O que os brasileiros mais ricos do país estudaram antes de construir patrimônios bilionários?

Um levantamento realizado pelo The College a partir do ranking de bilionários da Forbes de 2026 mostra que, embora não exista uma única formação capaz de explicar trajetórias empresariais tão diferentes, alguns cursos aparecem com frequência muito maior no topo da lista.

Economia é o principal deles.

Dos 15 nomes analisados, seis tiveram Economia como sua primeira formação universitária, incluindo Eduardo Saverin, Jorge Paulo Lemann, Pedro Moreira Salles, Max Van Hermann Telles, João Moreira Salles e Walther Moreira Salles Jr.

Na sequência aparecem formações como Administração, Ciência da Computação, Medicina, Farmácia e Bioquímica e Engenharia. Dois integrantes da lista, Joesley e Wesley Batista, não possuem formação superior.

O resultado ajuda a revelar um padrão interessante entre algumas das maiores fortunas brasileiras: boa parte delas está associada a formações que combinam raciocínio quantitativo, negócios e capacidade analítica.

Harvard aparece duas vezes no topo

O homem mais rico do ranking analisado é Eduardo Saverin, com patrimônio estimado em US$ 35,9 bilhões. Sua primeira graduação foi em Economia pela Harvard University.

A mesma combinação entre Economia e Harvard aparece no terceiro colocado, Jorge Paulo Lemann, com fortuna estimada em US$ 19,8 bilhões.

Entre eles está André Esteves, segundo colocado do ranking, com US$ 20,2 bilhões. Diferentemente dos demais integrantes do pódio, sua formação ocorreu no Brasil: Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os três exemplos mostram caminhos acadêmicos bastante distintos dentro de um mesmo grupo de grandes fortunas. Enquanto Saverin e Lemann passaram por uma das universidades mais conhecidas dos Estados Unidos, Esteves construiu sua formação acadêmica em uma universidade pública brasileira e em uma área diretamente ligada à tecnologia.

Economia concentra a maior parte das formações

A predominância de Economia se mantém ao longo da lista.

Além de Saverin e Lemann, Pedro Moreira Salles estudou Economia e História na University of California, Los Angeles (UCLA). Max Van Hermann Telles cursou Economia na Wake Forest University.

João Moreira Salles e Walther Moreira Salles Jr., por sua vez, estudaram Economia na PUC-Rio, enquanto Roberto Sallouti, 15º colocado, também possui formação em Economia pela University of Pennsylvania.

A recorrência do curso não significa que estudar Economia seja um caminho direto para a construção de grandes patrimônios. O levantamento mostra apenas a frequência da formação dentro de um grupo extremamente específico da população brasileira.

Ainda assim, chama atenção a presença de uma graduação que combina matemática, estatística, finanças, compreensão de mercados e análise de incentivos — competências particularmente presentes em atividades empresariais e financeiras.

Universidades brasileiras têm presença relevante

Outro aspecto do levantamento é que estudar no exterior está longe de ser uma característica universal entre os bilionários analisados.

Instituições brasileiras aparecem repetidamente.

Fernando Roberto Moreira Salles, quarto colocado, estudou Administração na Fundação Getulio Vargas (FGV). Jorge Moll Filho, sexto, cursou Medicina na UFRJ. Carlos Alberto Sicupira estudou Administração também na UFRJ.

Miguel Krigsner, fundador de uma das maiores fortunas do ranking, formou-se em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), enquanto Alex Behring cursou Engenharia na PUC-Rio.

Somadas às formações de André Esteves, João Moreira Salles e Walther Moreira Salles Jr., as universidades brasileiras ocupam parcela relevante da lista.

O dado ajuda a relativizar uma percepção comum de que a formação da elite empresarial brasileira necessariamente passa pelas grandes universidades internacionais. Harvard, UCLA, Wake Forest e University of Pennsylvania aparecem no levantamento, mas instituições como UFRJ, PUC-Rio, FGV e UFPR também estão entre as responsáveis pela formação acadêmica dos maiores patrimônios do país.

Dois bilionários não possuem ensino superior

Talvez uma das informações mais interessantes da lista esteja nas posições 11 e 12.

Joesley Batista e Wesley Batista, ambos com patrimônios estimados em US$ 5,4 bilhões, não possuem formação universitária.

As trajetórias dos irmãos ajudam a mostrar a principal limitação de qualquer tentativa de relacionar diretamente diploma e sucesso empresarial: educação formal é apenas uma das muitas variáveis envolvidas na construção de uma carreira ou de um negócio.

No extremo superior da distribuição de riqueza existem pessoas formadas em algumas das universidades mais seletivas do mundo, profissionais graduados em universidades públicas brasileiras e empresários que não concluíram o ensino superior.

Veja a formação dos 15 bilionários analisados

  1. Eduardo Saverin — US$ 35,9 bilhões
    Economia — Harvard University

  2. André Esteves — US$ 20,2 bilhões
    Ciência da Computação — UFRJ

  3. Jorge Paulo Lemann — US$ 19,8 bilhões
    Economia — Harvard University

  4. Fernando Roberto Moreira Salles — US$ 9,9 bilhões
    Administração — FGV

  5. Pedro Moreira Salles — US$ 9,1 bilhões
    Economia e História — UCLA

  6. Jorge Moll Filho — US$ 7,5 bilhões
    Medicina — UFRJ

  7. Max Van Hermann Telles — US$ 7,4 bilhões
    Economia — Wake Forest University

  8. Carlos Alberto Sicupira — US$ 6,9 bilhões
    Administração — UFRJ

  9. Miguel Krigsner — US$ 6,8 bilhões
    Farmácia e Bioquímica — UFPR

  10. Alex Behring — US$ 5,8 bilhões
    Engenharia — PUC-Rio

  11. Joesley Batista — US$ 5,4 bilhões
    Não possui ensino superior

  12. Wesley Batista — US$ 5,4 bilhões
    Não possui ensino superior

  13. João Moreira Salles — US$ 5,1 bilhões
    Economia — PUC-Rio

  14. Walther Moreira Salles Jr. — US$ 5,1 bilhões
    Economia — PUC-Rio

  15. Roberto Sallouti — US$ 4,7 bilhões
    Economia — University of Pennsylvania

Formação ajuda a explicar trajetórias, mas não determina resultados

O retrato dos maiores bilionários brasileiros mostra uma concentração clara em algumas áreas, principalmente Economia, Administração e cursos com forte componente quantitativo.

Mas talvez a conclusão mais importante seja justamente a ausência de uma fórmula única.

Há graduados de Harvard e de universidades públicas brasileiras. Há economistas, administradores, médicos, engenheiros, profissionais de tecnologia e farmacêuticos. E há também empresários sem diploma universitário.

A universidade pode fornecer conhecimento, rede de contatos e ferramentas intelectuais importantes para uma carreira. A lista dos maiores patrimônios brasileiros, porém, mostra que os caminhos percorridos depois dela podem ser muito mais determinantes do que o nome escrito no diploma.

Metodologia: o levantamento do The College considera os 15 primeiros brasileiros do ranking Forbes 2026 e analisa a primeira formação de ensino superior de cada nome. Cursos realizados posteriormente, pós-graduações, MBAs e outras especializações não foram considerados.