Chegar à liderança de uma grande empresa não depende de uma única formação acadêmica. Entre mulheres que ocupam posições de destaque em companhias como Nubank, Magazine Luiza, Microsoft, Globo, Uber, P&G e Banco do Brasil, as trajetórias universitárias passam por áreas bastante diferentes — de cursos tradicionalmente associados à gestão a formações técnicas, jurídicas, criativas e da área da saúde.
Um levantamento realizado pelo The College reuniu a primeira graduação de 18 CEOs e executivas brasileiras e mostra que, embora alguns padrões apareçam com frequência, a amostra está longe de indicar um único caminho acadêmico para chegar ao topo do mercado corporativo.
Engenharia é a formação mais recorrente no grupo. Administração também aparece com força, enquanto Marketing, Direito, Ciência da Computação, Publicidade e Propaganda, Medicina e Ciências Atuariais completam um conjunto bastante diverso de cursos.
Entre as universidades, a USP é a instituição que mais se repete na lista, presente na formação de quatro executivas. O levantamento, porém, reúne desde universidades públicas brasileiras até instituições privadas e uma universidade internacional, o MIT.
Mais do que indicar qual curso ou faculdade escolher, os dados ajudam a observar como diferentes formações acadêmicas aparecem entre profissionais que construíram carreiras de liderança em setores igualmente distintos.
Engenharia é a formação mais recorrente entre as executivas
Entre as 18 mulheres analisadas, seis têm Engenharia entre suas primeiras formações: Cristina Junqueira, Manzar Feres, Livia Chanes, Juliana Azevedo, Flavia Bittencourt e Silvia Penna.
O grupo reúne executivas de empresas e setores bastante diferentes. Cristina Junqueira, cofundadora e CGO do Nubank, e Livia Chanes, CEO do Nubank Brasil, estudaram Engenharia na USP. Manzar Feres, diretora-geral de Negócios da Globo, cursou Engenharia na UERJ. Flavia Bittencourt, CEO da Adidas Latam, estudou na UFRJ, enquanto Silvia Penna, CEO da Uber Brasil, é formada pela UFMG.
Juliana Azevedo, presidente da P&G Brasil, representa um caso particular dentro da amostra: cursou simultaneamente Engenharia na USP e Direito na PUC-SP.
A concentração de engenheiras chama atenção porque as posições atuais listadas não estão restritas a empresas industriais ou a áreas diretamente ligadas à Engenharia. Ainda assim, o recorte não permite estabelecer uma relação causal entre essa formação e a chegada a cargos executivos. O dado mostra apenas que o curso aparece com maior frequência do que as demais formações dentro do grupo selecionado.
Administração forma o segundo maior grupo
Administração aparece em quatro trajetórias: Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil; Nancy Serapião, head do Brasil da Lexus Toyota; Daniela Cachich, VP de Marketing da Ambev; e Renata Vichi, CEO da Kopenhagen.
As instituições, porém, são diferentes em todos os casos. Tarciana Medeiros estudou na Faculdade AIEC EAD, Nancy Serapião na Estácio, Daniela Cachich no Mackenzie e Renata Vichi na FAAP.
Esse é um ponto relevante do levantamento. Mesmo quando o curso se repete, não há uma única universidade concentrando as executivas formadas em Administração. Dentro dessa amostra, a recorrência está mais na área de formação do que na instituição escolhida.
Marketing também aparece duas vezes: na trajetória de Carla Fonseca, VP da Gol e CEO da Smiles, formada pela Universidade Santo Amaro, e na de Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, que estudou na ESPM.
Direito, Medicina e Ciência da Computação ampliam a diversidade do grupo
Algumas das trajetórias mais distintas aparecem fora dos cursos que concentram o maior número de executivas.
Luiza Trajano, presidente do Conselho da Magazine Luiza, estudou Direito na Faculdade de Franca. Patricia Frossard, head of Legal da Philips Brasil, também se formou em Direito, pela UNIP. Considerando ainda a formação simultânea de Juliana Azevedo em Engenharia e Direito, três das 18 executivas têm passagem pela graduação em Direito.
Luana Lara, cofundadora e COO da Kalshi, é a única integrante da amostra formada em Ciência da Computação. Sua graduação foi realizada no MIT, também a única instituição internacional apresentada no levantamento.
Andrea Orcioli, CEO da Sephora Brasil, estudou Publicidade e Propaganda na UNIP. Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, formou-se em Medicina pela USP. Já Raquel Reis, CEO da SulAmerica, cursou Ciências Atuariais na PUC-SP.
