Todos os anos, durante a Expert XP, os escritórios de assessoria de investimentos que mais se destacaram ao longo do ciclo são reconhecidos pela plataforma. Entre as premiações está o G20, que reúne as 20 assessorias mais performáticas da rede XP, considerando critérios como crescimento, captação, qualidade do atendimento, eficiência operacional e alinhamento às melhores práticas da plataforma.
A partir desse grupo, o The College analisou a formação acadêmica de 2.231 profissionais mapeados para entender quais instituições de ensino aparecem com maior frequência entre os assessores de investimentos dos escritórios premiados em 2026.
O resultado mostra um mercado menos concentrado academicamente do que pode parecer à primeira vista. Há instituições que se repetem em diferentes partes do país — a Fundação Getulio Vargas é o exemplo mais evidente —, mas o padrão dominante é regional. Universidades locais aparecem com peso relevante justamente nos escritórios sediados em suas respectivas cidades ou estados.
O levantamento, portanto, não aponta uma única faculdade como porta de entrada para a assessoria de investimentos. Em vez disso, revela ecossistemas de formação bastante distintos entre São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Nordeste, Centro-Oeste e outras regiões.
A FGV é a instituição com presença mais espalhada pelo G20
Entre as instituições destacadas pelo LinkedIn People Insights, a FGV — Fundação Getulio Vargas aparece entre as principais formações em 16 dos 20 escritórios analisados.
Sua presença vai além de São Paulo. A instituição aparece, por exemplo, entre os profissionais da Liberta Investimentos e da Faz Capital, em Porto Alegre; da Stellar Capital, Inove Investimentos e Petrópolis Invest, no Rio de Janeiro; da Requin Capital, no Recife; da Act Investimentos, em Salvador; da Nexgen Capital, em Goiânia; da M7 Investimentos, em Fortaleza; e da Manchester Investimentos, em Joinville.
Isso diferencia a FGV de várias outras instituições relevantes no levantamento. Enquanto muitas universidades têm forte concentração regional, a FGV aparece de forma recorrente em mercados geograficamente distintos.
Ainda assim, nem mesmo essa recorrência representa uma concentração dominante. Na W1 Capital, por exemplo, FGV, PUC-Campinas, Mackenzie e Estácio aparecem empatadas com 5,8%. Na K3 Investimentos, FGV e Mackenzie têm 11,5% cada. Já na Stellar Capital, FGV e PUC-Rio dividem a primeira posição, ambas com 20%.
A universidade local costuma ter peso relevante
Um dos padrões mais claros do levantamento é a força das instituições próximas às sedes dos escritórios.
Nos três escritórios de Porto Alegre presentes no recorte, a PUCRS lidera. Ela representa 18,6% na Ável Investimentos, 18,6% na Liberta Investimentos e 18% na Faz Capital. A UFRGS também ocupa a segunda posição nas três, com participações entre 10,1% e 13,5%.
No Recife, a lógica é semelhante. Na Pequod Investimentos, a Universidade Católica de Pernambuco lidera com 24%, seguida pela UFPE, com 16%. Na Requin Capital, a Universidade de Fortaleza aparece em primeiro lugar, com 17,2%, enquanto UFPE e Unicap também estão entre as cinco principais instituições.
O padrão se repete em outras praças. A PUC Goiás representa 26,7% dos profissionais mapeados na Nexgen Capital, de Goiânia — a maior participação individual de uma instituição em qualquer escritório deste levantamento. Na Act Investimentos, de Salvador, a Unifacs lidera com 21,8%, seguida pela UFBA, com 18,4%. Na M7 Investimentos, de Fortaleza, a Unifor aparece em primeiro lugar, com 20,5%, e a UFC em segundo, com 15%.
Em Vitória, as duas assessorias do G20 também apresentam forte presença capixaba. Na Valor Investimentos, a Ufes lidera com 14,9%, seguida pela Fucape Business School, com 11,5%. Na Golden Investimentos, a ordem se inverte: Fucape aparece com 16,7%, UVV com 15% e Ufes com 8,3%.
Esses dados não permitem afirmar que estudar próximo ao escritório aumenta as chances de contratação. Eles mostram, porém, que a composição acadêmica das equipes acompanha de maneira bastante visível os ecossistemas universitários de cada região.
Escritórios menores apresentam concentrações mais altas
Outra diferença aparece quando se compara o tamanho das bases analisadas.
Algumas das maiores participações de uma única instituição estão em escritórios com amostras menores. A Nexgen Capital tem 30 profissionais mapeados e 26,7% associados à PUC Goiás. A Pequod tem 25 profissionais, dos quais 24% aparecem ligados à Unicap. A Petrópolis Invest, com 66 pessoas mapeadas, registra 22,7% na Universidade Católica de Petrópolis.
