A formação de quem atua nos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil ajuda a revelar quais instituições aparecem com maior frequência em um dos segmentos mais competitivos do mercado jurídico. Isso não significa que exista uma faculdade determinante para entrar em uma grande banca, mas permite observar padrões de presença entre profissionais que hoje atuam nesse ambiente.
Um levantamento realizado pelo The College, a partir de dados do LinkedIn People Insights, analisou 15 grandes escritórios de advocacia no Brasil e reuniu informações de 3.908 profissionais mapeados com atuação no jurídico e formação associada ao Direito.
O resultado aponta uma concentração relevante. Considerando os escritórios em conjunto, FGV, PUC-SP, USP e Mackenzie concentram aproximadamente 65% das principais ocorrências identificadas. A FGV ocupa a primeira posição no ranking consolidado, com 22,1%, seguida pela PUC-SP, com 18,2%.
O levantamento, porém, não deve ser interpretado como um ranking de qualidade das faculdades nem como uma indicação de que determinada instituição oferece necessariamente maior probabilidade de contratação. Os dados são baseados em perfis públicos do LinkedIn e incluem diferentes tipos de formação ao longo da carreira.
Quatro instituições concentram boa parte das ocorrências
A distância entre o grupo das quatro primeiras instituições e as demais é um dos aspectos mais evidentes dos dados.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) aparece em 22,1% das ocorrências consolidadas, enquanto a PUC-SP responde por 18,2%. Na sequência, USP e Mackenzie praticamente empatam, com 12,6% e 12,5%, respectivamente.
Somadas, essas quatro instituições chegam a 65,4% — percentual apresentado de forma arredondada no levantamento como 65%.
Depois delas, há uma queda acentuada. O Insper, quinto colocado, aparece com 2,7%, pouco acima da PUC-RJ, com 2,6%, e da UERJ, com 2,3%.
A diferença mostra que, dentro do recorte disponível no LinkedIn People Insights, as principais ocorrências estão fortemente concentradas no primeiro grupo.
Essa concentração, por si só, não permite afirmar que essas universidades sejam preferidas por todos os grandes escritórios ou que a graduação em uma delas determine o acesso ao setor. Ela mostra apenas que essas instituições aparecem com maior frequência entre os profissionais presentes na amostra analisada.
São Paulo domina o topo do levantamento
Outro padrão visível é a concentração geográfica entre as instituições mais recorrentes.
As quatro primeiras colocadas — FGV, PUC-SP, USP e Mackenzie — têm forte presença em São Paulo, principal centro econômico e financeiro do país e sede de parte relevante do mercado brasileiro de advocacia empresarial.
O Insper, também sediado em São Paulo, aparece na quinta posição. Em seguida, o ranking passa a incluir instituições de outras regiões, como PUC-RJ e UERJ, no Rio de Janeiro, PUC-RS, no Rio Grande do Sul, e FMU | FIAM-FAAM, novamente em São Paulo.
Os dados, no entanto, não permitem estabelecer uma relação causal entre localização geográfica e contratação. A concentração paulista pode refletir diferentes fatores que não são isolados pelo levantamento, como o perfil dos escritórios analisados, a localização de seus profissionais, o volume de alumni de cada instituição e a própria composição dos dados disponíveis no LinkedIn.
O ranking também pode refletir pós-graduações e especializações
Um ponto importante para interpretar os resultados é que a instituição associada a um profissional no LinkedIn não necessariamente corresponde ao local em que ele cursou a graduação em Direito.
As informações podem incluir pós-graduação, especialização, MBA, mestrado e outros cursos realizados ao longo da trajetória profissional. Um advogado formado em uma universidade, por exemplo, pode posteriormente ter realizado uma especialização em outra instituição e aparecer associado às duas.
Essa característica é especialmente relevante ao analisar instituições que oferecem grande volume de cursos de educação executiva e pós-graduação. O levantamento não separa cada ocorrência de acordo com o nível da formação.
