O desempenho da educação básica brasileira continua marcado por diferenças importantes entre estados e regiões. Nos resultados de 2025 do Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, a distância entre a primeira e a última colocação chega a 3,1 pontos — um intervalo expressivo dentro de um indicador que combina aprendizagem e fluxo escolar.

O Ceará ocupa o topo do ranking nacional, com nota 7,7. O resultado coloca o estado 0,4 ponto à frente do Paraná, segundo colocado, com 7,3. Pernambuco e Espírito Santo aparecem empatados na sequência, ambos com 6,8.

Considerando os 26 estados e o Distrito Federal, a média geral apresentada no levantamento é de 6,15. O resultado nacional, porém, esconde realidades bastante distintas: enquanto algumas unidades federativas se aproximam ou ultrapassam a marca de 7 pontos, outras permanecem abaixo de 6.

O Ideb é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar a educação básica no Brasil. O índice combina o desempenho dos estudantes em avaliações nacionais com informações sobre aprovação escolar, permitindo observar, em uma mesma métrica, aprendizagem e progressão dos alunos.

O Ceará se distancia na liderança

A primeira posição do Ceará é um dos principais destaques do levantamento. Com 7,7, o estado apresenta não apenas o maior resultado do país, mas também abre uma diferença perceptível em relação à maior parte das demais unidades federativas.

O Paraná, com 7,3, é o único outro estado acima de 7 pontos. Depois dele, há uma queda para 6,8, nota registrada por Pernambuco e Espírito Santo.

A partir daí, as diferenças se tornam menores. Goiás e Minas Gerais aparecem empatados com 6,7, enquanto São Paulo ocupa a 7ª posição, com 6,6. O estado paulista, portanto, fica atrás de representantes de quatro das cinco regiões brasileiras que aparecem entre as seis primeiras posições.

O ranking também mostra que posições próximas nem sempre representam diferenças grandes no indicador. Entre o 5º colocado, Goiás, com 6,7, e o 13º, Pará, com 6,2, há apenas meio ponto de distância.

Sul tem a maior média regional, mas Nordeste coloca dois estados no top 3

Quando os resultados são agrupados por região, o Sul apresenta a maior média do país: 6,67. Na sequência aparecem Sudeste, com 6,48, Centro-Oeste, com 6,08, Norte, com 6,01, e Nordeste, com 5,97.

O dado regional, entretanto, não conta toda a história.

O Nordeste tem a menor média entre as cinco regiões, mas reúne dois dos três estados mais bem colocados no ranking nacional: Ceará, em 1º, e Pernambuco, em 3º. Ao mesmo tempo, a região também concentra o último colocado, o Maranhão, com nota 4,6.

Essa dispersão ajuda a mostrar por que médias regionais precisam ser interpretadas com cuidado. Estados pertencentes a uma mesma parte do país podem apresentar resultados bastante diferentes.

Situação semelhante aparece em outras regiões. No Sudeste, por exemplo, o Espírito Santo é 3º colocado, com 6,8, enquanto o Rio de Janeiro aparece apenas na 19ª posição, com 5,8. A diferença entre os dois estados é de 1 ponto.

Norte apresenta resultados relativamente concentrados

Entre os estados da região Norte, o Acre aparece na melhor posição nacional: 8º lugar, com nota 6,5. Logo depois estão Tocantins, com 6,4, e Rondônia e Pará, ambos com 6,2.

Amazonas registra 6,1, enquanto Roraima tem 5,5 e Amapá, 5,2.

Embora nenhum estado da região apareça entre os sete primeiros, cinco das sete unidades federativas do Norte estão entre 6,1 e 6,5. A maior distância interna é observada entre Acre, com 6,5, e Amapá, com 5,2.

No Centro-Oeste, Goiás lidera regionalmente com 6,7 e ocupa a 5ª posição nacional. Distrito Federal aparece com 6,0, Mato Grosso com 5,9 e Mato Grosso do Sul com 5,7.

