Estudar Medicina em uma instituição privada no Brasil pode exigir um orçamento comparável ao custo de alguns dos cursos superiores mais caros do país. Em 2026, as maiores mensalidades encontradas pelo The College já se aproximam de R$ 16 mil por mês, o que coloca o custo anual apenas das mensalidades perto de R$ 190 mil no topo da lista.

Um levantamento realizado pelo The College reuniu as 15 maiores mensalidades consolidadas encontradas para cursos de Medicina em instituições privadas brasileiras, considerando valores de referência para 2025 e 2026.

A Unigranrio, no Rio de Janeiro, aparece na primeira posição, com mensalidade de R$ 15.778. Na sequência estão a UVA, também no Rio, com R$ 14.900, e a PUC-PR, em Curitiba, com R$ 14.718.

O levantamento não avalia qualidade acadêmica, reputação, infraestrutura ou desempenho dos cursos. O único critério considerado para a classificação é o valor da mensalidade encontrada.

No topo, Medicina já custa quase R$ 190 mil por ano

A diferença entre a instituição mais cara e as demais chama atenção. A mensalidade de R$ 15.778 da Unigranrio representa R$ 189.336 ao longo de 12 meses, antes de considerar despesas adicionais relacionadas à formação, como materiais, moradia, alimentação ou transporte.

A UVA, segunda colocada, cobra R$ 14.900 mensais, enquanto a PUC-PR ocupa a terceira posição com R$ 14.718. Entre a primeira e a terceira colocada, a diferença mensal é de R$ 1.060.

Depois disso, porém, o ranking se torna mais concentrado. Da quarta à nona colocação, todas as mensalidades ficam entre R$ 14.479 e R$ 14.668, uma faixa de menos de R$ 200.

A UNIFACS, em Salvador, aparece em quarto lugar, com R$ 14.668. Na sequência, UNIFAJ, de Jaguariúna, e UniMAX, de Indaiatuba, dividem a quinta posição, ambas com mensalidade de R$ 14.635.

Mesmo na última posição da lista, o valor continua elevado. A UNICEUMA, de São Luís, aparece em 15º lugar com mensalidade de R$ 13.622, equivalente a mais de R$ 163 mil em 12 mensalidades.

São Paulo concentra quatro instituições entre as 15

Geograficamente, o Sudeste concentra sete das 15 instituições da lista. São Paulo é o estado com maior presença, com quatro faculdades: UNIFAJ, UniMAX, SLMandic e USF.

O Rio de Janeiro aparece com duas instituições, justamente nas duas primeiras posições do ranking: Unigranrio e UVA. Minas Gerais completa a participação do Sudeste com a UNIFIPMoc, de Montes Claros.

A Região Sul reúne outras quatro instituições. Três estão no Paraná: PUC-PR, UNICESUMAR e UNINGÁ. O Rio Grande do Sul aparece com a UCS, de Caxias do Sul.

No Nordeste estão UNIFACS e FTC, ambas em Salvador, além da UNICEUMA, em São Luís. A Região Centro-Oeste é representada pela UNIVAG, de Várzea Grande, no Mato Grosso.

Dentro da amostra levantada, nenhuma instituição da Região Norte aparece entre as 15 maiores mensalidades encontradas.

Essa distribuição mostra que os valores mais altos não estão restritos às maiores capitais brasileiras. Jaguariúna, Indaiatuba, Maringá, Várzea Grande, Caxias do Sul, Bragança Paulista e Montes Claros também aparecem na lista, indicando que mensalidades superiores a R$ 13 mil estão presentes em diferentes mercados regionais.

Instituições conhecidas ficam fora do top 15

O levantamento também ajuda a colocar em perspectiva o preço de algumas escolas de Medicina bastante conhecidas.

