Às vésperas das eleições de 2026, a saída de 18 ministros que deixaram o governo para disputar cargos eletivos provocou uma ampla mudança na Esplanada dos Ministérios. O The College relembra quem assumiu parte dessas posições e qual é a formação acadêmica desses novos titulares.
O levantamento realizado pelo The College considera os 16 novos ministros apresentados no carrossel e exclusivamente a primeira graduação de cada um. Pós-graduação, mestrado, doutorado e outras formações posteriores não entraram na análise.
O resultado revela uma característica especialmente clara: Direito ocupa um espaço muito maior do que qualquer outro curso. Oito dos 16 nomes, exatamente metade da amostra, têm essa graduação como primeira formação superior. As engenharias aparecem em seguida, com três registros distribuídos entre diferentes especialidades.
A relação entre diploma e pasta, porém, está longe de ser direta em todos os casos. Há ministros cuja graduação guarda proximidade evidente com a área que passaram a comandar e outros cuja formação acadêmica está em um campo bastante diferente.
Essa diferença, isoladamente, não permite avaliar a capacidade de um ministro para exercer o cargo. Experiência profissional, trajetória política, atuação técnica e passagem pela administração pública são dimensões que não fazem parte deste levantamento.
Direito concentra metade das formações
Nenhum curso aparece tantas vezes quanto Direito.
Dos 16 ministros analisados, oito têm essa graduação como primeira formação superior: George Santoro, Paulo Henrique Cordeiro Perna, Márcio Elias Rosa, André de Paula, Leonardo Barchini, Eloy Terena, Tomé Barros Monteiro da Franca e Dario Durigan.
O grupo também é diverso nas pastas ocupadas. Há graduados em Direito à frente de Transportes, Esportes, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Agricultura e Pecuária, Educação, Povos Indígenas, Portos e Aeroportos e Fazenda.
A recorrência do curso, portanto, não está restrita a ministérios diretamente relacionados ao campo jurídico.
O levantamento não permite concluir que a formação em Direito seja determinante para chegar ao primeiro escalão do governo. O que os dados mostram é uma concentração significativa dessa graduação dentro do conjunto específico dos 16 nomes analisados.
Engenharias formam o segundo grupo mais recorrente
Depois de Direito, as formações ligadas à Engenharia são as que mais aparecem, com três registros.
Rivetla Edipo Araujo Cruz, indicado para Pesca e Aquicultura, aparece no levantamento com graduação em Engenharia pela Universidade Federal da Amazônia. Antônio Vladimir Lima, que assume Cidades, cursou Engenharia Civil na Universidade Federal da Bahia. Miriam Belchior, na Casa Civil, é formada em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP.
As três formações pertencem à mesma grande área, mas têm especializações diferentes. Isso torna a presença das engenharias relevante no conjunto, embora nenhum curso específico dentro desse grupo se aproxime, individualmente, da frequência observada em Direito.
Os outros cinco ministros se distribuem por cinco formações diferentes: Economia, Biologia, Ciências Sociais, Ciência Política e Sociologia. Fora Direito e das engenharias, portanto, nenhum curso se repete entre os nomes analisados.
A formação nem sempre acompanha a área do ministério
A comparação entre curso superior e pasta também evidencia que não existe um único padrão na formação dos novos ministros.
Em alguns casos, há proximidade temática. João Paulo Ribeiro Capobianco, que assume Meio Ambiente e Mudança do Clima, é formado em Biologia pela Universidade de Santo Amaro. Antônio Vladimir Lima, indicado para Cidades, tem formação em Engenharia Civil.
Em outros, a conexão entre graduação e pasta é menos direta. O novo ministro dos Transportes, George Santoro, estudou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Paulo Henrique Cordeiro Perna, dos Esportes, também é formado em Direito, pela Universidade Católica de Brasília. Leonardo Barchini, que assume Educação, cursou Direito no Centro Universitário de Brasília.
O mesmo padrão aparece em outras pastas, reforçando que a graduação não funciona como um indicador isolado da área ministerial que cada nome passou a comandar.
Essa comparação, no entanto, precisa ser interpretada com cautela. Ministérios são funções políticas e administrativas, e a formação universitária representa apenas uma dimensão da trajetória de cada titular. O levantamento não avalia experiência profissional, histórico de gestão, atuação técnica ou passagem anterior pelo setor público.