São Paulo fica em 7º e Rio de Janeiro em 19º

O desempenho dos estados mais populosos do Sudeste também chama atenção pela diferença de posições.

São Paulo registra Ideb de 6,6 e ocupa o 7º lugar no país. Minas Gerais aparece imediatamente acima, na 6ª posição, com 6,7, enquanto o Espírito Santo alcança a 3ª colocação com 6,8.

O Rio de Janeiro apresenta o menor resultado da região: 5,8, suficiente para a 19ª posição nacional. Entre os quatro estados do Sudeste, portanto, há uma distância de dezesseis posições entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.

O recorte reforça um padrão presente em outras partes do ranking: pertencer a uma região com média elevada não significa necessariamente ocupar uma posição alta individualmente.

Ranking completo do Ideb entre os estados brasileiros em 2025

Depois do Ceará e do Paraná, as notas se tornam progressivamente mais próximas, com diversos empates ao longo da classificação. Confira a lista completa apresentada no levantamento:

  1. Ceará — Nordeste: 7,7

  2. Paraná — Sul: 7,3

  3. Pernambuco — Nordeste: 6,8

  4. Espírito Santo — Sudeste: 6,8

  5. Goiás — Centro-Oeste: 6,7

  6. Minas Gerais — Sudeste: 6,7

  7. São Paulo — Sudeste: 6,6

  8. Acre — Norte: 6,5

  9. Tocantins — Norte: 6,4

  10. Rio Grande do Sul — Sul: 6,4

  11. Santa Catarina — Sul: 6,3

  12. Rondônia — Norte: 6,2

  13. Pará — Norte: 6,2

  14. Amazonas — Norte: 6,1

  15. Bahia — Nordeste: 6,1

  16. Distrito Federal — Centro-Oeste: 6,0

  17. Piauí — Nordeste: 6,0

  18. Mato Grosso — Centro-Oeste: 5,9

  19. Rio de Janeiro — Sudeste: 5,8

  20. Sergipe — Nordeste: 5,7

  21. Alagoas — Nordeste: 5,7

  22. Mato Grosso do Sul — Centro-Oeste: 5,7

  23. Paraíba — Nordeste: 5,6

  24. Rio Grande do Norte — Nordeste: 5,5

  25. Roraima — Norte: 5,5

  26. Amapá — Norte: 5,2

  27. Maranhão — Nordeste: 4,6

O ranking revela diferenças que atravessam as regiões

Os dados não permitem reduzir o desempenho educacional brasileiro a uma divisão simples entre regiões mais e menos desenvolvidas. O Sul lidera na média regional, mas o melhor resultado individual vem do Nordeste. O Sudeste tem três estados entre os sete primeiros, mas também registra o Rio de Janeiro na 19ª posição.

No Nordeste, o contraste é ainda maior: Ceará e Pernambuco estão no grupo de liderança ao mesmo tempo em que o Maranhão fecha a classificação nacional.

O Ideb também deve ser interpretado dentro de seus limites. Por combinar desempenho em avaliações e aprovação escolar, o indicador oferece uma referência importante para acompanhar a educação básica, mas não resume sozinho todas as dimensões da qualidade educacional. Estrutura das redes, características socioeconômicas e outros aspectos do ensino não estão representados integralmente por uma única nota.

Metodologia

O ranking reúne os resultados de 26 estados e do Distrito Federal apresentados para o Ideb de 2025. Segundo o material analisado, a média das 27 unidades federativas foi de 6,15.

As médias regionais apresentadas são: Sul, 6,67; Sudeste, 6,48; Centro-Oeste, 6,08; Norte, 6,01; e Nordeste, 5,97.

O Ideb combina resultados de desempenho dos estudantes em avaliações nacionais com dados de aprovação escolar. A fonte indicada no material original é Ideb/Inep.

O material fornecido não especifica o recorte por etapa de ensino, série ou rede utilizado para construir esta comparação. Por isso, esses detalhes não são acrescentados à análise, evitando atribuir ao levantamento uma metodologia que não esteja explicitada na fonte apresentada.