Os rankings universitários globais costumam ser dominados por um grupo relativamente pequeno de instituições. Quando a análise muda de perspectiva e passa a considerar a universidade mais bem colocada de cada país, porém, surge um retrato diferente da geografia do ensino superior: é possível observar quais sistemas nacionais conseguem posicionar ao menos uma instituição entre as melhores do mundo — e quão distante está a liderança acadêmica de cada país.

Com base no QS World University Rankings 2027, edição referente ao desempenho acadêmico de 2026, o The College reuniu as universidades mais bem posicionadas de 105 países presentes na classificação.

No Brasil, a liderança continua com a Universidade de São Paulo (USP). A instituição ocupa a 133ª posição mundial, com nota 64,1, depois de aparecer em 108º lugar na edição anterior. A diferença representa uma queda de 25 posições no ranking global.

Considerando a ordem dos países de acordo com a posição de sua universidade mais bem classificada, o Brasil aparece como a 30ª nação do levantamento.

A liderança nacional não conta toda a história

Selecionar apenas a universidade mais bem posicionada de cada país produz um recorte diferente de um ranking tradicional.

Um país pode possuir dezenas ou centenas de instituições classificadas pelo QS, enquanto outro pode ter apenas algumas. Ainda assim, para este levantamento, a comparação considera exclusivamente a instituição que ocupa a melhor posição dentro de cada sistema nacional.

Entre os países apresentados no recorte do ranking, por exemplo, a KU Leuven, da Bélgica, aparece na 59ª posição mundial e alcança nota 80,5. Pouco depois vêm a KFUPM, da Arábia Saudita, em 63º lugar, e a University of Auckland, da Nova Zelândia, em 67º.

Na América Latina, a instituição mais bem colocada entre as apresentadas é a Universidad de Buenos Aires (UBA), 84ª do mundo, com nota 72,3. A Pontificia Universidad Católica de Chile (UC) ocupa a 119ª posição, enquanto a USP surge em 133º.

Isso coloca as três instituições latino-americanas em situações distintas dentro da classificação global, apesar de todas liderarem seus respectivos países.

USP segue no topo brasileiro, mas perde espaço no ranking global

A posição da USP concentra um dos principais destaques brasileiros do levantamento.

A universidade continua sendo a instituição nacional mais bem classificada pelo QS, mas passou da 108ª para a 133ª posição, recuando 25 colocações em relação à edição anterior. Sua nota na edição analisada é de 64,1.

O resultado não significa, isoladamente, uma deterioração equivalente da universidade em todos os aspectos avaliados. Rankings internacionais são relativos: a posição depende tanto do desempenho de uma instituição quanto das mudanças de pontuação, metodologia e desempenho de outras universidades classificadas.

O que o dado permite afirmar é que, dentro da metodologia utilizada pelo QS 2027, a USP passou a ocupar uma posição global inferior à registrada anteriormente.

O Brasil, por sua vez, aparece como o 30º país na ordem das nações com a universidade mais bem posicionada do mundo. Trata-se de um indicador específico: ele mede onde está a principal instituição brasileira em comparação com as líderes nacionais de outros países, e não a qualidade média de todo o sistema universitário brasileiro.

América do Sul fica atrás de Europa, América do Norte e Oceania na média

O levantamento do The College também permite observar diferenças mais amplas entre os continentes.

A Oceania apresenta a maior nota média entre as regiões analisadas: 53,9, mesmo contando com apenas 45 universidades no ranking. A posição média dessas instituições é 359, também a melhor entre os continentes apresentados.

Logo depois aparece a América do Norte, com nota média de 53,4 entre 232 universidades e posição média de 678.

A Europa possui 522 instituições classificadas, nota média de 46,8 e posição média de 689.

O caso da Ásia chama atenção pelo volume. São 557 universidades, o maior número entre todos os continentes, mas sua nota média, de 43,7, fica abaixo das médias de Oceania, América do Norte e Europa. A posição média das instituições asiáticas é 793.

