Chegar ao Supremo Tribunal Federal representa um dos pontos mais altos de uma trajetória jurídica no Brasil. Embora não exista uma universidade específica que determine quem alcança uma cadeira na Corte, a formação acadêmica dos ministros ao longo da história revela uma concentração relevante em algumas das instituições mais tradicionais do ensino jurídico brasileiro.

Um levantamento realizado pelo The College, com base em dados históricos do STF, reuniu as universidades com o maior número de ex-alunos que posteriormente se tornaram ministros do Supremo. O resultado mostra uma liderança expressiva da Universidade de São Paulo (USP), responsável pela formação de 55 nomes que chegaram à Corte.

Na sequência aparecem a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com 40 ministros, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 30. Juntas, as três primeiras colocadas respondem por 125 dos 159 registros contabilizados entre as dez universidades apresentadas no ranking — aproximadamente 79% do total.

O recorte também evidencia outro padrão: todas as instituições listadas são públicas. Universidades federais e estaduais dominam integralmente o levantamento, refletindo o peso histórico dessas instituições na formação das elites jurídicas brasileiras.

USP, UFPE e UFRJ concentram a maior parte dos ministros

A distância entre as primeiras colocadas ajuda a dimensionar o grau de concentração do ranking. A USP aparece na liderança com 55 ministros, 15 a mais que a UFPE, segunda colocada, com 40. A UFRJ ocupa a terceira posição, com 30.

A mudança de patamar ocorre a partir do quarto lugar. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aparece com 13 ministros, menos da metade dos 30 registrados pela UFRJ.

Na sequência, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) contabiliza nove. A partir da sexta posição, os números diminuem ainda mais: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Federal da Bahia (UFBA) aparecem com três ministros cada, enquanto Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade de Brasília (UnB) registram dois cada uma.

A distribuição, portanto, está longe de ser equilibrada entre as instituições. Os dados mostram que algumas poucas universidades aparecem de maneira muito mais recorrente na formação dos integrantes do STF ao longo da história.

Isso não significa, porém, que estudar nessas instituições aumente automaticamente as chances de chegar ao Supremo. O levantamento descreve a formação acadêmica de quem ocupou o cargo e não estabelece uma relação de causa e efeito entre a universidade frequentada e a trajetória profissional posterior.

Universidades públicas ocupam todo o ranking

Um dos aspectos mais marcantes do levantamento é a ausência de instituições privadas entre as dez primeiras colocadas.

USP e UERJ são universidades estaduais. UFPE, UFRJ, UFMG, UFRGS, UFBA, UFC, UFMA e UnB integram a rede pública federal.

Essa predominância precisa ser analisada sob uma perspectiva histórica. Diversas instituições presentes no ranking possuem faculdades de Direito com longa trajetória na formação de juristas, magistrados, professores, políticos e integrantes da administração pública brasileira.

O dado, entretanto, não permite concluir que universidades públicas sejam, por si só, uma espécie de caminho preferencial para o STF. A composição histórica da Corte atravessa diferentes períodos do país, enquanto as oportunidades de acesso ao ensino superior, a distribuição das instituições e o próprio perfil da educação jurídica mudaram significativamente ao longo do tempo.

Nesse sentido, o ranking funciona mais como um retrato das universidades que aparecem com maior frequência nas trajetórias acadêmicas dos ministros do que como uma indicação sobre quais faculdades oferecem maiores probabilidades de acesso ao cargo.

Sudeste domina, mas Pernambuco ocupa a segunda posição

A distribuição geográfica acrescenta outra camada à análise. Quatro das dez universidades do ranking estão no Sudeste: USP, UFRJ, UFMG e UERJ. Somadas, elas contabilizam 101 registros.

O Nordeste também possui presença relevante, com UFPE, UFBA, UFC e UFMA. Nesse grupo, o destaque é Pernambuco: com 40 ministros, a UFPE ocupa a segunda posição nacional e supera individualmente todas as instituições do ranking, com exceção da USP.

O Sul aparece representado pela UFRGS, com nove ministros, enquanto o Centro-Oeste tem a UnB, com dois.

A distribuição mostra que, embora exista forte concentração no Sudeste, o histórico de formação dos ministros do Supremo não está restrito à região. Particularmente no caso da UFPE, a presença entre os primeiros lugares evidencia a importância histórica de outros centros de formação jurídica no país.

Ranking completo das faculdades de Direito que mais formaram ministros do STF

Depois da liderança formada por USP, UFPE e UFRJ, os números diminuem consideravelmente. O ranking apresentado pelo levantamento do The College é:

  1. Universidade de São Paulo (USP) — 55 ministros

  2. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — 40 ministros

  3. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — 30 ministros

  4. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — 13 ministros

  5. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — 9 ministros

  6. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) — 3 ministros

  7. Universidade Federal da Bahia (UFBA) — 3 ministros

  8. Universidade Federal do Ceará (UFC) — 2 ministros

  9. Universidade Federal do Maranhão (UFMA) — 2 ministros

  10. Universidade de Brasília (UnB) — 2 ministros

Há empate entre UERJ e UFBA, com três ministros cada, nas posições 6 e 7 do levantamento. UFC, UFMA e UnB também aparecem empatadas, com dois ministros cada, nas posições 8, 9 e 10.

O ranking retrata uma concentração histórica, não um caminho obrigatório

A principal leitura permitida pelos dados está na concentração. Apenas três universidades — USP, UFPE e UFRJ — reúnem a grande maioria das ocorrências entre as instituições apresentadas, enquanto as demais aparecem em um patamar significativamente menor.

Também chama atenção o fato de todo o grupo ser composto por universidades públicas e de instituições com tradição histórica no ensino jurídico ocuparem as primeiras posições.

Esses padrões, porém, precisam ser interpretados dentro dos limites do levantamento. A formação acadêmica é apenas uma das muitas dimensões da trajetória de um ministro do Supremo. Experiência profissional, carreira na magistratura, atuação no Ministério Público, advocacia, produção acadêmica, participação na administração pública e o próprio processo político de indicação ao STF fazem parte de percursos que não podem ser explicados apenas pela universidade cursada.

Mais do que indicar a existência de uma “faculdade do STF”, os dados mostram como determinadas instituições aparecem de forma recorrente na história da mais alta Corte brasileira — e como a formação das elites jurídicas do país esteve, em diferentes períodos, concentrada em alguns dos principais centros públicos de ensino de Direito.

Metodologia

O ranking foi elaborado a partir de levantamento realizado pelo The College com base em dados históricos do Supremo Tribunal Federal (STF), considerando as universidades frequentadas por ministros da Corte ao longo da história.

Foram apresentadas as dez instituições com maior número de ministros ex-alunos. Em caso de empate, UERJ e UFBA registram três ministros cada, enquanto UFC, UFMA e UnB aparecem com dois cada.

Os dados devem ser interpretados como um retrato histórico da formação acadêmica dos ministros analisados. O levantamento não estabelece relação causal entre a universidade frequentada e a possibilidade de indicação ou chegada ao Supremo Tribunal Federal.

Publicado em [30-04-2026]