Em bases maiores, a distribuição tende a aparecer mais pulverizada no levantamento. Na Ável Investimentos, que possui a maior base entre os escritórios analisados, com 424 profissionais, a PUCRS lidera com 18,6%, mas a categoria “Outros” representa 57,1%. Na SVN Investimentos, com 416 profissionais, a UEM é a instituição mais frequente, com 10,1%, enquanto 64,7% estão reunidos em “Outros”.
A maior dispersão aparece na Manchester Investimentos, de Joinville: entre 198 profissionais mapeados, a UFSC lidera com 11,6%, seguida pela Univille, com 8,1%, e pela FGV, com 7,6%. As demais instituições somam 72,7%.
Como as bases variam de apenas 17 profissionais na Alianco Invest a 424 na Ável, diferenças percentuais devem ser interpretadas considerando o tamanho de cada amostra.
O G20 também revela diferentes polos regionais da assessoria
A distribuição geográfica dos 20 escritórios ajuda a explicar a diversidade das formações encontradas. Há representantes em São Paulo, Porto Alegre, Vitória, Recife, Rio de Janeiro, Maringá, Salvador, Goiânia, Petrópolis, Fortaleza e Joinville.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a PUC-Rio lidera tanto na Stellar Capital, com 20%, quanto na Inove Investimentos, com 13,7%. A UFRJ também aparece entre as principais instituições da Stellar, Inove, Tenom Invest e Petrópolis Invest.
Em São Paulo, o cenário é mais fragmentado. Na W1 Capital, quatro instituições dividem a liderança. Na BT Invest, UNIP e FGV têm 10,3% cada. Na Alianco Invest, Mackenzie e FGV aparecem empatadas em 17,6%. Na K3 Investimentos, essas mesmas duas instituições novamente dividem a primeira posição, com 11,5%.
Não há, portanto, uma instituição paulista que exerça sobre todos os escritórios do estado uma dominância comparável à observada pela PUCRS em Porto Alegre.
Ranking completo: onde estudaram os profissionais dos 20 escritórios
1º — W1 Capital | São Paulo (SP) | 103 membros mapeados
PUC-Campinas: 5,8%; Mackenzie: 5,8%; Estácio: 5,8%; FGV: 5,8%; UNIP: 4,9%; outros: 71,9%.
2º — Ável Investimentos | Porto Alegre (RS) | 424 membros
PUCRS: 18,6%; UFRGS: 10,1%; UniRitter: 5,7%; Unisinos: 5,7%; UNIASSELVI: 2,8%; outros: 57,1%.
3º — BT Invest | São Paulo (SP) | 39 membros
UNIP: 10,3%; FGV: 10,3%; Uninove: 7,7%; UFF: 7,7%; Ibmec: 7,7%; outros: 56,4%.
4º — Valor Investimentos | Vitória (ES) | 208 membros
Ufes: 14,9%; Fucape Business School: 11,5%; UnB: 8,2%; Ibmec: 8,2%; outros: 57,2%.
5º — Alianco Invest | São Paulo (SP) | 17 membros
Mackenzie: 17,6%; FGV: 17,6%; UNIP: 11,8%; outros: 52,9%.
6º — Liberta Investimentos | Porto Alegre (RS) | 118 membros
PUCRS: 18,6%; UFRGS: 12,7%; FGV: 11,9%; UniRitter: 9,3%; Unisinos: 7,6%; outros: 39,8%.
7º — Faz Capital | Porto Alegre (RS) | 133 membros
PUCRS: 18%; UFRGS: 13,5%; UniRitter: 9%; Unisinos: 7,5%; FGV: 5,3%; outros: 46,6%.
8º — Pequod Investimentos | Recife (PE) | 25 membros
Unicap: 24%; UFPE: 16%; UPE: 12%; Unifor: 12%; UFAL: 8%; outros: 28%.
9º (empate) — Stellar Capital | Rio de Janeiro (RJ) | 20 membros
PUC-Rio: 20%; FGV: 20%; UFRJ: 15%; ESPM: 10%; Mackenzie: 10%; outros: 25%.
9º (empate) — Inove Investimentos | Rio de Janeiro (RJ) | 51 membros
PUC-Rio: 13,7%; FGV: 11,8%; Estácio: 9,8%; UFF: 9,8%; Ibmec: 7,8%; outros: 47,1%.
11º — K3 Investimentos | São Paulo (SP) | 52 membros
Mackenzie: 11,5%; FGV: 11,5%; Estácio: 7,7%; Anhembi Morumbi: 5,8%; FECAP: 5,8%; outros: 57,7%.
