Entrar na faculdade e concluir uma graduação não significa, necessariamente, conseguir transformar o diploma em trabalho. A transição entre ensino superior e mercado profissional varia de forma relevante conforme a área de formação — e um levantamento do Instituto Semesp ajuda a dimensionar essas diferenças entre cursos no Brasil.

A pesquisa, divulgada pela CNN Brasil, ouviu 5.681 formados de 178 instituições brasileiras entre agosto e setembro de 2024. O estudo identificou o percentual de graduados que estavam trabalhando no momento da pesquisa e mostra uma diferença expressiva entre as áreas analisadas.

Medicina aparece isolada na primeira posição: 92% dos formados entrevistados estavam empregados. O índice é 11,6 pontos percentuais superior ao de Farmácia, segundo curso mais bem colocado, com 80,4%.

Os resultados também revelam uma presença relevante de carreiras da saúde entre os primeiros lugares, ao mesmo tempo em que áreas como tecnologia, comunicação, design e arquitetura aparecem entre os dez cursos com maiores percentuais de graduados trabalhando.

Medicina se distancia dos demais cursos

A principal característica do ranking está no tamanho da vantagem da Medicina. Com 92% de empregabilidade entre os entrevistados, o curso é o único da lista a ultrapassar a marca de 90%.

Depois dele, os percentuais ficam significativamente mais próximos. Farmácia aparece com 80,4%, enquanto Odontologia registra 78,8%. Ciência da Computação, em quarto lugar, tem 76,7%, praticamente empatada com Medicina Veterinária, com 76,6%.

A diferença entre Medicina e Ciência da Computação, por exemplo, chega a 15,3 pontos percentuais. Já entre o segundo e o décimo colocado, a distância é de apenas 7,2 pontos.

Isso torna a liderança da Medicina uma exceção dentro da distribuição observada pelo levantamento: excluindo o primeiro colocado, os demais cursos do top 10 estão concentrados em uma faixa relativamente estreita, entre 73,2% e 80,4%.

Saúde ocupa quatro das seis primeiras posições

Outro padrão evidente é a presença dos cursos ligados à saúde. Medicina, Farmácia e Odontologia ocupam as três primeiras posições, enquanto Medicina Veterinária aparece em quinto lugar.

Assim, quatro das seis graduações mais bem posicionadas pertencem diretamente à área da saúde. A única formação a interromper a sequência no topo é Ciência da Computação, em quarto lugar.

O resultado mostra uma concentração dessas formações entre os graduados com maior proporção de entrevistados trabalhando, mas não permite concluir que escolher um curso da área da saúde seja, por si só, garantia de emprego. O levantamento registra a situação profissional dos participantes em determinado momento, sem estabelecer uma relação causal entre a graduação escolhida e a obtenção de uma vaga.

Além disso, diferentes profissões possuem dinâmicas próprias de acesso ao mercado, exigências de registro profissional, distribuição geográfica de oportunidades e possibilidades de atuação autônoma. Esses fatores podem ajudar a contextualizar diferenças entre cursos, mas não foram isolados pelo ranking apresentado.

Tecnologia aparece no topo, mas não domina a lista

Ciência da Computação é o curso mais bem colocado fora da área da saúde, com 76,7% dos graduados entrevistados trabalhando. O resultado coloca a formação em quarto lugar geral, apenas 0,1 ponto percentual acima de Medicina Veterinária.

Sistemas de Informação, outra graduação ligada à tecnologia, aparece mais abaixo no levantamento completo, na 12ª posição, com índice de 71,3%.

A diferença entre as duas formações é um lembrete de que categorias amplas como “tecnologia” não devem ser tratadas como um único mercado. O levantamento mede cursos específicos e, portanto, os resultados de uma graduação não podem ser automaticamente transferidos para todas as formações relacionadas ao setor.

Comunicação, design e arquitetura também aparecem entre os dez primeiros

O top 10 não é formado apenas por profissões tradicionalmente associadas à saúde ou à tecnologia. Design e Relações Públicas dividem a sexta posição em percentual, ambos com 75% dos entrevistados trabalhando.

Arquitetura e Urbanismo vem logo depois, com 74,6%, seguida por Publicidade e Propaganda, com 73,5%. Letras fecha o grupo dos dez primeiros, com 73,2%.

Essa composição torna o ranking mais diverso do que uma leitura baseada apenas nos primeiros colocados poderia sugerir. Entre os dez cursos aparecem formações ligadas à saúde, computação, comunicação, criação, arquitetura e humanidades.

Também chama atenção a proximidade entre várias posições. Do sexto colocado ao décimo, por exemplo, a diferença é de apenas 1,8 ponto percentual, o que recomenda cautela ao interpretar pequenas mudanças de posição como diferenças substanciais entre os cursos.

Os 10 cursos de graduação com maior índice de empregabilidade

De acordo com os dados do Instituto Semesp apresentados no levantamento:

  1. Medicina — 92%

  2. Farmácia — 80,4%

  3. Odontologia — 78,8%

  4. Ciência da Computação — 76,7%

  5. Medicina Veterinária — 76,6%

  6. Design — 75%

  7. Relações Públicas — 75%

  8. Arquitetura e Urbanismo — 74,6%

  9. Publicidade e Propaganda — 73,5%

  10. Letras — 73,2%

O material também apresenta outros sete cursos após o top 10: Fisioterapia, com 71,5%; Sistemas de Informação, com 71,3%; Contabilidade, com 68,2%; Economia, com 68%; Engenharia Civil, com 67,8%; Psicologia, com 67,3%; e Agronomia, com 63,6%.

Empregabilidade não significa necessariamente trabalhar na área de formação

A principal ressalva para interpretar o ranking está na própria definição do indicador. Os percentuais representam a parcela de entrevistados que estava trabalhando no momento da pesquisa.

Portanto, o levantamento não deve ser entendido como uma taxa de garantia de emprego para novos estudantes nem como uma projeção da demanda futura por profissionais de cada área. Também não significa, a partir das informações apresentadas, que todos os participantes empregados necessariamente trabalhavam em ocupações diretamente relacionadas à graduação cursada.

O retrato é especialmente relevante para comparar a situação profissional da amostra analisada, mas não permite concluir que escolher o curso mais bem colocado produzirá automaticamente melhores resultados profissionais.

Da mesma forma, empregabilidade é apenas uma dimensão possível na escolha de uma graduação. Salários, aderência entre formação e ocupação, perspectivas de carreira, qualidade do trabalho, localização das vagas e afinidade individual com a profissão são aspectos diferentes que não são capturados por esse percentual isoladamente.

Metodologia

Os dados são de um levantamento do Instituto Semesp, divulgado pela CNN Brasil. A pesquisa ouviu 5.681 formados de 178 instituições brasileiras entre agosto e setembro de 2024.

Entre os participantes, 96,9% haviam estudado em instituições privadas, característica importante para a interpretação dos resultados, já que a amostra não reproduz necessariamente a composição de todos os graduados do ensino superior brasileiro.

Os índices apresentados correspondem ao percentual de entrevistados que estavam trabalhando no momento da pesquisa. Por isso, não representam garantia de emprego para quem ingressar hoje em determinado curso nem devem ser interpretados como projeção atual ou futura do mercado de trabalho.

Fonte: Instituto Semesp, via CNN Brasil.