São Paulo concentra alguns dos hospitais mais reconhecidos do Brasil e da América Latina. Mas, por trás das instituições que aparecem entre as principais do ranking Newsweek World’s Best Hospitals 2026, há outro dado relevante para quem acompanha educação e carreira médica: onde estudaram os profissionais que hoje fazem parte desses corpos clínicos?
Para identificar os padrões de formação, o The College analisou dados públicos do LinkedIn People Insights de 16 hospitais da capital paulista presentes no ranking da Newsweek. Ao todo, foram mapeados 8.061 médicos.
O resultado revela uma concentração significativa em poucas instituições. A USP — Universidade de São Paulo aparece associada a 37,7% de todos os médicos da amostra. Na sequência vêm Unifesp — Universidade Federal de São Paulo, com 11,1%, e Santa Casa de SP — Faculdade de Ciências Médicas, com 5,9%.
Somadas, as três instituições representam 54,6% da amostra. Isso significa que mais da metade dos médicos mapeados nos 16 hospitais apresenta em seu perfil alguma passagem acadêmica por USP, Unifesp ou Santa Casa.
O levantamento, porém, não identifica necessariamente a faculdade de graduação de cada profissional. Como os dados vêm do LinkedIn, as instituições podem representar diferentes etapas da trajetória acadêmica, incluindo graduação, residência, especialização, mestrado, doutorado, MBA ou pós-graduação.
USP lidera em 15 dos 16 hospitais analisados
O dado mais consistente do levantamento é a presença da USP. A instituição ocupa a primeira posição em 15 dos 16 hospitais, com percentuais que variam significativamente de acordo com o perfil de cada centro médico.
No Hospital das Clínicas da FMUSP, 67% dos 929 médicos mapeados aparecem associados à USP. No InCor — Instituto do Coração, que integra o complexo HC-FMUSP, o percentual também é elevado: 63,1%.
A presença permanece expressiva mesmo em hospitais privados sem vínculo institucional direto com a universidade. No Hospital Vila Nova Star, a USP chega a 49%. No Sírio-Libanês, a 44%. No Hospital Nove de Julho, a 38,8%. No Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, a 38%.
Entre os 2.089 profissionais analisados no Hospital Israelita Albert Einstein — a maior amostra individual do levantamento — 35% apresentam a USP entre suas formações.
O padrão não significa que estudar na universidade seja condição para trabalhar nesses hospitais. Ele indica apenas que, dentro da amostra pública analisada, a instituição aparece com frequência muito superior às demais.
Hospitais universitários mostram concentrações ainda maiores
Os dados também evidenciam como hospitais ligados diretamente a universidades tendem, naturalmente, a apresentar maior concentração de profissionais formados ou especializados na própria instituição.
O caso mais evidente é o Hospital São Paulo — Unifesp. Dos 39 médicos identificados na amostra, 79,5% apresentam a Universidade Federal de São Paulo no histórico acadêmico. USP e Unicamp aparecem com 7,7% cada.
No Hospital das Clínicas da FMUSP, a USP representa 67% da amostra. Já no InCor, também vinculado ao complexo, são 63,1%.
Esses percentuais precisam ser interpretados considerando a própria natureza dos hospitais universitários, que funcionam simultaneamente como centros de assistência, ensino, residência e pesquisa. Assim, a relação entre formação acadêmica e atuação profissional tende a ser particularmente próxima.
Unifesp ganha força em determinados hospitais
No panorama geral, a Unifesp aparece na segunda posição, associada a 11,1% dos médicos mapeados. A universidade também ocupa posições relevantes em diversos hospitais.
O caso mais equilibrado entre as duas instituições aparece no Hospital Santa Paula. A USP representa 31,4% dos médicos mapeados, enquanto a Unifesp chega a 28,8%, uma diferença de apenas 2,6 pontos percentuais.
No HCor — Hospital do Coração, a Unifesp aparece em 21,6% da amostra, contra 28,2% da USP. No Hospital Santa Catarina — Paulista, são 15,2%; no Albert Einstein, 14,6%; e no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, 13,4%.
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo também se repete em diferentes instituições. Além dos 5,9% no conjunto completo da amostra, chega a 10,1% no Hospital Samaritano Higienópolis e a 9,1% no Hospital Santa Catarina — Paulista.
Outra instituição que aparece com frequência é a Faculdade Israelita Albert Einstein. No próprio Hospital Albert Einstein, ela representa 16,7% dos profissionais mapeados, a segunda maior participação. Também aparece no Hospital São Luiz — Rede D’Or, Beneficência Portuguesa, Hospital das Clínicas da FMUSP e Instituto Dante Pazzanese.
A composição muda bastante de um hospital para outro
Apesar da concentração nas principais universidades paulistas, há diferenças importantes entre os hospitais. Em algumas instituições, poucas escolas representam grande parcela dos médicos identificados. Em outras, a formação é mais pulverizada.
No InCor, por exemplo, apenas 20% dos profissionais estão classificados em “Outros”, fora das quatro instituições exibidas no levantamento. No Hospital das Clínicas, são 24,2%.
No sentido oposto, 63% dos médicos mapeados no A.C.Camargo Cancer Center estão na categoria “Outros”. Na Beneficência Portuguesa de São Paulo, são 58,3%; no Samaritano Higienópolis, 56,3%; e no Hospital São Luiz — Rede D’Or, 55,5%.
A diferença reforça que o perfil acadêmico não é uniforme nem mesmo entre hospitais localizados na mesma cidade. Especialidades, vínculos acadêmicos, história institucional e composição dos corpos clínicos podem estar relacionados a essas diferenças, mas o levantamento não permite determinar causalidade entre esses fatores.
