O desempenho brasileiro no PISA mostra uma distância relevante em relação tanto à média da OCDE quanto aos sistemas educacionais que ocupam as primeiras posições do levantamento. Considerando a média simples das notas de Ciências, Leitura e Matemática apresentada pelo The College, o Brasil alcança 398 pontos, ante 468,7 da OCDE, e aparece em 66º lugar entre os 89 países e economias listados.
Dentro da América Latina, o país ocupa a 6ª posição, atrás de Chile, Uruguai, Costa Rica, México e Colômbia. A posição regional, no entanto, não significa proximidade com o desempenho médio das economias da OCDE: nenhum dos 13 países latino-americanos apresentados no levantamento chega aos 468,7 pontos de referência.
Os resultados também revelam diferenças importantes entre as três áreas avaliadas. Enquanto Leitura é a disciplina em que o Brasil aparece mais bem posicionado mundialmente, Matemática concentra a maior distância em relação à média da organização.
Matemática é a maior distância entre Brasil e OCDE
Entre as três áreas, o resultado brasileiro mais baixo está em Matemática. O país registra 377 pontos, enquanto a média da OCDE é de 463 — uma diferença de 86 pontos. Nesse componente, o Brasil aparece em 71º lugar no mundo e em 7º na América Latina.
Em Ciências, são 409 pontos, contra 482 da OCDE, colocando o país na 67ª posição mundial e na 6ª regional. Já em Leitura, o Brasil alcança 408 pontos, diante de uma média de 461 na OCDE.
Apesar de a pontuação brasileira em Leitura ser ligeiramente inferior à obtida em Ciências, a posição relativa é consideravelmente melhor: 52º lugar mundial e 4º na América Latina.
Na média simples das três áreas, o resultado brasileiro chega a 398,0 pontos, frente aos 468,7 da OCDE. O país ocupa, assim, o 66º lugar mundial e o 6º latino-americano.
As posições ajudam a mostrar que a distância do Brasil não é uniforme. Dependendo da área analisada, o país pode ocupar desde a 52ª até a 71ª colocação global.
Quase metade dos estudantes está abaixo do nível 2 nas três áreas
Mais do que a posição no ranking, os indicadores de proficiência ajudam a dimensionar a distribuição do desempenho entre os estudantes de 15 anos.
Segundo os dados apresentados no levantamento, apenas 1,8% dos estudantes brasileiros atingem os níveis 5 ou 6 em pelo menos uma das três áreas, classificação considerada de alto desempenho. Na média da OCDE, essa proporção é de 11,9%.
Isso significa que a participação brasileira nesse grupo é aproximadamente 6,6 vezes menor do que a registrada na organização.
Na outra extremidade, 43,8% dos estudantes brasileiros apresentam desempenho abaixo do nível 2 simultaneamente nas três áreas. Entre os países da OCDE, a proporção é de 19,7%.
Nesse indicador, portanto, a parcela brasileira é cerca de 2,2 vezes maior.
Os números não medem apenas quem chega às notas mais altas. Eles mostram também a dimensão do grupo que não alcança o patamar mínimo considerado no levantamento para as três competências avaliadas ao mesmo tempo.
Brasil está praticamente empatado com a Colômbia na América Latina
No recorte latino-americano, Chile e Uruguai formam o primeiro grupo do ranking. O Chile lidera com média de 427,0 pontos, seguido pelo Uruguai, com 424,3.
Há então uma diferença até a Costa Rica, terceira colocada, com 409,0 pontos. México aparece em quarto, com 403,3, enquanto a Colômbia ocupa a quinta posição, com 398,3.
O Brasil vem imediatamente depois, com 398,0 pontos — diferença de apenas 0,3 ponto em relação aos colombianos.
Mesmo o Chile, líder regional, permanece 41,7 pontos abaixo da média de 468,7 apresentada para a OCDE. O dado evidencia que a distância observada no caso brasileiro faz parte de um quadro regional mais amplo, embora existam diferenças relevantes entre os próprios países latino-americanos.
Depois do Brasil aparecem Peru, Argentina, Equador, El Salvador, República Dominicana, Paraguai e Guatemala.
