quem está entrando no Direito hoje. Além das mudanças ocorridas no mercado nas últimas décadas, o levantamento observa quem chegou à liderança — e não todos os fatores profissionais, econômicos e pessoais que fizeram parte dessas trajetórias.
Assim, a concentração acadêmica encontrada descreve uma característica da amostra analisada. Ela não estabelece que estudar nessas instituições seja condição necessária ou suficiente para alcançar posições semelhantes.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir de dados públicos de formação acadêmica disponíveis nos sites institucionais dos escritórios e nas páginas individuais de LinkedIn dos profissionais analisados.
Foram considerados 15 grandes escritórios de advocacia do Brasil, com um Managing Partner, sócio principal ou liderança equivalente selecionado por escritório. Nos casos em que há gestão conjunta ou mais de uma liderança equivalente, apenas um profissional foi incluído para permitir a padronização da comparação. A escolha não busca estabelecer hierarquia ou mérito entre os sócios.
A análise contabilizou apenas formações acadêmicas como graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Cursos executivos, programas de curta duração e outras formações específicas não foram considerados.
Como as informações foram obtidas em fontes públicas, podem existir dados acadêmicos não divulgados ou desatualizados. O The College permanece disponível para eventuais correções. O levantamento também não pretende avaliar a qualidade das instituições, medir competência profissional ou estabelecer relação causal entre formação acadêmica e sucesso na advocacia.
