Antes de virar um dos nomes mais lembrados da história da Fórmula 1, Ayrton Senna tinha matrícula na faculdade. Ele trancou Administração na FAAP depois de um mês. O caso é um retrato do que o The College encontrou ao olhar a formação dos pilotos na semana do GP de São Paulo: passar pela universidade é raro entre os pilotos brasileiros, e concluir a graduação é ainda mais raro.
O levantamento partiu de uma pergunta simples: quantos pilotos que já largaram na categoria cursaram uma faculdade? A resposta depende de critério, e o critério aqui foi rígido. Entram apenas os pilotos com passagem comprovada por uma graduação, mesmo sem conclusão. Curso técnico, programa executivo e título honorário não contam.
O resultado é uma lista curta, com 7 nomes, e um dado que chama atenção: nenhum deles consta como formado nas fontes consultadas.
Só quatro brasileiros passaram pela faculdade
Dos 33 brasileiros que já largaram na Fórmula 1, apenas quatro têm passagem comprovada por uma faculdade: Ayrton Senna, Nelson Piquet, Lucas di Grassi e Ricardo Rosset. A base de comparação é grande, e a proporção fica em torno de 12%.
Senna e Piquet são os casos mais conhecidos, mas por razões opostas. Senna trancou Administração na FAAP depois de um mês. Piquet largou a Engenharia após cerca de um ano, para correr. Os dois somam três títulos mundiais cada um, o que mostra que a carreira no automobilismo foi a escolha que deu certo para ambos.
Di Grassi aparece como "cursou" Economia, e Rosset, como "cursou" Engenharia. Os dois não têm título na Fórmula 1, e a conclusão de curso não consta em fontes públicas. Por isso a lista não os trata como formados.
Os estrangeiros da lista
Entre os pilotos de fora do Brasil, a lista traz três nomes. O italiano Nino Farina, primeiro campeão mundial da história, se formou em Direito pela Universidade de Turim. É o único da lista com graduação concluída, e ele também tem um título na categoria.
O americano Phil Hill cursou dois anos de Administração na USC, e o neozelandês Bruce McLaren concluiu o primeiro ano de Engenharia na Universidade de Auckland. Nos dois casos, a carreira esportiva veio antes da conclusão do curso.
Os três estrangeiros são uma seleção, não a lista completa. Há outros pilotos formados que não entraram no levantamento, como Tony Brooks, em Odontologia, Jonathan Palmer, em Medicina, e Helmut Marko, em Direito.
Quem ficou de fora e por quê
Emerson Fittipaldi não entrou porque as fontes divergem. A Fórmula 1 cita engenharia, mas a FIA registra apenas o colégio. Bruno Senna, Raul Boesel e Ingo Hoffmann também ficaram de fora, por falta de comprovação da faculdade.
A instituição em que Piquet estudou não é citada, porque as versões disponíveis não batem. Essa é a parte mais frágil do levantamento, e o The College prefere deixar a lacuna aberta a publicar uma informação que não se sustenta.
O que os dados permitem observar
Entre os 7 nomes, Engenharia e Administração são os cursos que mais aparecem, com três pilotos cada um. A amostra é pequena, então o padrão serve para ilustrar o tema, não para tirar conclusões gerais sobre quem chega à Fórmula 1.
O dado também não diz se a faculdade ajudou ou atrapalhou a carreira. Senna trancou o curso e virou tricampeão. Farina concluiu o Direito e foi campeão mundial. Os dois fatos convivem sem relação de causa, e a lista não autoriza nenhuma leitura sobre isso.
A lista completa
Os sete pilotos, ordenados pelo número de títulos mundiais e depois pela ordem de citação na análise:
Ayrton Senna: 3 títulos (Administração, FAAP; trancou após um mês)
Nelson Piquet: 3 títulos (Engenharia; largou após cerca de um ano para correr)
Nino Farina: 1 título (Direito, Universidade de Turim; formou-se)
Phil Hill: 1 título (Administração, USC; cursou dois anos)
Lucas di Grassi: sem título (Economia; cursou)
Ricardo Rosset: sem título (Engenharia; cursou)
Bruce McLaren: sem título (Engenharia, Universidade de Auckland; concluiu o primeiro ano)Metodologia
Metodologia
Critério de inclusão: piloto que largou ao menos um Grande Prêmio de Fórmula 1 e tem passagem comprovada por uma graduação, mesmo sem conclusão. Curso técnico, programa executivo e título honorário não entram.
Universo: 33 brasileiros que já largaram na categoria, e os estrangeiros selecionados para ilustrar o tema. A lista de estrangeiros é uma seleção, não o total de pilotos formados.
Fontes: site oficial da Fórmula 1 (Hall of Fame), Universidade de Auckland, prospecto da Track&Field na B3 e imprensa especializada. Quando uma fonte não confirma a conclusão do curso, o nome aparece como "cursou".
Limitação: a conclusão de curso não consta em fontes públicas para di Grassi e Rosset, e as versões sobre a faculdade de Piquet não batem. Por isso esses pontos ficam sinalizados no texto.
Fonte: Fórmula 1 (Hall of Fame), Universidade de Auckland, prospecto da Track&Field na B3 e imprensa. Elaboração: The College.