12º (empate) — SVN Investimentos | Maringá (PR) | 416 membros
UEM: 10,1%; FGV: 9,1%; PUCPR: 6%; UEL: 5,3%; UniCesumar: 4,8%; outros: 64,7%.
12º (empate) — Requin Capital | Recife (PE) | 29 membros
Unifor: 17,2%; UFPE: 13,8%; Wyden: 10,3%; Unicap: 10,3%; FGV: 10,3%; outros: 37,9%.
14º — Tenom Invest | Rio de Janeiro (RJ) | 28 membros
FGV: 14,3%; PUCRS: 7,1%; UVA: 7,1%; Ibmec: 7,1%; UFRJ: 7,1%; outros: 57,1%.
15º — Act Investimentos | Salvador (BA) | 87 membros
Unifacs: 21,8%; UFBA: 18,4%; Ibmec: 12,6%; FGV: 9,2%; Unicap: 8%; outros: 29,9%.
16º (empate) — Nexgen Capital | Goiânia (GO) | 30 membros
PUC Goiás: 26,7%; FGV: 13,3%; PUCRS: 6,7%; XP Educação: 6,7%; UFG: 6,7%; outros: 40%.
16º (empate) — Petrópolis Invest | Petrópolis (RJ) | 66 membros
UCP: 22,7%; Estácio: 21,2%; FGV: 18,2%; UFRJ: 7,6%; UFF: 7,6%; outros: 22,7%.
18º — M7 Investimentos | Fortaleza (CE) | 127 membros
Unifor: 20,5%; UFC: 15%; Estácio: 11,8%; FGV: 7,9%; UECE: 3,1%; outros: 41,7%.
19º — Golden Investimentos | Vitória (ES) | 60 membros
Fucape Business School: 16,7%; UVV: 15%; Ufes: 8,3%; outros: 60%.
20º — Manchester Investimentos | Joinville (SC) | 198 membros
UFSC: 11,6%; Univille: 8,1%; FGV: 7,6%; outros: 72,7%.
Mais diversidade do que um caminho acadêmico único
O retrato dos 2.231 profissionais sugere dois movimentos simultâneos. De um lado, algumas instituições de alcance nacional, especialmente a FGV, conseguem aparecer de forma recorrente em escritórios espalhados pelo país. De outro, universidades estaduais, federais e privadas com forte inserção regional ocupam posições de destaque em praticamente todas as praças analisadas.
Esse segundo aspecto é particularmente relevante para quem observa a formação do mercado financeiro brasileiro apenas a partir das universidades tradicionalmente associadas à Faria Lima. Dentro da assessoria de investimentos, ao menos nesta amostra, aparecem com destaque instituições como UEM, Ufes, UFRGS, UFPE, UFBA, UFC, UFSC, PUC Goiás, Unicap, Unifacs, Fucape, Unifor e Univille.
O levantamento não permite concluir que determinadas faculdades aumentem as chances de entrar no setor, nem mede qualidade acadêmica, desempenho profissional ou critérios de contratação dos escritórios. O que os dados permitem observar é que a formação dos assessores do G20 da XP é distribuída entre diferentes instituições e possui uma dimensão regional bastante marcada.
Metodologia
O levantamento realizado pelo The College considera assessores de investimentos vinculados aos 20 escritórios que compõem o G20 da XP em 2026, conforme divulgado na premiação Brazil Advisor Awards. Ao todo, as bases apresentadas somam 2.231 profissionais mapeados.
Os dados são estimativas obtidas a partir de perfis públicos por meio do LinkedIn People Insights e não correspondem a informações oficiais fornecidas pela XP ou pelos escritórios. Por isso, devem ser interpretados como indicadores de tendências, e não como números exatos. Perfis podem estar desatualizados, conter formações complementares ou ainda incluir pessoas que já deixaram as empresas.
Foram utilizados filtros para priorizar assessores de investimentos e reduzir a presença de profissionais de operações, tecnologia, recursos humanos, compliance, marketing e outras funções corporativas. Ainda assim, alguns profissionais fora do escopo principal podem ter sido incluídos.
As instituições exibidas podem corresponder a qualquer etapa da formação acadêmica ou profissional, incluindo graduação, MBA, mestrado, doutorado, pós-graduação e cursos executivos. Portanto, os percentuais não representam necessariamente a universidade de graduação dos profissionais.
O levantamento também não busca estabelecer quais são as melhores faculdades para ingressar na assessoria de investimentos. Seu objetivo é exclusivamente mostrar quais instituições aparecem com maior frequência na amostra analisada.
Fonte: LinkedIn People Insights · XP (G20, 2026) · The College.
