O Ceará foi o principal destaque da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) na distribuição de medalhas por unidade federativa. O estado conquistou 26 das 81 premiações entregues, mais que o dobro das 11 obtidas por São Paulo, segundo colocado do ranking.
A diferença entre os dois primeiros lugares ajuda a dimensionar o desempenho cearense: sozinho, o Ceará concentrou aproximadamente 32% de todas as medalhas distribuídas na competição. A Bahia aparece na terceira posição, com 10, completando um pódio formado por dois estados nordestinos.
Mas o resultado não se resume à liderança do Ceará. Quando os números são agrupados por região, o Nordeste concentra 52 das 81 medalhas, ou 64,2% de toda a premiação. O desempenho é resultado de uma presença relativamente disseminada: oito dos nove estados nordestinos aparecem entre as unidades federativas medalhistas.
Ao todo, 16 unidades federativas conquistaram ao menos uma medalha.
Ceará abre vantagem significativa sobre os demais estados
A principal característica do ranking é a distância construída pelo Ceará na primeira posição. Com 26 medalhas, o estado conquistou 15 a mais do que São Paulo e acumulou sozinho mais premiações do que São Paulo e Bahia — segundo e terceiro colocados — individualmente.
Depois dos três primeiros lugares, há uma queda relevante no número de medalhas. Pernambuco e Goiás aparecem empatados na quarta posição, com cinco cada. Paraíba e Rio de Janeiro vêm em seguida, ambos com quatro.
A distribuição se torna ainda mais equilibrada na parte intermediária do ranking. Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Distrito Federal conquistaram três medalhas cada, enquanto o Piauí aparece com duas.
Outros cinco estados — Maranhão, Alagoas, Acre, Pará e Rio Grande do Sul — receberam uma medalha cada.
Os números também mostram que o desempenho cearense teve peso considerável dentro do próprio resultado regional. Das 52 medalhas conquistadas pelo Nordeste, exatamente metade, 26, ficou com o Ceará.
Isso não significa, por si só, que uma determinada estrutura educacional ou política específica explique o resultado. Os dados apresentados pela competição mostram a distribuição das medalhas, mas não permitem estabelecer relações de causa e efeito sobre o desempenho de cada estado.
Nordeste concentra quase dois terços das medalhas
O recorte regional torna a concentração ainda mais evidente. O Nordeste terminou com 52 medalhas, equivalentes a 64,2% das 81 premiações.
O Sudeste aparece em segundo lugar, com 18 medalhas — 22,2% do total. A maior parte delas veio de São Paulo, com 11, seguido por Rio de Janeiro, com quatro, e Minas Gerais, com três.
O Centro-Oeste conquistou oito medalhas, ou 9,9% do total. Goiás respondeu por cinco delas e o Distrito Federal pelas outras três.
Norte e Sul aparecem com participações menores. Acre e Pará conquistaram uma medalha cada, levando o Norte a duas premiações, equivalentes a 2,5% do total. No Sul, apenas o Rio Grande do Sul aparece no ranking, com uma medalha, ou 1,2%.
Outro indicador da presença nordestina é a quantidade de estados premiados. Ceará, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão e Alagoas tiveram equipes medalhistas. Entre os nove estados da região, apenas Sergipe não aparece na relação apresentada.
Essa capilaridade diferencia o Nordeste das demais regiões: além de ocupar a primeira e a terceira posições do ranking estadual, a região tem representantes em praticamente toda a tabela.
Ranking completo de medalhas por estado
Considerando os empates de posição, o levantamento compilado pelo The College a partir dos resultados da Olimpíada Nacional em História do Brasil apresenta a seguinte distribuição:
Posição | UF | Estado | Região | Medalhas |
|---|---|---|---|---|
1º | CE | Ceará | Nordeste | 26 |
2º | SP | São Paulo | Sudeste | 11 |
3º | BA | Bahia | Nordeste | 10 |
4º | PE | Pernambuco | Nordeste | 5 |
4º | GO | Goiás | Centro-Oeste | 5 |
6º | PB | Paraíba | Nordeste | 4 |
6º | RJ | Rio de Janeiro | Sudeste | 4 |
8º | RN | Rio Grande do Norte | Nordeste | 3 |
8º | MG | Minas Gerais | Sudeste | 3 |
8º | DF | Distrito Federal | Centro-Oeste | 3 |
11º | PI | Piauí | Nordeste | 2 |
12º | MA | Maranhão | Nordeste | 1 |
12º | AL | Alagoas | Nordeste | 1 |
12º | AC | Acre | Norte | 1 |
12º | PA | Pará | Norte | 1 |
12º | RS | Rio Grande do Sul | Sul | 1 |
Uma premiação concentrada, mas geograficamente distribuída
O ranking combina dois movimentos distintos. De um lado, existe uma concentração expressiva no topo: Ceará, São Paulo e Bahia somam 47 das 81 medalhas, o equivalente a aproximadamente 58% de toda a premiação.
De outro, a presença de 16 unidades federativas mostra que as equipes medalhistas não ficaram restritas a poucos estados. Há representantes de todas as cinco regiões brasileiras, ainda que em proporções bastante diferentes.
O caso nordestino reúne as duas características ao mesmo tempo. A região não apenas concentra quase dois terços das medalhas, como distribui suas 52 premiações entre oito estados. Ceará e Bahia puxam esse resultado, mas Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão e Alagoas também aparecem na lista.
A comparação, porém, deve ficar restrita ao que os números permitem observar. A quantidade de medalhas não informa, isoladamente, o número de equipes inscritas por estado, o tamanho das redes escolares participantes ou outros fatores que poderiam ajudar a explicar as diferenças entre as unidades federativas.
Metodologia
O ranking considera as 81 medalhas distribuídas pela Olimpíada Nacional em História do Brasil e organiza as unidades federativas de acordo com o número de premiações conquistadas. Os dados foram compilados pelo The College a partir das informações da ONHB/Unicamp.
Foram identificadas equipes medalhistas em 16 unidades federativas. Os empates de quantidade de medalhas foram preservados na classificação: Pernambuco e Goiás dividem a quarta posição; Paraíba e Rio de Janeiro, a sexta; Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Distrito Federal, a oitava; e Maranhão, Alagoas, Acre, Pará e Rio Grande do Sul aparecem empatados na 12ª posição.
Os percentuais regionais correspondem à participação de cada região nas 81 medalhas: Nordeste, 64,2%; Sudeste, 22,2%; Centro-Oeste, 9,9%; Norte, 2,5%; e Sul, 1,2%.
Fonte: Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) / Unicamp.
