Criado a partir do testamento de Alfred Nobel, o Prêmio Nobel é concedido desde 1901 e se tornou uma das principais referências internacionais de reconhecimento a contribuições de destaque em áreas como Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Desde 1969, a premiação também inclui o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.
Mais de um século depois da primeira edição, a trajetória dos laureados também ajuda a revelar quais universidades concentram parte relevante da produção acadêmica e científica associada ao prêmio.
Um levantamento de Aron Frishberg, analisado pelo The College, contabilizou os vencedores do Nobel entre 1901 e 2025 que tiveram vínculo com universidades como ex-alunos ou professores. O resultado coloca Harvard na liderança, com 124 laureados, seguida por Cambridge, com 102, e pela Universidade de Chicago, com 96.
A lista também evidencia uma concentração geográfica expressiva: das 11 instituições que aparecem no ranking — são 11 porque Oxford e Yale empatam na 10ª posição —, nove estão nos Estados Unidos. Apenas Cambridge e Oxford, ambas no Reino Unido, interrompem a predominância americana.
Harvard abre vantagem, mas Cambridge e Chicago permanecem próximas
A Universidade Harvard ocupa a primeira posição com 124 laureados ligados à instituição. São 22 a mais do que Cambridge, segunda colocada, com 102.
A distância entre Cambridge e a Universidade de Chicago é bem menor. A instituição americana aparece em terceiro lugar, com 96 vencedores, apenas seis abaixo da universidade britânica.
Depois do trio inicial, há uma nova redução. A UC Berkeley soma 84 laureados, seguida por Columbia, com 81, e MIT, com 78. Nesse trecho da classificação, apenas seis prêmios separam a quarta da sexta colocação.
A partir daí, a diferença aumenta. Stanford aparece na sétima posição com 56 laureados — 22 a menos que o MIT. Princeton vem logo depois, com 53, e Caltech registra 51.
Na última posição considerada pelo ranking há um empate: Oxford e Yale possuem 49 laureados cada. Por isso, embora a capa apresente as dez universidades com maior quantidade de vencedores, a classificação completa reúne 11 instituições.
Nove das 11 universidades estão nos Estados Unidos
A predominância americana é um dos padrões mais evidentes do levantamento.
Harvard, Universidade de Chicago, UC Berkeley, Columbia, MIT, Stanford, Princeton, Caltech e Yale estão nos Estados Unidos. Cambridge e Oxford, ambas britânicas, são as únicas instituições de fora do país entre as primeiras colocadas.
Assim, aproximadamente quatro em cada cinco universidades que aparecem na classificação são americanas.
O dado, no entanto, não deve ser interpretado isoladamente como uma medida definitiva da qualidade de sistemas universitários nacionais. O levantamento contabiliza vínculos acadêmicos acumulados ao longo de mais de um século e soma tanto ex-alunos quanto professores, o que favorece universidades com longas trajetórias de pesquisa e grandes redes acadêmicas.
Também não significa que todos os laureados tenham realizado na instituição mencionada o trabalho responsável pelo Nobel. O critério utilizado é a existência de vínculo com a universidade.
Algumas instituições se destacam em categorias específicas
Além do total de laureados, o levantamento permite observar que determinadas universidades apresentam concentrações expressivas em áreas específicas da premiação.
A Universidade de Chicago lidera entre as instituições listadas em Ciências Econômicas, com 35 prêmios associados a seus ex-alunos e professores.
Cambridge apresenta seu maior destaque em Física, área na qual contabiliza 32 laureados.
Harvard, por sua vez, se sobressai em duas categorias científicas. São 35 laureados em Medicina e outros 31 em Química.
Esses números ajudam a mostrar que a posição geral de uma universidade no ranking pode ser formada por trajetórias acadêmicas diferentes. Algumas instituições acumulam forte presença em determinadas disciplinas, enquanto outras distribuem seus laureados por diversas áreas.
Os dados não permitem concluir, porém, que estudar ou trabalhar em uma dessas universidades aumente, por si só, a probabilidade de alguém receber um Nobel. A relação apresentada pelo levantamento é de vínculo acadêmico com pessoas que posteriormente ou anteriormente foram laureadas, e não de causalidade.