Assim, a ausência de correspondência direta entre graduação e ministério não representa, por si só, falta de qualificação para o cargo.
USP é a única instituição que aparece duas vezes
Se há forte concentração quando a análise é feita por curso, o cenário muda ao observar as instituições de ensino.
Entre os 16 nomes apresentados, a Universidade de São Paulo (USP) é a única instituição que aparece duas vezes. Fernanda Machiaveli, indicada para Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, é formada em Ciências Sociais pela USP. Dario Durigan, que assume a Fazenda, cursou Direito na mesma universidade.
Todas as demais instituições aparecem uma única vez na relação.
A lista inclui Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal da Amazônia, Universidade Federal Fluminense, Universidade de Santo Amaro, Universidade Católica de Brasília, Instituição Toledo de Ensino, Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Direito do Recife, Centro Universitário de Brasília, UNICAMP, Universidade de Brasília, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Católica Dom Bosco e Faculdade Estácio.
Os dados revelam, portanto, dois movimentos distintos: enquanto Direito concentra metade das graduações, as universidades de origem dos ministros são bastante pulverizadas.
Lista completa: formação dos 16 novos ministros
George Santoro — Transportes
Direito — Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rivetla Edipo Araujo Cruz — Pesca e Aquicultura
Engenharia — Universidade Federal da Amazônia
Bruno Moretti — Planejamento e Orçamento
Economia — Universidade Federal Fluminense
João Paulo Ribeiro Capobianco — Meio Ambiente e Mudança do Clima
Biologia — Universidade de Santo Amaro
Paulo Henrique Cordeiro Perna — Esportes
Direito — Universidade Católica de Brasília
Márcio Elias Rosa — Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Direito — Instituição Toledo de Ensino
Fernanda Machiaveli — Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Ciências Sociais — USP
Antônio Vladimir Lima — Cidades
Engenharia Civil — Universidade Federal da Bahia
André de Paula — Agricultura e Pecuária
Direito — Faculdade de Direito do Recife
Leonardo Barchini — Educação
Direito — Centro Universitário de Brasília
Miriam Belchior — Casa Civil
Engenharia de Alimentos — UNICAMP
Janine Mello dos Santos — Direitos Humanos e Cidadania
Ciência Política — Universidade de Brasília
Rachel Barros de Oliveira — Igualdade Racial
Sociologia — Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Eloy Terena — Povos Indígenas
Direito — Universidade Católica Dom Bosco
Tomé Barros Monteiro da Franca — Portos e Aeroportos
Direito — Faculdade Estácio
Dario Durigan — Fazenda
Direito — Universidade de São Paulo (USP)
O que a formação acadêmica dos ministros permite observar
O retrato dos 16 nomes revela duas tendências diferentes. De um lado, existe forte concentração em uma única graduação: Direito responde por oito das 16 formações. De outro, não há concentração semelhante entre as universidades, já que apenas a USP se repete na relação.
Também chama atenção a variedade na correspondência entre graduação e área de atuação ministerial. Algumas nomeações aproximam formação acadêmica e campo de atuação, enquanto outras colocam profissionais formados em áreas distintas à frente das pastas.
Os dados, porém, precisam ser entendidos dentro de seus limites. Uma graduação informa sobre uma etapa da formação de uma pessoa, mas não resume sua trajetória profissional nem permite medir sua capacidade de gestão.
O interesse do levantamento, portanto, está menos em estabelecer qual seria a formação “ideal” para um ministro e mais em mostrar quais caminhos universitários aparecem entre os nomes escolhidos para integrar essa composição do governo.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir dos 16 novos ministros apresentados no material analisado, em um contexto de mudanças no governo após a saída de 18 ministros para disputar as eleições de 2026.
Para cada nome, foi considerada apenas a primeira graduação, sem incluir pós-graduação, especializações, mestrado, doutorado ou outros cursos posteriores.
A análise compara exclusivamente os cursos e as instituições de ensino informados no levantamento. Ela não avalia a qualidade acadêmica das universidades, a experiência profissional dos ministros, o desempenho em cargos anteriores, o conhecimento técnico, a trajetória política ou a capacidade de gestão.
Por isso, eventuais diferenças entre a graduação de um ministro e a área da pasta que passou a comandar não devem ser interpretadas, isoladamente, como indicador de qualificação ou falta dela.