O conjunto mostra que posições de alta liderança corporativa aparecem associadas, nesta amostra, a formações que partem de bases bastante diferentes. Algumas estão mais próximas de negócios, enquanto outras se concentram em tecnologia, saúde, comunicação ou áreas quantitativas.
USP é a universidade que mais aparece no levantamento
A diversidade de cursos também se repete quando a análise passa das graduações para as instituições de ensino.
A USP é a universidade mais recorrente, com quatro executivas: Cristina Junqueira, Livia Chanes, Juliana Azevedo e Jeane Tsutsui. As três primeiras têm Engenharia em suas trajetórias, enquanto Jeane é formada em Medicina.
Outras instituições também aparecem mais de uma vez. A UNIP está presente nas formações de Andrea Orcioli e Patricia Frossard, enquanto a PUC-SP aparece nas trajetórias de Juliana Azevedo e Raquel Reis.
As demais instituições aparecem uma vez cada: Faculdade de Franca, MIT, UERJ, Universidade Santo Amaro, Faculdade AIEC EAD, ESPM, Estácio, Mackenzie, UFRJ, FAAP e UFMG.
A presença de universidades reconhecidas no cenário acadêmico brasileiro é evidente no recorte, mas os próprios dados também mostram que não existe concentração suficiente para associar a liderança corporativa a uma única instituição.
A lista completa das 18 executivas e suas primeiras graduações
Cristina Junqueira — Cofounder e CGO do Nubank: Engenharia — USP
Luiza Trajano — Presidente do Conselho da Magazine Luiza: Direito — Faculdade de Franca
Luana Lara — Cofounder e COO da Kalshi: Ciência da Computação — MIT
Andrea Orcioli — CEO da Sephora Brasil: Publicidade e Propaganda — UNIP
Manzar Feres — Diretora-geral de Negócios da Globo: Engenharia — UERJ
Carla Fonseca — VP da Gol e CEO da Smiles: Marketing — Universidade Santo Amaro
Tarciana Medeiros — CEO do Banco do Brasil: Administração — Faculdade AIEC EAD
Priscyla Laham — Presidente da Microsoft Brasil: Marketing — ESPM
Livia Chanes — CEO do Nubank Brasil: Engenharia — USP
Juliana Azevedo — Presidente da P&G Brasil: Engenharia — USP / Direito — PUC-SP, simultaneamente
Jeane Tsutsui — CEO do Fleury: Medicina — USP
Patricia Frossard — Head of Legal da Philips Brasil: Direito — UNIP
Nancy Serapião — Head do Brasil da Lexus Toyota: Administração — Estácio
Daniela Cachich — VP de Marketing da Ambev: Administração — Mackenzie
Flavia Bittencourt — CEO da Adidas Latam: Engenharia — UFRJ
Raquel Reis — CEO da SulAmerica: Ciências Atuariais — PUC-SP
Renata Vichi — CEO da Kopenhagen: Administração — FAAP
Silvia Penna — CEO da Uber Brasil: Engenharia — UFMG
Os dados mostram recorrências, não uma fórmula para chegar à liderança
O principal padrão do levantamento está na presença de Engenharia e Administração. Juntas, essas duas áreas aparecem na formação de dez das 18 executivas, considerando Juliana Azevedo também entre as engenheiras.
Ao mesmo tempo, quase metade da amostra vem de outras áreas, o que limita qualquer tentativa de definir um perfil acadêmico único para cargos de liderança. Uma médica dirige o Fleury; uma profissional formada em Ciências Atuariais lidera a SulAmerica; uma graduada em Ciência da Computação é cofundadora de uma empresa de tecnologia; e formações em Direito, Marketing e Publicidade e Propaganda também aparecem entre as executivas selecionadas.
O levantamento registra apenas o ponto de partida acadêmico dessas profissionais. Ele não mede experiência profissional, pós-graduações, mudanças de carreira, competências desenvolvidas ao longo do tempo ou outros fatores que participaram da construção dessas trajetórias.
Por isso, os dados permitem identificar padrões entre as executivas analisadas, mas não concluir que determinado curso ou universidade aumenta, por si só, a probabilidade de chegar a uma posição de liderança.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo The College a partir de dados públicos e considera a primeira graduação de 18 mulheres em posições de liderança apresentadas no material. No caso de Juliana Azevedo, foram mantidas as duas graduações cursadas simultaneamente: Engenharia na USP e Direito na PUC-SP.
A seleção não representa a totalidade das mulheres em cargos executivos no Brasil e, portanto, não deve ser interpretada como uma amostra estatisticamente representativa do mercado corporativo. O objetivo da análise é observar a formação acadêmica das 18 profissionais selecionadas e identificar recorrências dentro desse grupo específico.
Publicado em [18-04-2026]