Os dados dos 16 hospitais
A análise individual mostra os seguintes resultados, considerando apenas as instituições exibidas pelo LinkedIn People Insights em cada hospital:
Hospital Israelita Albert Einstein — 2.089 médicos: USP 35,0%; Faculdade Israelita Albert Einstein 16,7%; Unifesp 14,6%; Santa Casa de SP 7,5%; Outros 26,2%.
Hospital Sírio-Libanês — 1.042 médicos: USP 44,0%; IEP/HSL — Instituto de Ensino e Pesquisa 13,9%; Unifesp 8,0%; Santa Casa de SP 6,1%; Outros 27,9%.
Hospital das Clínicas da FMUSP — 929 médicos: USP 67,0%; Faculdade Israelita Albert Einstein 4,6%; Santa Casa de SP 4,2%; Outros 24,2%.
Hospital São Luiz — Rede D’Or — 649 médicos: USP 20,5%; Unifesp 11,7%; Faculdade Israelita Albert Einstein 6,2%; Santa Casa de SP 6,2%; Outros 55,5%.
BP — A Beneficência Portuguesa de São Paulo — 593 médicos: USP 26,0%; Unifesp 9,9%; Faculdade Israelita Albert Einstein 5,7%; Outros 58,3%.
Hospital Samaritano Higienópolis — 496 médicos: USP 26,2%; Santa Casa de SP 10,1%; Unifesp 7,5%; Outros 56,3%.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz — 447 médicos: USP 33,3%; Unifesp 13,4%; Santa Casa de SP 8,3%; Outros 45,0%.
Hospital Nove de Julho — 361 médicos: USP 38,8%; Unifesp 12,7%; IEP/HSL 5,8%; Outros 42,7%.
Hospital Santa Catarina — Paulista — 276 médicos: USP 29,3%; Unifesp 15,2%; Santa Casa de SP 9,1%; Outros 46,4%.
HCor — Hospital do Coração — 273 médicos: USP 28,2%; Unifesp 21,6%; Santa Casa de SP 6,6%; Outros 43,6%.
A.C.Camargo Cancer Center — 254 médicos: USP 24,4%; Santa Casa de SP 6,7%; Unifesp 5,9%; Outros 63,0%.
InCor — Instituto do Coração — 225 médicos: USP 63,1%; Unifesp 6,7%; Santa Casa de SP 5,3%; Unicamp 4,9%; Outros 20,0%.
Hospital Santa Paula — 156 médicos: USP 31,4%; Unifesp 28,8%; Outros 39,7%.
Hospital Vila Nova Star — 153 médicos: USP 49,0%; Unifesp 9,8%; IEP/HSL 8,5%; Santa Casa de SP 8,5%; Outros 24,2%.
Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia — 79 médicos: USP 38,0%; Unifesp 7,6%; Faculdade Israelita Albert Einstein 5,1%; Unisa — Universidade Santo Amaro 5,1%; Outros 44,3%.
Hospital São Paulo — Unifesp — 39 médicos: Unifesp 79,5%; USP 7,7%; Unicamp 7,7%; Outros 5,1%.
No agregado dos 16 hospitais, a distribuição é de 37,7% para a USP, 11,1% para a Unifesp, 5,9% para a Santa Casa de SP, 5,8% para a Faculdade Israelita Albert Einstein e 2,2% para o IEP/HSL. As demais instituições, reunidas na categoria “Outros”, representam 37,3%.
O que o levantamento permite observar
Os dados apontam para uma presença particularmente forte de instituições paulistas tradicionais na formação dos médicos vinculados aos hospitais analisados. USP, Unifesp e Santa Casa, sozinhas, concentram 54,6% das ocorrências acadêmicas identificadas.
Ao mesmo tempo, a parcela de 37,3% classificada como “Outros” no panorama geral mostra que há um conjunto amplo de universidades e instituições de formação além das cinco mais recorrentes exibidas.
O levantamento, portanto, não estabelece uma rota acadêmica ideal para chegar aos grandes hospitais de São Paulo. Ele mostra quais instituições aparecem com maior frequência entre os profissionais encontrados na plataforma — e evidencia que, embora exista concentração significativa, os corpos clínicos também reúnem trajetórias acadêmicas diversas.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College com dados do LinkedIn People Insights, a partir de perfis públicos de profissionais associados a 16 hospitais da cidade de São Paulo presentes no Newsweek World’s Best Hospitals 2026.
Foram identificados 8.061 médicos. Os dados são estimativas do LinkedIn e não informações oficiais ou fornecidas pelos hospitais. Por isso, devem ser interpretados como indicação de tendências, e não como um retrato exato de cada corpo clínico.
A pesquisa considera apenas hospitais da cidade de São Paulo. Foram utilizados filtros para priorizar profissionais médicos e reduzir a presença de cargos administrativos, mas o próprio uso limitado do LinkedIn por parte da comunidade médica restringe a abrangência da amostra.
Os perfis podem estar desatualizados, incluir profissionais que já deixaram as instituições ou registrar diferentes etapas da trajetória educacional. As instituições apresentadas podem corresponder a graduação, residência, especialização, mestrado, doutorado, MBA ou pós-graduação. Além disso, o LinkedIn exibe apenas os cinco principais resultados por categoria.
Dessa forma, o levantamento não mede exclusivamente a universidade de graduação e tampouco indica quais instituições oferecem o “melhor caminho” para uma carreira médica. Seu objetivo é mostrar as formações que aparecem com maior frequência entre os médicos mapeados nos principais hospitais paulistanos analisados.
