Sua nota do Enem pode abrir a porta de universidades em Portugal, sem vestibular. O brasileiro se candidata direto à instituição, como estudante internacional, e cada uma define a própria regra de conversão. O mínimo mais comum é 95 pontos em 200, que corresponde a 475 no Enem.
O The College reuniu 16 universidades portuguesas que aceitam a nota do Enem, do Porto aos Açores. A seleção priorizou instituições com regra confirmada em fonte oficial, entre as conveniadas ao Inep e as que aceitam o exame por regra própria, como Porto, Coimbra e Lisboa. A lista está organizada por região e não é um ranking. Uma nota dentro do mínimo não garante vaga.
Como a nota do Enem é convertida
Portugal usa uma escala de 0 a 200 para a nota de candidatura. Algumas universidades pedem o número na escala portuguesa, outras aplicam o mínimo diretamente sobre as provas do Enem, em 475 ou 500 pontos. Por isso, o mesmo desempenho pode passar em uma instituição e ficar de fora em outra.
No ISCTE, o Enem vale 40% da nota final e o ensino médio, 60%, com mínimo de 100 de 200. Na Universidade Fernando Pessoa, a nota final combina ensino médio e Enem em partes iguais, e o piso é 95 de 200. Esse tipo de fórmula ajuda a explicar por que comparar apenas o mínimo pode induzir a erro.
No Norte, públicas com custos bem diferentes
Na Universidade do Porto, a propina vai de 3.500 a 16.500 euros por ano, com até 45% de desconto para brasileiros. A nota mínima é definida por cada faculdade, então não existe um único número para a universidade inteira.
A Universidade do Minho pede mínimo de 500 na nota, com pesos definidos por curso. Para brasileiros, a propina em cursos de Engenharia é de 1.100 euros por ano. Na UTAD, a nota abaixo de 475 vale zero na conversão, e o brasileiro paga 697 euros por ano, o mesmo valor pago pelo estudante português.
As privadas do Norte pedem notas mais baixas
Na Universidade Católica, em Braga, o mínimo é 475 por prova, considerando o ano da candidatura ou os quatro anteriores. A Universidade Portucalense exige nota individual mínima de 475 em um dos quatro anos anteriores. Nos dois casos, o levantamento não encontrou valor de propina publicado, e a orientação é consultar a instituição.
A Universidade Fernando Pessoa e a Universidade da Maia pedem 95 de 200. Na Maia, o mínimo vale tanto no exame quanto na nota de candidatura. Também nesses dois casos não há custo público confirmado, o que torna a conversa com a secretaria o passo obrigatório de quem compara preços.
Centro: Coimbra e a Medicina de 700 pontos
A Universidade de Coimbra aceita o Enem dos últimos cinco anos. A exceção é a Medicina, que pede 700 na nota de candidatura e custa 18 mil euros por ano. Fora dessa graduação, o levantamento não confirmou valor atualizado, por isso o número não entra no quadro geral.
Na Universidade de Aveiro, o mínimo é 475 em cada área do exame, e a propina fica entre 3.500 e 5.000 euros por ano. Já a Universidade da Beira Interior, na Covilhã, cobra 3.000 euros por ano de brasileiros. Esse é o único valor do levantamento que vem da tabela de 2025/26, e não de 2026/27.
Lisboa: o Técnico e a Medicina da NOVA
Na Universidade de Lisboa, o Técnico pede 500 na nota com pesos por curso e cobra 7.000 euros por ano. Na Universidade NOVA de Lisboa, a Medicina exige 500 em Ciências da Natureza e 500 em Matemática, e custa também 18 mil euros por ano. No ISCTE, Direito cobra 5.500 euros por ano, e Economia, 7.000 euros.
A Universidade Lusófona aceita o Enem a partir de 2021, e o custo de Psicologia gira em torno de 455 euros por mês. A Universidade Europeia tem convênio com o Inep, mas não foi incluída na lista, porque o levantamento não encontrou edital que cite o Enem, o mínimo ou o custo.
Sul e Açores: Algarve e ilhas
Na Universidade do Algarve, o mínimo é 475 por prova e 500 na redação, com propina entre 1.750 e 4.500 euros por ano. Nos Açores, o mínimo é 475 na nota com pesos por curso, e a propina fica entre 2.500 e 3.500 euros por ano, com 25% de desconto para brasileiros.
O que os números permitem observar
O primeiro padrão é a faixa de exigência. Nas universidades que usam a escala do Enem, o piso se concentra em 475 e 500 pontos. Nas que usam a escala portuguesa, o corte fica em 95 de 200, que é o mesmo número com outro nome. Quem olha só para o mínimo vê dois patamares, mas a conta é a mesma.
O segundo padrão é o custo. A propina anual vai de 697 euros, na UTAD, a 18 mil euros, nos cursos de Medicina de Coimbra e da NOVA. Medicina aparece como a graduação mais cara da lista e também a que pede a nota mais alta, o que chama atenção, mas os dados não explicam a causa dessa diferença.
O terceiro ponto é de escopo. Circula o número de 51 instituições aceitando o Enem em Portugal, mas esse dado é de 2020/21. A lista atual do Inep tem 26 instituições conveniadas, e o levantamento usou essa referência como base, além das regras próprias de universidades como Porto, Coimbra e Lisboa.
Quando se candidatar
O Enem deste mês vale para o ciclo 2027/28, cujos editais ainda não foram publicados. No ano passado, as inscrições das universidades portuguesas ocorreram de dezembro a março, e o resultado do Enem saiu em 16 de janeiro, depois do prazo de candidatura do ISCTE e da Católica do Porto. Por isso, quem pensa nesse caminho precisa planejar a candidatura com antecedência e acompanhar o edital de cada instituição.
Os valores apresentados são de 2026/27 e mudam por curso e a cada ano. Antes de decidir, confira a propina e as regras no site de cada universidade, com os links indicados na legenda do carrossel.
Metodologia
Fonte principal: lista de instituições conveniadas ao Inep para o Enem Portugal, atualizada em 06/01/2026, com 26 instituições, sendo 8 universidades. Coimbra, Lisboa, Porto, Algarve, Évora e UTAD aceitam o Enem por regra própria, conforme o Estatuto do Estudante Internacional.
Período: valores e regras consultados em 02/11/2026. As propinas são de 2026/27, exceto a da Universidade da Beira Interior, de 2025/26.
Critério de conversão: escala portuguesa de 0 a 200, em que 95 equivale a 475 no Enem. Quando a regra era de mínimo por prova, o número do Enem foi usado diretamente.
Limitações: ficaram de fora politécnicos, Évora, Madeira, Autónoma e Lusíada, por falta de confirmação oficial atual. Isso não significa que essas instituições não aceitem o Enem. Os mínimos por curso podem mudar, e a nota mínima não garante vaga. Os custos não são de consulta direta a todas as instituições, e onde a propina não foi confirmada, a informação aparece como "consulte a universidade".
Fonte: Inep e universidades portuguesas, Enem Portugal, em 02/11/2026. Elaboração e análise: The College.