Por isso, os percentuais devem ser entendidos como presença das instituições na trajetória acadêmica dos profissionais mapeados, e não exclusivamente como participação na formação de graduação dos advogados.
Ranking consolidado: onde estudaram os profissionais
Na consolidação dos dados dos 15 escritórios analisados, estas foram as instituições que mais apareceram:
FGV — Fundação Getulio Vargas: 22,1%
PUC-SP: 18,2%
USP — Universidade de São Paulo: 12,6%
Mackenzie: 12,5%
Insper: 2,7%
PUC-RJ: 2,6%
UERJ: 2,3%
PUC-RS: 1,9%
FMU | FIAM-FAAM: 1,4%
Outras instituições: 23,7%
A categoria “Outras instituições” reúne o restante da amostra que não aparece entre as principais instituições exibidas na consolidação.
O intervalo entre o quarto e o quinto lugar também chama atenção. Enquanto Mackenzie registra 12,5%, o Insper aparece com 2,7%. Isso reforça a existência de um primeiro grupo bastante destacado dentro dos resultados fornecidos pela plataforma.
Corporate Law representa apenas uma parte do mercado jurídico
O mercado jurídico brasileiro é consideravelmente mais amplo do que o universo coberto pelo levantamento. Grandes escritórios empresariais mantêm áreas como Corporate Law, M&A, Mercado de Capitais, Tributário, Contencioso, Trabalhista, Concorrencial, Bancário e Imobiliário, entre outras práticas.
Por isso, a presença de determinadas faculdades entre profissionais de grandes bancas não necessariamente se reproduz em outros segmentos da advocacia.
Escritórios especializados em Direito Penal, Direito de Família, advocacia pública, Direito Previdenciário ou atuação regional, por exemplo, podem apresentar uma composição acadêmica bastante diferente.
O recorte permite observar sobretudo quais instituições aparecem com maior frequência entre profissionais ligados a grandes escritórios empresariais incluídos na análise — não qual seria a formação predominante de todos os advogados brasileiros.
O que os dados permitem observar
A principal característica do levantamento é a concentração. Entre as instituições identificadas, um grupo pequeno responde por parcela expressiva das ocorrências, com FGV e PUC-SP ocupando isoladamente as duas primeiras posições e USP e Mackenzie formando um segundo bloco praticamente empatado.
Ao mesmo tempo, os 23,7% agrupados em “Outras instituições” mostram que a presença no mercado não está restrita às universidades mais recorrentes. Há profissionais com trajetórias acadêmicas distribuídas por diversas outras faculdades que não aparecem individualmente entre os principais resultados exibidos.
Assim, os dados funcionam melhor como um retrato da composição acadêmica observada dentro da amostra do que como um roteiro de entrada no mercado. Eles mostram onde uma parcela relevante desses profissionais estudou, mas não medem processo seletivo, desempenho profissional, remuneração, senioridade ou probabilidade de contratação.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir de dados do LinkedIn People Insights.
Foram considerados 15 grandes escritórios de advocacia no Brasil, somando 3.908 profissionais mapeados com atuação no jurídico e formação associada ao Direito. A consolidação considera as instituições que apareceram entre os principais resultados apresentados pela plataforma para os escritórios analisados.
Os dados são provenientes de perfis públicos e autodeclarados no LinkedIn e não constituem informações oficiais ou auditadas. Podem existir perfis desatualizados, profissionais que já deixaram determinado escritório e informações incompletas ou incorretas.
Além disso, o LinkedIn People Insights apresenta apenas os cinco principais resultados por categoria, o que significa que o levantamento representa um recorte das ocorrências mais frequentes, e não a totalidade das formações existentes na amostra.
As instituições associadas aos profissionais também podem representar graduação, pós-graduação, especialização, MBA, mestrado ou outras experiências acadêmicas. Uma mesma pessoa pode, portanto, estar vinculada a mais de uma instituição, o que pode fazer com que, em determinadas análises, a soma dos percentuais ultrapasse 100%.
Fonte: LinkedIn People Insights & The College.
