Escolher uma graduação envolve uma combinação de interesse pessoal, perspectivas profissionais e expectativas sobre o futuro. O problema é que parte dessas expectativas pode mudar depois da entrada no mercado de trabalho — e, para uma parcela relevante dos profissionais, isso se traduz em arrependimento em relação à área escolhida.

Uma pesquisa realizada pela plataforma de recrutamento ZipRecruiter, em 2023, com mais de 1.500 formados em busca de emprego, mostrou que 44% dos entrevistados disseram se arrepender da área de estudo escolhida.

Os dados compilados pelo The College também mostram que esse sentimento está longe de aparecer com a mesma intensidade em todas as formações. Entre as dez graduações com as maiores taxas de arrependimento apresentadas no levantamento, os percentuais variam de 52,1%, em Letras, a 87%, em Jornalismo.

O resultado não significa que determinadas graduações sejam, por definição, escolhas ruins. A pesquisa retrata a percepção de uma amostra específica de profissionais em determinado momento de suas carreiras e não estabelece uma relação de causa e efeito entre o curso escolhido e o arrependimento posterior.

Jornalismo aparece isolado na primeira posição

A maior taxa registrada entre os cursos apresentados é a de Jornalismo. Segundo o levantamento, 87% dos formados da área incluídos na pesquisa afirmaram se arrepender da escolha.

A distância em relação aos cursos seguintes chama atenção. Sociologia ocupa a segunda posição, com 72,4%, enquanto Artes aparece logo depois, com 72,1%. Isso coloca Jornalismo quase 15 pontos percentuais acima das duas graduações imediatamente seguintes.

Na quarta posição está Comunicação, com taxa de 64%, seguida por Pedagogia, com 61%, e Marketing, com 60%.

A composição do ranking também revela presença relevante de cursos tradicionalmente associados às áreas de humanas, comunicação e ciências sociais. Jornalismo, Sociologia, Artes, Comunicação, Pedagogia, Ciências Políticas e Letras representam sete das dez formações apresentadas.

Essa concentração, porém, deve ser interpretada com cautela. Os dados permitem observar quais cursos registraram os maiores percentuais dentro da amostra analisada, mas não são suficientes para determinar por que determinadas áreas apresentam índices mais elevados de arrependimento do que outras.

Enfermagem é a principal exceção entre os cursos listados

Embora a maior parte do ranking seja composta por cursos das áreas de humanas, comunicação e ciências sociais, outras formações também aparecem.

Enfermagem ocupa a sétima posição, com 58% de arrependimento, sendo a única graduação diretamente ligada à área da saúde entre as dez primeiras. Biologia, na nona colocação, registra 52,4%.

Marketing também se diferencia de parte das demais formações por sua relação direta com o ambiente empresarial e ocupa a sexta posição, com 60%.

A diversidade mostra que o arrependimento profissional não aparece exclusivamente em um único campo do conhecimento. Ainda assim, o levantamento aponta uma concentração visível em determinados grupos de cursos, especialmente quando se observam as primeiras posições.

O que os arrependidos escolheriam se pudessem voltar no tempo

Outro dado apresentado pela pesquisa ajuda a entender como parte dos entrevistados enxerga alternativas à formação escolhida inicialmente.

Segundo o levantamento, a maioria dos profissionais que declarou arrependimento afirmou que, se pudesse voltar no tempo, teria estudado Ciência da Computação ou Administração de Empresas.

As duas opções estão associadas, respectivamente, às áreas de tecnologia e negócios, campos com aplicações profissionais bastante amplas. Ainda assim, o resultado representa uma preferência declarada pelos entrevistados e não permite concluir que essas graduações necessariamente proporcionariam maior satisfação profissional.

O próprio material destaca que a pesquisa não identificou um único motivo capaz de explicar o arrependimento. Por isso, fatores como remuneração, condições do mercado de trabalho, oportunidades de carreira ou identificação com a profissão podem fazer parte da percepção dos entrevistados, mas não devem ser tratados individualmente como causas comprovadas pelo levantamento.

As 10 graduações com maior taxa de arrependimento

Considerando os percentuais apresentados no levantamento, o ranking completo é:

  1. Jornalismo — 87%

  2. Sociologia — 72,4%

  3. Artes — 72,1%

  4. Comunicação — 64%

  5. Pedagogia — 61%

  6. Marketing — 60%

  7. Enfermagem — 58%

  8. Ciências Políticas — 56%

  9. Biologia — 52,4%

  10. Letras — 52,1%

Mesmo na décima posição, portanto, mais da metade dos entrevistados vinculados ao curso declarou arrependimento. Entre Letras, com 52,1%, e Jornalismo, com 87%, há uma diferença de 34,9 pontos percentuais.

Outro aspecto relevante está na proximidade entre algumas posições. Sociologia e Artes aparecem praticamente empatadas, separadas por apenas 0,3 ponto percentual. O mesmo ocorre entre Biologia e Letras, cuja diferença também é de apenas 0,3 ponto.

Em contrapartida, Jornalismo se distancia de maneira significativa do restante do ranking, formando a principal exceção dentro da distribuição apresentada.

Arrependimento não equivale à falta de oportunidades

Os números oferecem uma perspectiva relevante para quem está escolhendo uma graduação, mas não devem ser utilizados isoladamente para decidir qual curso fazer ou evitar.

Uma taxa elevada de arrependimento entre participantes de uma pesquisa não mede diretamente empregabilidade, salário, qualidade acadêmica ou perspectivas futuras de uma profissão. Também não significa que a maioria de todos os profissionais formados naquela área esteja insatisfeita.

O indicador registra uma percepção individual: diante da experiência acumulada após a formação, o entrevistado afirma que faria uma escolha diferente.

Para estudantes que ainda estão decidindo sua trajetória, os dados acrescentam uma variável ao processo de escolha. Além da afinidade com determinada área, conhecer o mercado de trabalho, as possibilidades de atuação, a remuneração e as diferentes trajetórias disponíveis pode ajudar a construir expectativas mais realistas sobre o período posterior à graduação.

Nesse sentido, o principal valor do levantamento não está em estabelecer quais cursos devem ou não ser escolhidos, mas em mostrar que a relação entre formação acadêmica e satisfação profissional pode variar consideravelmente — inclusive entre pessoas que concluíram o ensino superior.

Metodologia

Os dados apresentados têm como fonte uma pesquisa da ZipRecruiter realizada em 2023, compilada pelo The College. De acordo com o material analisado, o levantamento ouviu mais de 1.500 formados em busca de emprego.

Na amostra, 44% dos entrevistados declararam arrependimento em relação à área de estudo escolhida. O ranking reúne as dez graduações com as maiores taxas de arrependimento apresentadas pela pesquisa.

O levantamento também registra que a maioria dos participantes que se arrependeram afirmou que escolheria Ciência da Computação ou Administração de Empresas caso pudesse voltar no tempo.

Os resultados devem ser interpretados como um retrato da amostra pesquisada, e não como uma medida universal de satisfação entre todos os profissionais formados em cada curso. Conforme apresentado no material do The College, a pesquisa também não identifica um único fator responsável pelo arrependimento.

Publicado em [15-04-2026]