O Exame de Ordem reúne, a cada edição, estudantes e bacharéis em Direito de instituições espalhadas por todo o país. Em 2025, os 43º, 44º e 45º Exames somaram 351.398 presenças e 65.824 aprovações, segundo dados divulgados pela OAB e pela FGV. No conjunto das três provas, a taxa média de aprovação foi de 18,7%.

Por trás desse universo de centenas de milhares de participações, porém, existe uma concentração relevante. Um levantamento realizado pelo The College mostra que apenas dez instituições reuniram 64.550 provas realizadas nas três edições — aproximadamente 18,4% de toda a amostra analisada, ou cerca de 20%.

Essas mesmas instituições somaram 9.218 aprovações, o equivalente a uma taxa média de 14,3%. Além do peso numérico desse grupo no exame, os dados revelam diferenças importantes de escala e desempenho entre as próprias instituições.

Estácio concentra, sozinha, mais de 17 mil provas

Nenhuma instituição da lista se aproxima do volume registrado pela Estácio de Sá. Foram 17.117 provas realizadas por candidatos associados à instituição nos três exames analisados, além de 2.375 aprovações. A taxa resultante foi de 13,9%.

O número é significativamente superior ao da Anhanguera, segunda colocada, com 9.864 provas, e ao da UNIP, que aparece logo atrás, com 9.612.

A concentração também existe dentro do próprio grupo das dez maiores. Estácio, Anhanguera e UNIP somam 36.593 provas — mais da metade das 64.550 participações registradas pelas dez instituições. Quando Uninove e Uninassau são acrescentadas, as cinco primeiras chegam a 49.374 provas, cerca de três quartos do total do grupo.

O resultado ajuda a dimensionar a escala dessas instituições dentro da amostra do Exame de Ordem. Ao mesmo tempo, o volume de candidatos não se traduz necessariamente em taxas de aprovação mais altas.

As maiores taxas estão entre instituições menores da lista

Entre as dez instituições com maior número de provas realizadas, a FMU apresentou a maior taxa de aprovação: 19,9%. Foram 621 aprovados entre 3.125 provas.

Na sequência aparece a São Judas, com índice de 18,5%, resultado de 541 aprovações em 2.918 provas realizadas.

O contraste chama atenção porque ambas estão entre as menores instituições do ranking em número de participações. A FMU ocupa a oitava posição em volume, enquanto a São Judas aparece em nono. Ainda assim, são as únicas duas do grupo que chegam perto — ou, no caso da FMU, ultrapassam — a taxa média de aprovação de 18,7% registrada em toda a amostra dos três exames.

A Uninassau aparece em terceiro lugar em desempenho dentro desse recorte, com 16,0%, seguida pela UNIP, com 14,5%. Na outra ponta, Anhanguera e Uninove registraram 12,5%, os menores índices entre as dez instituições.

Isso não significa que o tamanho de uma instituição determine seu desempenho no exame. Os dados mostram apenas que, dentro desta amostra específica, as instituições com maior número de provas realizadas não foram as que apresentaram os maiores percentuais de aprovação.

A aprovação geral caiu ao longo dos três exames

Outro movimento relevante aparece quando os três Exames de Ordem de 2025 são observados separadamente.

No 43º Exame, a taxa geral de aprovação foi de 20,5%. No 44º, caiu para 18,7%. Já no 45º, chegou a 17,2%.

Há, portanto, uma queda sucessiva nas três edições analisadas. O levantamento, porém, não permite atribuir essa redução a uma causa específica. Diferenças entre provas, composição dos participantes e outros fatores podem afetar os resultados de cada edição, e os dados apresentados não são suficientes para explicar o motivo da variação.

Ainda assim, a comparação oferece contexto para interpretar o desempenho das dez instituições. A taxa conjunta de 14,3% desse grupo ficou abaixo da média de 18,7% calculada considerando todas as 351.398 presenças registradas nos três exames.

Ranking completo: as 10 instituições com mais provas realizadas

A lista abaixo reúne o total acumulado do 43º, 44º e 45º Exames de Ordem:

Posição

Instituição

Provas realizadas

Aprovados

Taxa de aprovação

1

Estácio de Sá

17.117

2.375

13,9%

2

Anhanguera

9.864

1.265

12,5%

3

UNIP

9.612

1.393

14,5%

4

Uninove

6.926

863

12,5%

5

Uninassau

5.855

937

16,0%

6

Universo

3.651

481

13,2%

7

Unama

3.369

453

13,4%

8

FMU

3.125

621

19,9%

9

São Judas

2.918

541

18,5%

10

Uninorte

2.113

289

13,7%

Somadas, as dez instituições registraram 64.550 provas realizadas e 9.218 aprovações, com índice médio de 14,3%.

O que a concentração permite observar

O principal dado do levantamento está na escala. Um grupo de apenas dez instituições responde por quase um quinto das participações registradas na amostra dos três Exames de Ordem de 2025.

Isso mostra o peso que grandes redes e instituições de ensino possuem entre os participantes do exame. Ao mesmo tempo, a diferença entre volume e aprovação reforça a necessidade de separar duas dimensões distintas: ter muitos candidatos prestando a OAB não significa, por si só, apresentar os maiores índices de aprovação.

Há ainda uma limitação importante para interpretar essa concentração como um retrato direto da formação jurídica brasileira. Os dados da OAB são divulgados por IES e campus vinculados ao local de prova, e essa informação não necessariamente corresponde à instituição em que o candidato concluiu sua graduação.

Por isso, os números permitem dimensionar a concentração observada nos registros do exame, mas não devem ser interpretados como uma contagem exata de egressos formados por cada faculdade.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo The College a partir dos dados estatísticos por IES e campus divulgados pela OAB/FGV para o 43º, 44º e 45º Exames de Ordem, realizados em 2025.

Somadas, as três edições registraram 351.398 presenças e 65.824 aprovações, correspondentes a uma taxa média de aprovação de 18,7%. As dez instituições com maior número acumulado de provas reuniram 64.550 participações e 9.218 aprovações, com taxa média de 14,3%.

Os números representam provas realizadas, e não necessariamente candidatos únicos. Uma mesma pessoa pode aparecer mais de uma vez caso tenha participado de diferentes edições do exame ao longo do período.

Além disso, a OAB divulga os dados por IES e campus associados aos registros do exame, informação que não necessariamente corresponde à instituição de formação do candidato. Dessa forma, o levantamento deve ser lido como uma análise da distribuição das participações na amostra disponível, e não como uma mensuração definitiva do número de estudantes ou egressos de cada faculdade.