Ranking do PISA 2025 na América Latina
O ranking regional apresentado pelo The College, calculado pela média simples das notas de Ciências, Leitura e Matemática, ficou assim:
Posição | País | Posição mundial | Ciências | Leitura | Matemática | Média |
|---|---|---|---|---|---|---|
1º | Chile | 45º | 442 | 436 | 403 | 427,0 |
2º | Uruguai | 48º | 445 | 423 | 405 | 424,3 |
3º | Costa Rica | 56º | 424 | 416 | 387 | 409,0 |
4º | México | 61º | 414 | 408 | 388 | 403,3 |
5º | Colômbia | 65º | 415 | 399 | 381 | 398,3 |
6º | Brasil | 66º | 409 | 408 | 377 | 398,0 |
7º | Peru | 68º | 406 | 390 | 382 | 392,7 |
8º | Argentina | 70º | 393 | 389 | 367 | 383,0 |
9º | Equador | 71º | 393 | 385 | 366 | 381,3 |
10º | El Salvador | 75º | 385 | 366 | 346 | 365,7 |
11º | República Dominicana | 83º | 361 | 346 | 339 | 348,7 |
12º | Paraguai | 84º | 355 | 352 | 334 | 347,0 |
13º | Guatemala | 86º | 351 | 337 | 334 | 340,7 |
Ásia concentra as primeiras posições mundiais
A composição do topo mundial contrasta com o cenário latino-americano. Entre os dez primeiros colocados, sete são sistemas educacionais asiáticos.
B-S-J-Z (China) lidera o ranking apresentado, com média de 578,7 pontos: 597 em Ciências, 527 em Leitura e 612 em Matemática. Singapura aparece em segundo lugar, com média de 552,7, seguida por Taipei Chinesa (Taiwan), com 531,3.
Na sequência estão Macau (China), com 530,3; Japão, com 522,0; Coreia do Sul, com 516,3; Estônia, com 511,3; Hong Kong (China), com 499,3; Reino Unido, com 497,7; e Nova Zelândia, com 495,3.
A comparação ajuda a dimensionar a distância brasileira. Enquanto o Brasil registra média de 398 pontos, o primeiro colocado chega a 578,7. Mais relevante do que transformar essa diferença isoladamente em uma conclusão sobre sistemas educacionais distintos, porém, é observar que o ranking reúne países e economias com contextos sociais, institucionais e educacionais diferentes.
O que os números permitem observar
O conjunto dos dados apresenta dois desafios distintos para o Brasil. O primeiro está no nível médio de desempenho: as três notas brasileiras permanecem abaixo das referências da OCDE, com diferença particularmente elevada em Matemática.
O segundo aparece na distribuição dos estudantes pelos níveis de proficiência. O país combina uma parcela pequena de alunos entre os níveis mais altos com uma proporção elevada de estudantes abaixo do nível 2 simultaneamente nas três áreas.
No contexto latino-americano, o Brasil se encontra no meio da tabela e praticamente empatado com a Colômbia. Ao mesmo tempo, mesmo os países que lideram a região permanecem abaixo da média da OCDE apresentada no levantamento.
Os resultados, por si só, não explicam quais fatores produziram essas diferenças nem permitem atribuí-las a uma política educacional específica. Eles funcionam como um retrato comparativo do desempenho da amostra avaliada e precisam ser analisados em conjunto com as características de cada sistema educacional.
Metodologia
O levantamento foi elaborado pelo The College a partir dos resultados apresentados do PISA 2025/OCDE. Foram considerados 89 países e sistemas educacionais no ranking mundial e 13 países latino-americanos no recorte regional.
A classificação geral utilizada pelo The College é baseada na média simples das pontuações de Ciências, Leitura e Matemática e, portanto, corresponde a um recorte não oficial elaborado para fins comparativos. A média de referência da OCDE considerada é de 468,7 pontos.
Os indicadores de alto desempenho correspondem aos estudantes nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma das três áreas, enquanto o baixo desempenho apresentado considera os alunos abaixo do nível 2 nas três áreas simultaneamente. O PISA avalia estudantes de 15 anos.