Cursos ligados ao Hospital Sírio-Libanês e ao Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, ficaram fora das 15 primeiras posições. Segundo os valores de referência utilizados no levantamento, suas mensalidades estão aproximadamente na faixa de R$ 12 mil a R$ 13 mil por mês, abaixo dos valores necessários para entrar no ranking.

A comparação reforça uma ressalva importante: preço e qualidade não são critérios equivalentes. Uma instituição ocupar uma posição mais alta na lista significa apenas que foi encontrada uma mensalidade maior, e não que seu curso seja academicamente superior aos demais.

Da mesma forma, ficar fora do ranking não significa oferecer uma formação de menor qualidade. Indicadores como corpo docente, hospitais conveniados, infraestrutura, desempenho acadêmico, aprovação em residência médica e resultados de avaliações institucionais não fizeram parte da análise.

Ranking completo das 15 faculdades de Medicina mais caras do Brasil

  1. UNIGRANRIO — Rio de Janeiro, RJ: R$ 15.778 por mês

  2. UVA — Rio de Janeiro, RJ: R$ 14.900 por mês

  3. PUC-PR — Curitiba, PR: R$ 14.718 por mês

  4. UNIFACS — Salvador, BA: R$ 14.668 por mês

  5. UNIFAJ — Jaguariúna, SP: R$ 14.635 por mês

  6. UniMAX — Indaiatuba, SP: R$ 14.635 por mês

  7. SLMandic — Campinas, SP: R$ 14.578 por mês

  8. FTC — Salvador, BA: R$ 14.495 por mês

  9. UNICESUMAR — Maringá, PR: R$ 14.479 por mês

  10. UNINGÁ — Maringá, PR: R$ 14.087 por mês

  11. UNIVAG — Várzea Grande, MT: R$ 13.960 por mês

  12. UCS — Caxias do Sul, RS: R$ 13.890 por mês

  13. USF — Bragança Paulista, SP: R$ 13.763 por mês

  14. UNIFIPMoc — Montes Claros, MG: R$ 13.762 por mês

  15. UNICEUMA — São Luís, MA: R$ 13.622 por mês

O que os valores mostram

A concentração das mensalidades chama atenção. Embora a primeira colocada se aproxime de R$ 16 mil mensais, todas as 15 instituições do levantamento estão acima de R$ 13,6 mil. A distância entre a primeira e a última colocada é de R$ 2.156 por mês.

Também existe pouca diferença entre várias posições intermediárias. UNIFAJ e UniMAX têm exatamente o mesmo valor, R$ 14.635, enquanto apenas R$ 189 separam a UNIFACS, quarta colocada, da UNICESUMAR, nona.

Para famílias que avaliam uma graduação em Medicina, no entanto, a mensalidade isolada representa apenas uma parte da decisão financeira. Valores podem sofrer reajustes durante o curso e o custo total pode mudar significativamente conforme a cidade, a necessidade de moradia e as condições comerciais oferecidas pela instituição.

Por isso, o ranking funciona principalmente como um retrato dos maiores preços encontrados no período analisado. Ele permite observar até onde chegaram as mensalidades dos cursos privados de Medicina no país, mas não deve ser utilizado isoladamente para comparar a qualidade ou o retorno oferecido por cada faculdade.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo The College a partir das mensalidades consolidadas divulgadas pelas próprias instituições e de informações disponíveis em fontes públicas, incluindo G1, Quero Bolsa e The University Journal.

Foram considerados valores mensais de referência para cursos de Medicina em 2025 e 2026. A classificação utiliza exclusivamente o valor da mensalidade encontrada e não considera qualidade acadêmica, reputação, infraestrutura, corpo docente, desempenho institucional ou aprovação em programas de residência.

Os preços podem variar de acordo com campus, semestre de ingresso, reajustes, bolsas de estudo, descontos comerciais, financiamento estudantil e políticas internas de cada instituição. Dessa forma, os números devem ser interpretados como uma fotografia aproximada dos maiores valores praticados no período do levantamento, e não como uma tabela oficial ou definitiva de preços.