Ranking completo das universidades com mais vencedores do Nobel
Considerando ex-alunos e professores associados a cada instituição entre 1901 e 2025, o ranking analisado pelo The College é:
Harvard — 124 laureados — Estados Unidos
Cambridge — 102 laureados — Reino Unido
Universidade de Chicago — 96 laureados — Estados Unidos
UC Berkeley — 84 laureados — Estados Unidos
Columbia — 81 laureados — Estados Unidos
MIT — 78 laureados — Estados Unidos
Stanford — 56 laureados — Estados Unidos
Princeton — 53 laureados — Estados Unidos
Caltech — 51 laureados — Estados Unidos
Oxford — 49 laureados — Reino Unido
Yale — 49 laureados — Estados Unidos
A classificação mostra ainda uma concentração relevante no topo. As três primeiras instituições são as únicas que se aproximam ou ultrapassam a marca de 100 laureados: Harvard tem 124, Cambridge, 102, e Chicago, 96.
Já entre a quarta e a sexta posições, os resultados são mais próximos. Berkeley, Columbia e MIT aparecem separadas por apenas seis laureados. O mesmo acontece no fim do ranking, onde Princeton, Caltech, Oxford e Yale estão distribuídas em uma faixa de apenas quatro nomes, entre 49 e 53.
O ranking mede vínculos, não vencedores exclusivos de cada universidade
Uma ressalva é fundamental para interpretar os números.
O levantamento contabiliza ex-alunos e professores vinculados às universidades. Isso significa que um mesmo vencedor do Nobel pode aparecer associado a mais de uma instituição ao longo da vida acadêmica.
Um pesquisador, por exemplo, pode ter estudado em uma universidade e posteriormente lecionado em outra. Dependendo dos vínculos considerados pela base, esse laureado pode contribuir para a contagem de ambas.
Por isso, os números não devem ser somados para estimar quantas pessoas diferentes receberam o Nobel. Eles representam o total de vínculos de laureados identificado para cada universidade segundo os critérios do levantamento.
Outros rankings também podem apresentar resultados diferentes ao utilizar metodologias distintas — considerando, por exemplo, apenas a instituição em que o vencedor estava quando recebeu o prêmio, apenas sua formação acadêmica ou somente o local em que foi realizada a pesquisa premiada.
O que os dados mostram sobre a concentração do Nobel
Dentro dos critérios adotados, o ranking evidencia como um grupo relativamente pequeno de universidades aparece repetidamente nas trajetórias de vencedores do prêmio.
A presença de Harvard, Cambridge, Chicago e de outras instituições históricas de pesquisa revela uma concentração importante de laureados em universidades que construíram, ao longo de décadas, grandes comunidades acadêmicas.
Ao mesmo tempo, a predominância de instituições americanas chama atenção: nove das 11 posições pertencem aos Estados Unidos, enquanto o Reino Unido responde pelas outras duas.
Esse recorte, porém, descreve a distribuição dos vínculos acadêmicos dos laureados e não funciona como um ranking geral de qualidade universitária. O Nobel é apenas uma das possíveis formas de observar a produção científica e intelectual de uma instituição — e a metodologia utilizada amplia ainda mais esse recorte ao contabilizar tanto estudantes quanto professores.
Metodologia
O levantamento utilizado foi produzido por Aron Frishberg, em The Universities with the Most Nobel Prizes, e analisado pelo The College.
A base considera os laureados ligados a cada universidade entre 1901 e 2025, contabilizando vínculos como ex-alunos e professores.
O Prêmio Nobel é concedido desde 1901 nas áreas de Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Desde 1969, também é concedido o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.
Como um mesmo laureado pode ter estudado ou lecionado em diferentes universidades, ele pode ser contabilizado por mais de uma instituição. Outros levantamentos podem utilizar critérios diferentes para determinar o vínculo entre um vencedor e uma universidade, o que pode produzir variações nas classificações.
Fonte: Aron Frishberg, The Universities with the Most Nobel Prizes. Elaboração e análise: The College.
