Escolher uma graduação envolve fatores que vão muito além da remuneração. Afinidade com a área, perspectivas profissionais, duração do curso e possibilidades de carreira também pesam nessa decisão. Ainda assim, o salário encontrado nos primeiros anos após a faculdade ajuda a dimensionar como diferentes formações são absorvidas pelo mercado de trabalho.
Um estudo realizado em 2025 pelo Mapa do Ensino Superior, do Semesp, analisou diferentes graduações a partir de contratos formais de trabalho no Brasil. O levantamento considera profissionais recém-formados contratados em regime CLT, com jornada média de 40 horas semanais.
Os números mostram diferenças expressivas entre as carreiras mais bem remuneradas no início da trajetória profissional. Enquanto Ciências Contábeis, décima colocada entre os cursos apresentados, registra média salarial inicial de R$ 3.753, Medicina ocupa a primeira posição, com R$ 13.891.
A distância entre as duas pontas do ranking supera R$ 10 mil mensais. Os dados também revelam outro padrão: fora Medicina, grande parte das formações está concentrada em uma faixa salarial consideravelmente mais próxima.
Medicina aparece isolada na primeira posição
O principal destaque do levantamento é a diferença entre Medicina e as demais graduações.
Com média salarial inicial de R$ 13.891, o curso ocupa a primeira posição com uma vantagem de R$ 8.082 sobre Odontologia, segunda colocada, que registra R$ 5.809. Em outras palavras, a média apresentada para os recém-formados em Medicina é aproximadamente 2,4 vezes a observada para Odontologia.
Essa distância também faz de Medicina uma exceção dentro do próprio grupo das dez graduações mais bem remuneradas. Enquanto nove cursos aparecem entre R$ 3.753 e R$ 5.809, somente Medicina ultrapassa a marca de R$ 10 mil no levantamento apresentado.
O dado, no entanto, deve ser interpretado dentro da metodologia da pesquisa. Ele representa uma média de remuneração entre profissionais enquadrados nos critérios utilizados pelo estudo e não significa que todos os recém-formados nesses cursos recebam os valores indicados.
Odontologia e Engenharia completam o grupo dos três maiores salários
Depois de Medicina, a diferença entre as primeiras posições diminui significativamente.
Odontologia ocupa o segundo lugar, com média salarial inicial de R$ 5.809, apenas R$ 45 acima de Engenharia, terceira colocada, com R$ 5.764.
Na sequência aparece Economia, com R$ 4.922. A diferença de R$ 842 entre Engenharia e Economia é maior do que várias das distâncias observadas entre os cursos posicionados no meio da classificação.
O grupo dos quatro primeiros também reúne formações bastante diferentes entre si. Há duas carreiras da área da saúde, Medicina e Odontologia, além de Engenharia e Economia. Portanto, os dados não apontam uma única área acadêmica dominante entre as primeiras posições.
O que aparece com mais clareza é a vantagem salarial de Medicina em relação ao restante da amostra.
Três cursos estão praticamente empatados no meio do ranking
Entre a quinta e a sétima posição, as diferenças são mínimas.
Direito aparece em quinto lugar, com média inicial de R$ 4.320. Medicina Veterinária vem logo depois, com R$ 4.309, enquanto Tecnologia da Informação (TI) registra R$ 4.303.
A diferença entre Direito e TI, apesar dos dois lugares de distância na classificação, é de apenas R$ 17.
Esse agrupamento ajuda a colocar a leitura de rankings salariais em perspectiva. Uma posição mais alta não representa necessariamente uma vantagem financeira substancial. Em alguns pontos da lista, pequenas variações de remuneração são suficientes para alterar a colocação de um curso.
Arquitetura e Urbanismo também permanece próxima desse grupo, com salário inicial médio de R$ 4.002, na oitava posição.
Na sequência aparecem Psicologia, com R$ 3.877, e Ciências Contábeis, com R$ 3.753.
As 10 graduações com os maiores salários iniciais no Brasil em 2026
De acordo com os dados apresentados pelo Mapa do Ensino Superior, do Semesp, o ranking é:
Medicina — média salarial inicial: R$ 13.891,00
Odontologia — média salarial inicial: R$ 5.809,00
Engenharia — média salarial inicial: R$ 5.764,00
Economia — média salarial inicial: R$ 4.922,00
Direito — média salarial inicial: R$ 4.320,00
Medicina Veterinária — média salarial inicial: R$ 4.309,00
Tecnologia da Informação (TI) — média salarial inicial: R$ 4.303,00
Arquitetura e Urbanismo — média salarial inicial: R$ 4.002,00
Psicologia — média salarial inicial: R$ 3.877,00
Ciências Contábeis — média salarial inicial: R$ 3.753,00
Salário inicial é apenas uma parte da trajetória profissional
Os números ajudam a comparar o ponto de partida de diferentes profissões, mas não permitem estabelecer qual graduação oferece necessariamente a melhor carreira no longo prazo.
Salário inicial e potencial de remuneração ao longo da vida profissional são indicadores diferentes. Uma formação pode começar com remuneração relativamente menor e apresentar crescimento posterior, enquanto outra pode oferecer valores mais elevados desde os primeiros anos.
Também existem diferenças dentro de uma mesma profissão. Região, segmento de atuação, tipo de empregador, experiência acumulada e características de cada oportunidade podem alterar significativamente a remuneração.
O próprio recorte apresentado ressalta que os valores correspondem a médias. Na prática, profissionais formados no mesmo curso podem receber salários bastante diferentes.
Outro ponto mencionado no material é que a instituição de ensino pode estar associada a diferenças de remuneração inicial entre profissionais. Esse aspecto, porém, não é detalhado no ranking apresentado e, por isso, os dados não permitem concluir qual seria o impacto específico de determinada universidade sobre o salário.
Assim, o levantamento funciona melhor como um retrato comparativo do início da carreira formal do que como uma previsão de quanto qualquer estudante receberá depois de formado.
Metodologia
Os dados apresentados têm como fonte o Mapa do Ensino Superior, do Semesp, em estudo realizado em 2025.
O levantamento considera diferentes graduações a partir de contratos formais de trabalho no Brasil, com foco em profissionais recém-formados contratados em regime CLT e com jornada média de 40 horas semanais.
Os valores apresentados correspondem a médias salariais iniciais. Por isso, não representam remunerações garantidas para todos os profissionais de cada área. Salários individuais podem variar de acordo com fatores como região, instituição de ensino, área de atuação e perfil profissional.
Publicado em [22-04-2026]