Na América do Sul, 88 universidades aparecem no levantamento. A região registra nota média de 41,0 e posição média de 984.

A África, com 48 instituições, alcança média de 40,4 e posição média de 1.012. Já América Central e Caribe possuem a menor representação entre as regiões apresentadas: 12 universidades, nota média de 34,1 e posição média de 1.220.

Os números mostram que quantidade de universidades classificadas e desempenho médio não caminham necessariamente juntos. A Ásia tem o maior número de instituições no QS entre as regiões apresentadas, enquanto a Oceania, com uma base muito menor, registra a maior nota média.

Isso não significa que um continente possua necessariamente um sistema universitário “melhor” em todos os aspectos. A comparação reflete apenas o conjunto de instituições incluídas e os indicadores utilizados pelo QS.

As universidades mais bem colocadas dos países destacados

No recorte apresentado pelo The College, estas são as instituições líderes de seus respectivos países e suas posições globais:

  1. Bélgica — KU Leuven: 59ª do mundo — nota 80,5

  2. Arábia Saudita — KFUPM: 63ª — nota 78,3

  3. Nova Zelândia — University of Auckland: 67ª — nota 77,0

  4. Suécia — Lund University: 71ª — nota 75,7

  5. Irlanda — Trinity College Dublin: 75ª — nota 74,4

  6. Argentina — Universidad de Buenos Aires (UBA): 84ª — nota 72,3

  7. Itália — Politecnico di Milano: 87ª — nota 70,5

  8. Dinamarca — University of Copenhagen: 90ª — nota 70,4

  9. Qatar — Qatar University: 109ª — nota 67,2

  10. Rússia — Lomonosov Moscow State University: 115ª — nota 65,9

  11. Índia — Indian Institute of Technology Delhi (IITD): 118ª — nota 65,7

  12. Chile — Pontificia Universidad Católica de Chile (UC): 119ª — nota 65,6

  13. Finlândia — University of Helsinki: 123ª — nota 65,3

  14. Noruega — University of Oslo: 131ª — nota 64,3

  15. Brasil — Universidade de São Paulo (USP): 133ª — nota 64,1

O levantamento completo realizado pelo The College considera 105 países com universidades classificadas pelo QS.

O que a comparação entre países permite observar

A leitura por país ajuda a deslocar a discussão do número absoluto de universidades de destaque para a capacidade de cada nação de colocar ao menos uma instituição em posições competitivas internacionalmente.

Também evidencia diferenças dentro de uma mesma região. Na América do Sul, por exemplo, a UBA aparece em 84º lugar, 35 posições à frente da PUC Chile e 49 posições acima da USP.

Ao mesmo tempo, diferenças relativamente pequenas de pontuação podem corresponder a várias posições no ranking. A University of Oslo, em 131º, tem nota 64,3, enquanto a USP, duas posições abaixo, registra 64,1. Isso reforça que a colocação isolada deve ser interpretada juntamente com as notas e a metodologia empregada.

Rankings globais são uma forma de comparar universidades, mas não uma medida definitiva de qualidade. Eles atribuem pesos específicos a determinados indicadores e, por isso, outras classificações internacionais podem produzir resultados diferentes para as mesmas instituições.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo The College com base no QS World University Rankings 2027, edição referente ao desempenho acadêmico de 2026.

Foram identificadas as universidades mais bem posicionadas de 105 países presentes na classificação. Países que não possuem universidades ranqueadas pelo QS não aparecem no levantamento.

Nos casos em que mais de uma instituição ocupa a mesma faixa de posição, foi considerada a universidade melhor colocada de acordo com a metodologia divulgada pelo ranking.

O QS utiliza indicadores próprios para construir sua classificação, incluindo reputação acadêmica, reputação entre empregadores, citações por docente, proporção entre professores e alunos, internacionalização e sustentabilidade, entre outros critérios. Por isso, os resultados devem ser interpretados dentro dessa metodologia e podem diferir de rankings produzidos por outras organizações.